Pelos poderes de Greiscol!

2

Me levanto cedíssimo (4 da matina) quase todos os dias, me apronto pra sair pro trabalho, meio que me arrastando e depois de meia hora (e alguns espresso shots), estou pronta pra mais um dia. Desde que me mudei pra Hopland, preciso dirigir 10 minutos extras pra chegar ao Starbucks. E no caminho, apesar do Beettle, nada de Beatles, vou só pensando nas coisas.

Foto 01

E é engraçado, porque eu não penso em português. Eu tenho muitos desses momentos e o que me interrompe é perceber que estou pensando em inglês! “Peraí, por que é que eu tô pensando em inglês again?”. Quando me perguntam (e acontece often) como-quando-háquantotempo eu falo inglês, respondo, sem nenhuma vergonha, que o New Kids on the Block me ensinou a falar nessa língua! Pode rir, eu também acho isso hilário! Mas é verdade. Eu gostava muito deles quando era mais nova e queria aprender as músicas. O resto é história.

#2
Depois de anos escutando, cantando, lendo, falando e tudo mais, muitas coisas mudaram pra mim. Muitas coisas mesmo! Palavras que eu pensava serem uma coisa e na verdade eram outra. Traduções, expressões, phrasal verbs (malditos phrasal verbs!). Make up quer dizer maquiagem. E fazer as pazes. E inventar coisas. E compensar. E repetir. E colocar em ordem. Sim, um phrasal verb pode ter muitos significados. Taí o motivo de algumas dores de cabeça. Get in ou get on? Get out ou get off? Malditos! Outro exemplo é a palavra set. Essa tem mais definições que qualquer outra palavra na língua inglesa!

#3

As músicas dos anos 80 (70’s to 90’s, give or take), no entanto, são as campeãs! Quando eu era pequena (e aqui, como sempre, você começa a questionar quantos anos eu tenho) o que eu ouvia fazia o maior sentido – dentro da minha cabeça. Eu praticamente encontrava uma explicação decente e me fazia acreditar que era aquilo o que o Morten Harket (A-Ha recap!) havia cantado! Volta e meia ligo meu modo nostalgia no último e coloco Outfield, Emerson-Lake and Palmer, Live, Oingo-Boingo, Erasure (I need a little respect!) e outros pra tocar e escutando as músicas – quando não não combino o nostalgia com o sing-along – começo a prestar atenção no que a letra diz. Me mato de rir por dentro.

Minha última foi Should I stay or should I go (The Clash). Veja bem que quando London was calling, nossos amigos Joe, Mick, Paul, Terry e Topper não só eram (são) britânicos, como carregaram um bruta sotaque para as suas músicas. Reparou que ninguém diz que Elton John é britânico quando escuta Nikita? O contrário acontece com o Clash, o que tornou mais difícil (e mais engraçado) “decifrar” o que eles cantam! Meio que me lembra da mocinha que cantou Mariah Carrey num desses Music Idols da TV. Não deixe de espiar nesse link, it’s a life-changing experience!

Mas enfim, músicas aside, outra coisa que mudou pra mim foram os nomes. De lugares, de pessoas, de objetos. Porém, nem tudo fez muito sentido. Fã de quadrinhos que sou, desenhos animados, agregados e afins, comecei, ano passado (21 anos depois da minha primeira aula de inglês), a descobrir as traduções e adaptações destes feitas para a língua portuguesa, até porque, precisei ensinar alguns pra Berlin.

Descobri que a Penélope Charmosa não tem charme algum no nome, chama-se Penelope Pitstop (uma piloto chamada Pitstop? Acho que sim!) O amiguinho do Zé Colméia? Boo-boo! Nada de Catatau. Que diabos se traduz em Catatau? Chamar-se Dodói (Boo-boo) já não faz sentido algum! Caverna do Dragão então! Por Zeus! Dungeons and Dragons. Se esse nome já foi dado à série, qual seria o problema em apenas traduzir para Dragões e Masmorras, então? Pelas barbas (ainda cinzas) de Gandalf, really!

Na verdade, escrevi esse texto foi pra confessar uma dessas descobertas que fiz em minhas idas e vindas das viagens na língua inglesa. E não foi contar que o New Kids me ensinou inglês!

Vamos primeiro deixar claro que faço parte da geração que cresceu assistindo desenhos nas manhãs da Globo, SBT e Manchete, aka época em que os desenhos animados eram bons. E essa história é sobre o momento em que descobri a verdade sobre quando nosso querido Príncipe Adam se transformava em He-Man, ao invocar os poderes do castelo mágico, o Castelo de Greiscol. Confesso: conversando com o Tom sobre He-Man e todas as novas gerações da série, personagens novos vs. antigos e tal, ele escutou de mim algo diferente do que deveria ser.

Mila: Bla bla bla, bla bla di bla, Greiscol bla bla di bla…

Tom: Wait… What’ dyou say again?

Mila: Hmmm… (hesitant) Byyyy the power of Greiscol…?

Tom: # # # endless laugh # # #

(silent minute)

Tom: You mean by the power of *GREY SKULL???

#7

Naquele momento, tudo fez sentido na minha vida! Até enxerguei a luz no fim de um túnel qualquer. Mais uma vez querubins cantaram em meus ouvidos. Não é que o castelo era mesmo uma “Caveira Cinza”? Me senti uma dumbass, em inglês mesmo. Recebi a derrota de braços abertos, e foi a última vez que dei ouvidos à Herbert Richers.

 
Mila Salvadori, desconcertada com o fato, a 1.000 milhas de lugar nenhum.


Sobre o Autor

Mila Salvadori Solverson
Mila Salvadori Solverson

Mila Salvadori Solverson - publicitária e barista, aproveita as folgas para viajar, ler livros de terror e brincar de Lego com sua filha Berlin.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273