Quando a música inebria

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Nos riffs de improviso ou tocando grandes nomes da música instrumental, Paulo Ostapechen está aos poucos mostrando seu trabalho e ganhando espaço como guitarrista. Seus vídeos no Youtube têm bastante acessos e mostram um músico virtuoso.  Como sideman (músico acompanhante) já está há mais de sete anos na estrada tocando guitarra, violão ou contrabaixo com músicos amigos, mas trilha um novo caminho para consolidar sua veia musical, o que inevitavelmente passa pelas redes sociais.

“Estou trabalhando para divulgar vídeos tocando alguns covers, mas viso principalmente mostrar minhas composições próprias e, depois da divulgação da Internet, pretendo iniciar as apresentações ao vivo. Isso leva um certo tempo, pois o processo de produção é complicado”, fala. Segundo Paulo, ele mesmo tem que cuidar de tudo, da luz, enquadramento, captação do som, tratamento, pós produção, etc. “Tudo isso sem nenhum tipo de equipamento muito profissional. É quase como tirar leite da pedra, mas as produções estão agradando”, diz. Complementando, ele destaca ainda que isto também tem sido possível graças à ajuda preciosa de amigos que gostam do trabalho e cooperam em vários momentos.

Viver de Música

Pedagogo e musicista há cerca de 12 anos, Paulo Ostapechen como violonista e guitarrista é autodidata, mas já cursou teoria musical e estudou harmonia, rítmica e percepção. Dedicado, estuda praticamente o tempo todo. “Tenho podido viver, pensar e praticar meu instrumento dia e noite. Quando não estou dando aulas ou tocando, estou estudando e praticando individualmente. Não sou rico e nem sei se vou ficar, mas me sinto agraciado”, brinca e complementa: “A música é meu único trabalho desde 2006. Sobreviver de arte é muito difícil, qualquer que seja. O artista tem sido marginalizado e seu trabalho e produção, muitas vezes tratados como um subproduto, como um subemprego. Apesar disso, pagamos nossas contas como todo mundo (risos). Mas o artista é aquele tipo de ser humano que, de alguma forma, desenvolve a capacidade de, com sua arte, dizer o indizível; quando se experimenta esse tipo de liberdade é muito difícil voltar atrás. No meu caso vou ainda concordar com Beethoven em que “A música é capaz de reproduzir, em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria”, de modo que, mesmo na dificuldade, segue em frente, como se não tivesse mesmo outra forma de ser”, explica.

Gosto Musical

Atualmente usando guitarras do luthier mourãoense Marcos Rosa, com as quais grava seus vídeos para internet, Ostapechen usa também uma pequena pedaleira G1, da Zoom, que é o modelo mais simples da marca, mas com a qual tem conseguido bons timbres e onde interpreta alguns compositores que considera seus heróis musicais. “Gosto muito de Bach, Vivaldi, Chopin e Enya. Entre os guitarristas, meus preferidos são Steve Vai, Allan Holdsworth, GuthrieGovan e os brasileiros Guinga, Kiko Loureiro e Edu Ardanuy. Dos jazzistas, cito John Coltrane, Thelonious Monk e Brad Mehldau. São grandes compositores, com obras maravilhosas. Meu gosto percorre mais ou menos esse caminho”, esclarece.

Apesar de ter se iniciado com o violão ainda quando jovem e de dar aulas em duas escolas de música da cidade, Paulo abraça mesmo a guitarra, porque a considera fascinante e inebriante onde pode se dedicar inteiramente ao rock instrumental. “É de fato minha preferência, mas gosto muito de música erudita, de música brasileira e jazz, e também gosto de cantoras como Ana Carolina e Marisa Monte, além de bandas como Cold Play e Radiohead. Só não “atino” muito mesmo com o que está na mídia de massa, rádio, TV. Ali raramente você encontra qualidade de produção artística, na maioria das vezes o que dita as regras são os interesses comerciais e financeiros”, diz.

Professor de música, Paulo sente-se realizado com a profissão e está sempre motivando os alunos. “Eu sempre penso que preciso apreciar os objetivos dos meus alunos e ajudá-los a alcançar esses objetivos. Quando vejo meu aluno feliz por conseguir tocar algo que desejava, sabendo que pude ajudá-lo, sinto-me realizado. A principal motivação que ofereço é o fato de saberem que podem realizar qualquer atividade se realmente a quiserem realizar”, reflete.


Sobre o Autor

Regina Lopes
Regina Lopes

É jornalista há 27 anos, editora da Revista Metrópole e jornalista da Prefeitura de Campo Mourão.


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