Uma sexagenária cheia de charme

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Fotografia: Fernando Nunes

Nascida na Itália no fim da década de 40, a Lambretta, a princípio lançada como um meio de locomoção de baixo custo, em seus mais de 60 anos conquistou a paixão de muitas pessoas. Entre elas se encontra o casal Luiz Gustavo Chiminácio Gurgel e Mariana Scattu Gurgel, que mantém o seu modelo 1959 em dia, que você pode ver durante o verão, pelas ruas de Campo Mourão.

O casal tem uma queda por objetos antigos. Tanto que já moraram em uma casa de madeira, toda decorada com móveis antigos, herdados da avó de Mariana, que foram restaurados, mas que na nova casa não combinam mais. Entre as raridades, estão uma geladeira de 1950 e um fogão a lenha de mais de 100 anos. Mas, o encanto pela Lambretta surgiu numa viagem à Itália, onde se veem muitas pelas ruas. Assim decidiram que teriam uma no Brasil, quando fosse possível.

E isso aconteceu há 5 anos, quando eles estavam fazendo compras em um mercado e viram um senhor com uma laranjada e branca, que não quis vender, mas indicou uma pessoa que venderia. Foi assim que chegaram até Paulo Ruela, restaurador que mora no Lar Paraná e na época já havia restaurado mais de 30 Lambrettas, coincidentemente conhecido de Gustavo. “Eu fui falar com ele, havia duas: tinha uma dele, que ele queria caro e estava cheia de fru-fru, mas não era o que a gente queria. E tinha uma –  que é essa – que estava cortada na aba dela e estava dourada e chumbo”, lembrou Gustavo.

Gustavo e a Lambretta 1959Para que ficasse mais fiel possível à original, eles pesquisaram as cores originais na internet e escolheram um branco vintage. Só que o único lugar que tinha essa cor era a Volkswagen, onde eles pegaram a tinta e ainda acrescentaram um verde pastel que é a cor dela. “Pegamos a cor original, que dentro das cores era amarela, azul, vermelha e verde. Achamos a verde mais bonitinha e mandamos fazer do jeitinho que era a original”, ressaltou Gustavo.

As peças foram compradas pela internet, ou numa loja especializada em Curitiba. As únicas que não são originais são os retrovisores, pois os originais não são permitidos pela legislação de trânsito e o pisca, pois não se usava pisca na época da fabricação. Paulo Ruela ficou responsável pela parte mecânica e montagem, sendo pintada depois numa outra empresa e feito o polimento das partes cromadas em Maringá. O processo todo levou de seis a sete meses, de comprar a moto, as peças, arrumar e mandar pra pintar.

Depois de pronta, só é preciso manter a manutenção em dia, que segundo Gustavo, não dá muito trabalho. “O que não pode é deixar ela no inverno com gasolina dentro, porque tem que limpar o carburador. Mas se deixar o tanque vazio, desligar a magueirinha, não tem erro. Põe gasolina, bate duas vezes e já pega na partida. Uma pra bombear a gasolina e outra pra funcionar”, enfatiza.

Como eles têm a Lambretta mais por hobby, andam pouco, principalmente no verão. “Gosto de ir trabalhar com ela. Não saio pra viajar, até porque o motorzinho dela é fraquinho. Ele é mais de tração. E como ela é 2 tempos, fica o cheiro de gasolina muito forte”, lembrou.

Mas, eles não são os únicos proprietários de Lambretta na cidade. Segundo Gustavo, ele sabe de aproximadamente 5 motos. “Tem a do Paulo Ruela, a do senhorzinho que a gente viu, a do Gustavo Bayer e tem mais uma, uma verde. Se tiver 5 na cidade, é muito”, concluiu.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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