O primeiro Superman a gente nunca esquece

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Costumo dizer que minha memória é uma porcaria quando se trata de infância. No geral, me lembro de toneladas de coisas, episódios da minha vida, amigos, e etc. Porém, há pouquíssimos – e repito, pouquíssimos –  acontecimentos dos quais ainda me lembro, que tomaram parte em minha vida entre os 2 e 5 anos. Tudo bem, de repente eu era muito novinha aos 2 anos, mas com 5 eu já havia passado por 3 anos na escola, um irmão mais novo e um pesadelo recorrente envolvendo zumbis e cigarras que não gosto nem de lembrar. Quero dizer, não imagino o motivo pelo qual só me lembro de poucas coisas.

Enfim, uma das minhas lembranças mais “queridas” (que meiga!) é a do dia em que assisti Superman pela primeira vez! Meu antigo quarto, na casa dos meus pais, costumava ser uma sala de TV. Tínhamos uma Telefunken gigante na salinha, e eu e minha irmã deitávamos num enorme tapete vermelho que minha mãe havia colocado lá pra gente. Foi no verão de 1986 – e aqui você começa a questionar quantos anos eu tenho – pouco antes d’eu fazer 6 anos. Superman ia começar depois da novela, e 9 da noite era praticamente madrugada pra uma criança daquela idade. Mas eu ia assistir Superman! Assisti. Me apaixonei pelo Christopher Reeve. Depois desse filme, começou a passar Poltergeist na Globo – meu primeiro filme de terror, outra recordação indelével – mas essa já é uma outra história, pra outro dia. Agora é vez do Clark.

O filme, de 1978, é baseado na série da DC Comics. Foi dirigido pelo Richard Donner (um dos meus preferidos) e conta com a presença ilustríssima de Marlon Brando, o predecessor do mais famoso pega-rapaz dos cabelos cinematográficos. Conta, enfim, a história do Superman, incluindo sua infância como Kal-El, de Krypton, e sua juventude em Smallville. Disfarçado como o repórter Clark Kent, ele adota uma personalidade tímida enquanto trabalha para o Daily Prophet, onde conhece e se apaixona por Lois Lane, enquanto trava uma batalha contra Lex Luthor, e blá blá blá que todo mundo já conhece.

O negócio é que o filme é emocionante. E digo emocionante, de me dar arrepios nos braços e lágrimas nos olhos até hoje! Claro que não foi depois de anos que descobri inúmeros outros fatos sobre o filme que o deixaram ainda mais interessante para mim. Tem um texto bem detalhado no Wikipedia, serve como leitura complementar se você estiver interessado!

Descobri, ainda, que existe até a chamada Maldição Superman, que se trata de uma série de eventos infortúnios que circularam pessoas envolvidas em adaptações de histórias do nosso querido Homem de Aço – o que é até engraçado, tendo em vista que a “maldição” mais famosa em Hollywood é a do filme Poltergeist – que coincidentemente foi ao ar logo após Superman naquela noite em 1986.

Outra coisa – muito importante – que fez com que esse filme se tornasse um dos meus favoritos de todos os tempos foi a represa. Lembra daquela represa que racha com o terremoto, onde o Superman salva o Jimmy Olsen, que acaba explodindo e inundando tudo e daí ele volta no tempo porque não conseguiu salvar a Lois e ela morre soterrada??? Pois é! Aquela cena ficou gravada na minha memória com tamanha intensidade que era o único lugar onde eu pensava em ir pra ver de perto, desde que consigo me lembrar de querer ir a algum lugar. Esqueça Playcenter, Disneyland, viagem pra praia, baile de debutantes, show do Fofão no Belin Carolo, esqueça tudo! Eu queria era Hoover Dam!!

Fast forward 24 anos, estou eu morando na Califórnia, casada com um cidadão Americano que nunca foi ver o Grand Canyon – o que não tem problema, eu sou brasileira e nunca fui ver o Rio Amazonas. Isso foi mais do que um sinal verde pra minha tão esperada visita à represa dos meus sonhos. Viagem marcada, cruzamos a Califórnia no sentido norte-sul, atravessamos a fronteira do estado em direção ao Arizona, visitamos o grandioso-maravilhoso-espetacular-take-my-breath-away Canyon e depois de alguns dias de 42 graus de verão, seguimos para Las Vegas pela US 93, rodovia que dá acesso ao Black Canyon, que é onde se encontra Hoover Dam. Tivemos a sorte de visitar a tal antes de finalizada a construção do Bypass (ponte utilizada para melhorar o tráfego e segurança no caso de futuros ataques terroristas) e pudemos descer a “serra” pela estradinha histórica. Já na minha segunda visita, tivemos que cruzar o estado pelo Bypass e dar a volta pra chegar na represa.
Mas, enfim, chegamos em Hoover Dam! Magnífica, monumental, i-na-cre-di-tá-vel. 7 milhões é o número de pessoas que visitam o local todos os anos. 112 é o número de pessoas que morreram durante a construção dessa fronteira (divide os estados do Arizona e Nevada). 5 é o número de anos que levou pra construir e 348 é o número de fotos que tirei de lá.
Poderia, novamente, escrever páginas e páginas sobre a minha visita, sobre a história da construção (que tem no Wikipedia também, vale ler!), sobre a paisagem, sobre as coisas que ficaram na minha memória. Mas ia ficar escrevendo dois dias seguidos sem parar! Queria pelo menos contar que, quando pisei na calçada e olhei pra baixo, não pude deixar de pensar na cena do filme, no que senti quando assisti pela primeira vez, pela segunda, pela décima. Nostalgia mode on. E, claro, torcendo pra maldição nenhuma pegar no meu pé. Até porque, maldição por maldição, fico com a Hoover Dam(n) mesmo.

“Welcome to Hoover Dam! I will be your Dam guide! Feel free to ask as many Dam questions as you like and make sure to take lots of Dam pictures! Over there is the Dam gift shop and on the other side we have pretty good Dam views!” (Dam: represa – Damn: maldito(a) – uma das piadas mais populares sobre a represa, aprendi durante a visita).

Mila Salvadori, a 2.278 milhas de Metrópolis (IL).


Sobre o Autor

Mila Salvadori Solverson
Mila Salvadori Solverson

Mila Salvadori Solverson - publicitária e barista, aproveita as folgas para viajar, ler livros de terror e brincar de Lego com sua filha Berlin.


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