O som alternativo do Errorama

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A banda Errorama possui integrantes em Araruna, Campo Mourão e Curitiba e oferece um rock diferente. Eles provam que é possível misturar os estilos de todos os integrantes e ainda produzir música autoral de qualidade. Conheça mais sobre esta banda feita de diversas fases do rock.

O sertanejo não é o único estilo musical produzido na região. Nem só o pop rock. O Errorama resolveu sair do lugar comum e oferecer música diferente para quem gosta de estilos diferentes. O rock predomina, mas no repertório há mais do que os consagrados Beatles e Raul Seixas. Eles tocam Radiohead, Pixies, Los Hermanos, Arctic Monkeys. Errorama é formado por Gustavo Luiz Ferreira Santos (vocal), Tiago Silva (bateria), Saulo Giovane (guitarra) e José Junior (baixo).

Os integrantes explicam que a influência é principalmente Radiohead, mas cada um traz uma história. Nas músicas próprias, se percebe essa mistura que vai de Pearl Jam, Smiths, Joy Division, até The National, Modest Mouse, além dos alternativos brasileiros Otto, Charme Chulo, Gram e Cidadão Instigado.

Formada há 5 anos em Araruna, hoje os integrantes estão também em Curitiba e Campo Mourão. Eles já tocaram em bares, baladas, mas atualmente, por uma questão de mobilidade, eles têm se apresentado mais em eventos culturais. Segundo Gustavo, nestes eventos, há pessoas mais próximas ao estilo da banda e que se interessam mais pela proposta. “Muito desse público também são outras bandas, amigos que fazem o som por aí, a gente valoriza muito o fortalecimento de uma cena, de pessoas que estejam interessadas nessa movimentação entre bandas e públicos ‘órfãos’ da região”, explica.

Como toda banda com alguns anos, vários integrantes já entraram e saíram. Tudo começou com Gustavo e Fábio (guitarrista que saiu no final de 2013), em Araruna. Os dois tinham outras bandas em outras cidades, mas se encontraram novamente em Araruna e resolveram se juntar para tocar nos fins de semanas. O repertório cresceu e começaram a surgir ideias para músicas próprias. Assim, outros integrantes foram aparecendo.

O primeiro deles foi Jefferson (bateria) que saiu alguns meses depois, mas convidou o baixista José Junior para ensaiar com a banda e que acabou ficando. Depois entrou Helton (Doug) na bateria, que saiu por falta de tempo e foi substituído por Tiago, que trouxe novas referências musicais. O Saulo entrou em 2012, para ajudar a produzir a gravação do primeiro EP, mas acabou ficando também, com sua guitarra mais roqueira.

A proposta da banda cresceu com o tempo. Mas a inovação sempre foi um ponto forte. “A ideia era tocar aquilo que considerássemos interessante, independente do que fosse considerado um ‘rock clássico’, ou uma música pop”, explica Gustavo. “A banda foi formada pela vontade de fazer, tocar, criar e gravar um estilo de música livre, que nós julgamos ser boa, da forma que a gente quiser, visto que na nossa região a cena musical é muito presa a certos estilos musicais, o nosso propósito sempre foi quebrar essa cadeia e levar essa música a quem pensa como a gente”, completa Junior. Mas isto não quer dizer que não existam elementos pop. “Claro que sabemos que as fórmulas pop predominam no som, mas nos interessa saber para onde podemos ir a partir dessa base”, acrescenta Gustavo.

Projetos Autorais
A inovação prevalece nos projetos autorais. Com um EP gravado, lançado no final de 2012, a banda já compôs todo o material para o próximo. Como eles mesmos dizem, as músicas são feitas com afeto e dedicação, sem precisar seguir uma tendência específica. Eles fogem dos padrões, procuram sonoridades novas, fogem do que é muito raso e fraco. O vocalista, Gustavo, faz as letras, até por acreditar ser difícil cantar algo que não conhece direito. A banda vai preenchendo com personalidade os arranjos das canções.
“O que eu gosto das letras é que elas não são diretas, assim, dão espaço para que o imaginativo de quem esteja ouvindo preencha as “lacunas subjetivas”, destaca o baterista Tiago. O baixista Junior completa: “Nossas letras são voltadas a uma interpretação aberta de cada ser que as ouve, letras essas envolvidas em um clima de arranjos tortos e quase experimental, uma coisa meio abstrata, para ser interpretada de acordo com o estado de espírito de quem ouve”.

O primeiro EP está disponível na internet através do Soundcloud. “No primeiro EP, os temas giram muito em torno disso, do olhar de onde estou e pra onde vou”, explica o compositor Gustavo. O site da banda www.errorama.com.br está fora do ar para atualização, mas logo estará de volta com os dois EP’s disponíveis para download.

Romance
No novo EP, denominado “Romance”, a coisa é um pouco mais nostálgica, um olhar para o passado. “A ideia de falar de romance, não como um relacionamento amoroso, mas como uma visão romântica, uma filosofia romântica sobre as coisas, traz essa melancolia, uma qualidade mais nebulosa pras músicas”, conta Gustavo. Com relação aos arranjos, o próximo EP vai trazer uma pegada mais oitentista. “O próximo EP traz mais experimentos, complexibilidade nos arranjos, um pouco de anos 80, sintetizadores, um embaralhado de guitarras ao mesmo tempo e baterias fora do comum”, adianta Junior.

Eles garantem que vão continuar com a banda por um bom tempo. Nem que seja apenas gravando e divulgando via redes sociais, por falta do tempo e mobilidade para se apresentar.  “Até por isso a gente ainda não gravou um álbum, o tempo pra produzir e o tempo pra ouvir hoje é outro e essas pequenas doses, contidas em seus aproximadamente 20 minutos refletem bem esse nosso contexto”, diz Gustavo. “O nosso estilo esquizofrênico de fazer e tocar música nunca foi de agradar a todos os paladares. É bem difícil agradar a pessoas que não conhecem o estilo e a proposta que esse tipo de música traz. Mas a gente já fica feliz com as pessoas que gostam e nos acompanham. O que podem esperar da gente é muita ousadia, barulhos, reverbs e músicas novas por vir”, completa o baixista.

 

Errorama: Nome dado pelo vocalista Gustavo para ser algo polivalente, que significasse somente a banda e nada mais. Inspirado numa coletânea de punk chamada Punk-O-Rama que fez o vocalista, Gustavo, lembrar de Ferrorama (brinquedo dos anos 80) e da ideia de abundância de alguma coisa. “Um ‘desbunde’ de coisas reunidas em um só lugar para você aproveitar. E como a gente nunca foi de uma qualidade impecável, o “error” era uma coisa óbvia. Uma junção de erros para seu prazer” esclarece Gustavo. “O error é pra dizer que a gente sempre erra, uma forma de nos desculparmos pela ousadia (risos)”, completa o baixista Junior.

 

Sobre o Autor

Liandra Cordeiro
Liandra Cordeiro


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