Tem livro velho em casa? Troque!

Grupo de amigos promove todo mês uma Troca de Livros em Campo Mourão. Os encontros, nada formais, acontecem em várias partes da cidade e espalham literatura.

Que tal trocar aquele seu livro velho por um novo, cheio de histórias novas? É isso que o Troca de Livros promove. Todo mês diversas pessoas, com diferentes gostos por literatura, se reúnem para conversar sobre seus livros e trocá-los por outros, sem formalidade, de maneira muito simples: normalmente sobre tapetes esticados em lugares públicos da cidade.

A iniciativa de começar o encontro foi do ator Marcos Tagliati e ocorreu de maneira muito natural. “Combinei com uma amiga minha de nos encontrarmos no centro pra trocarmos uns livros, eu e ela. Com essa mania de postarmos no Facebook tudo que fizemos, estamos fazendo e vamos fazer, fiz uma arte muito simples e postei, dizendo que ia me encontrar com uma amiga pra trocar livros e, se mais algum amigo estivesse interessado, estaria na praça”, conta. O resultado? “Mais de 150 pessoas curtiram e eram inúmeros os pedidos por mais informações”, ressalta. Aí surgiu o evento virtual, sem grande expectativa de que passasse a ser físico, mas não foi o que aconteceu.

Como o combinado, Marcos conta que chegou à praça com a amiga, colocou um lençol no chão, dispôs seus livros e ela, os dela, e ficaram lá, conversando e lendo. Com a mesma despretensão dos dois, cerca de 50 pessoas passaram por lá, trocaram livros e dois dedinhos de prosa. Estava oficialmente criado o Troca de Livros, com a proposta de fazer um encontro por mês.

Para reunir todas aquelas pessoas que se interessaram pela iniciativa, Marcos criou o grupo, também pelo Facebook. Ali as pessoas começaram a interagir e a combinar os próximos encontros. O segundo foi no Parque do Lago, o terceiro voltou para a praça e cada vez mais pessoas foram aderindo à ideia de se desfazer dos livros já lidos.

Crescimento inesperado

Como o evento cresce a cada dia, Marcos afirma que tem encontrado alguns problemas pelo caminho, como a falta de estrutura. Por ser um encontro absolutamente informal, a estrutura adequada era mesmo um lençol estendido no chão, para os livros ficarem protegidos. As pessoas espalham os livros e ficam ali, interagindo e negociando com outros, em busca de boas trocas. “Hoje já não está dando para fazer com um simples lençol no chão”, relata.

Mas isso é bom ou ruim? Ótimo, garante ele. “No último encontro, quando vi os tapetes sem espaço para livros, uma galera reunida, uns gritando ‘de quem é o livro do Machado de Assis’ e outro perguntando ‘de quem é esse Dom Quixote’, me emocionei”, revela.

A iniciativa tem dado tão certo, que todos os dias novas pessoas se juntam ao grupo. Há pedidos de crianças para que os encontros sejam divulgados na escola e cresça a oferta de livros infantis. O reconhecimento tem sido tanto que o grupo foi convidado a fazer um encontro especial durante a Bienal do Livro, que aconteceu no mês passado e também na Virada Cultural. Já chegaram propostas de tornar o encontro mais formal, com apoio de algumas instituições, mas por enquanto, ressalta Marcos, a informalidade e impessoalidade dos encontros são diferenciais. Para o futuro, sonha ele, a proposta é agregar música à poesia, mas por enquanto são só planos.

Com tanta gente se juntando ao grupo, a ideia do criador é apenas que não se perca a ideia inicial, a da simples e pura troca dos livros. “Às vezes tem pessoas que não têm livros pra trocar e querem comprar. Outros até perguntam se podem vender os livros. Não tenho coragem de dizer não, mas, sempre reforço que a conversa é direta com o dono do livro e que o propósito do encontro é a troca”, explica.


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