Sempre Alerta

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Nem só de “nós” vivem os escoteiros. O grupo que está na cidade há 18 anos conta mais à Metrópole sobre sua filosofia e regras.
Quem já leu os gibis de Walt Disney, em que os sobrinhos do Pato Donald, Huguinho, Zezinho e Luizinho, escapavam de toda e qualquer situação de perigo com a ajuda do Guia dos Escoteiros pode até não saber, mas a chance de experimentar aventuras parecidas com aquelas dos gibis está aqui perto, mais precisamente no Parque do Lago, nas tardes de sábado. É ali que se reúne o Grupo Escoteiro de Campo Mourão, ponto de partida para muitas aventuras e aprendizado na vida de crianças, jovens e adultos.
Faz pelo menos 18 anos que os escoteiros começaram suas atividades em Campo Mourão. A ideia de fundar o grupo surgiu entre funcionários do antigo Banco Banestado. Dispostos a botar o plano em prática, eles foram buscar informações e cursos de formação para colocar a garotada para suar, isso em 1994. O Banco ajudou a custear equipamentos básicos, como a primeira barraca comprada para os acampamentos e a referência do apoiador está até hoje no lenço, que leva a cor laranja. O Banco acabou, mas a vontade daqueles escotistas em levar o projeto adiante, não.
De lá até hoje, o grupo foi se ampliando e conquistando pessoas que jamais esperavam fazer parte da família, como é considerado o escotismo. Cerca de 80 pessoas fazem parte da família, que se divide entre técnicos e a diretoria, que é formada principalmente por pais das crianças. Um desses que não imaginava ser escotista é o chefe Roberval Zago, que apenas levava o filho, Abrãao, para as atividades no Parque do Lago todos os sábados. “Morava longe, então ficava esperando a tarde toda para levar ele para casa. Aí me convidaram para ajudar e fui me interessando cada vez mais e estamos aí sempre”, conta Zago, que comanda uma turma de cerca de 20 crianças toda semana.
A mesma paixão despretensiosa fisgou de jeito a representante comercial Marilda, esposa de Zago. Os filhos cresceram se graduando no grupo escoteiro, enquanto o casal foi se aperfeiçoando e hoje, mesmo com os filhos grandes, são peças chave para o aperfeiçoamento dos escoteiros. “A gente convive pouco, uma vez por semana, mas cria uma relação muito intensa com as crianças, porque o conhecimento que adquirem aqui levam para a vida”, fala Marilda.

Modelo de vida
A base da filosofia do movimento escoteiro pelo mundo se firma em tornar as crianças boas pessoas, com especial respeito à ordem e à honra. O chefe Zoir Lemos, que acumula quase 40 anos de escotismo, explica que as atividades, para todas as idades, contribuem no desenvolvimento intelectual, afetivo, espiritual, físico, social e de caráter. “Fazemos atividades ao ar livre, variadas. Damos informação para que eles se desenvolvam e cheguem até onde querem, seja nas atividades em grupo ou na vida”, relata.
Os pequenos, a partir dos seis ou sete anos, desde que alfabetizados, podem ingressar no grupo como lobinhos. Por volta dos dez anos, passam a ser escoteiros. Depois dos 15, os meninos viram seniores e as meninas, guias. Dos 18 aos 21 eles passam a ser pioneiros e, ao atingir a maioridade, chegam ao último ramo, que é o de chefia. São os chefes que coordenam as atividades técnicas, aquelas feitas ao ar livre durante os sábados, onde nem tudo é brincadeira.
Todas as atividades são programadas para que as crianças e jovens interajam uns com os outros e isso inclui certo nível de dificuldade. Com os lobinhos e escoteiros, as atividades são mais lúdicas, mas os jovens enfrentam mais desafios. A missão deles, nos últimos encontros, foi a construção de um novo mastro para hasteamento das bandeiras do parque, hoje degradado. Com ferramentas de construção e orientação do chefe Lemos, eles cortam, medem e colocam em prática aprendizados tradicionais, como o de fazer nós, aquela considerada a especialidade do escoteiro.
O aprendizado prático, segundo os chefes, se completa nos acampamentos feitos pelo grupo, sempre com segurança e intensa programação para que o aproveitamento seja o melhor para a vida. Se eles ficarem perdidos na mata, tal qual Huguinho, Zezinho e Luizinho, vão saber se virar, garante Lemos. “Cerca de 90% das atividades que fazemos com eles têm meta e prazo, eles precisam ser responsáveis, como a vida exige. O resultado é que num grupo de jovens eles se destacam”, defende Zago.
Além das atividades tradicionais, os escoteiros devem colocar o aprendizado adquirido em prática. Eles participam de ações de beneficência na cidade, em prol de pessoas mais necessitadas. Recentemente, por exemplo, aprenderam o trabalho feito na Casa das Fraldas.

Quer participar?
Pelo menos 80 pessoas, entre adultos e crianças, formam o Grupo Escoteiro de Campo Mourão. Hoje a capacidade de ampliação não é muito grande, segundo Zago, porque falta capital humano para dar conta de preparar toda a criançada. A situação, no entanto, dá algumas voltas com a chegada de novos membros, mais pais “pescados” pelo escotismo. O bancário Aristóteles Alves de Oliveira, por exemplo, é chefe há menos de seis meses e seguiu o mesmo exemplo de muitos outros pais, hoje envolvidos pela família do escotismo. “Por enquanto estou fazendo somente assistência, ajudando aqui e ali, mas é o começo de tudo”, explica ele, já com o lenço no pescoço.
Para as crianças, além da exigência de idade, é necessário que sejam obedientes e dispostas a aprender. Certos comportamentos, alertam os chefes, não são tolerados no grupo, como por exemplo, consumo de álcool pelos jovens, condutas rebeldes e desobedientes. O perfil do escoteiro, seguido em todo mundo, não contempla comportamentos inadequados, defendem o chefe, por isso o rigor e a disciplina são necessários – e também amor pela organização. “É preciso muito bom senso, boa vontade e muito amor pelo escotismo. Sei que não posso mudar o mundo, mas se mudarmos a vida de uma criança, nossa missão já está cumprida”, revela a chefe Marilda.

Fotografia: Gracieli Polak


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


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