Cid Ramos: versos para a mulher gaúcha

0

Cid RamosO sotaque carregado não nega: ele é do Rio Grande do Sul. Com boina vermelha na cabeça e barba espessa no rosto, ele ainda fica idêntico a um dos maiores ídolos da música tradicionalista, o Gaúcho da Fronteira. Já foi confundido com ele algumas vezes e admite a semelhança. “Fiquei mesmo a cara do Gaúcho da Fronteira nessas fotos”, brinca. Cidenor Bitencourt Ramos, o Cid Ramos, no entanto, tem história e talento de sobra para não precisar ser confundido com ninguém. Cantor e letrista, fez carreira com o grupo Minuano e suas músicas românticas são lembradas até hoje.

Cid começou a escrever letras de canções já com alguns anos de estrada como músico. Com pouco estudo, fez da inspiração sua arma pra compor canções que fazem sucesso até hoje. Coincidentemente, segundo ele, começou a escrever sobre o Rio Grande do Sul somente quando foi embora de lá. “Foi de saudade do Rio Grande”, admite.

A primeira música foi uma homenagem ao seu estado e uma de suas crenças mais populares. Oração ao Negrinho do Pastoreio se inspira na lenda do menino escravo, castigado pelo patrão para que conseguisse recuperar o cavalo perdido. Passada de pai para filho, a história se dissemina até hoje, na forma de uma vela acesa para encontrar objetos perdidos. Foi obedecendo a inspiração de sua mãe, Olília, que registrou os versos.

Oração ao Negrinho do Pastoreio ganhou prêmios importantes, mas, mais que isso, caiu no gosto do público. A música mais marcante, no entanto, veio pouco tempo depois, quando Cid e os irmãos Ramos se mudavam para Campo Mourão, para começar a trilhar a história do grupo Minuano. Além do Rio Grande, ele deixou pra trás, em Santa Catarina, onde havia morado, aquela que viria a ser sua esposa nos últimos 30 e tantos anos, Marisa.

Te Amo Guria surgiu como uma declaração de amor à Marisa, que estava disposta a deixar sua casa e vir para Campo Mourão, construir sua história com ele. “Não tinha como eu dar um presente, então fiz uma canção pra ela”, conta. Marisa decidiu vir com Cid para Campo Mourão e a música, anos mais tarde, virou um sucesso. “No Rio Grande do Sul, na fronteira, ela chegou a ficar por seis meses em primeiro lugar”, ressalta.

Mais que sCid Ramosucesso momentâneo, a canção se tornou marcante para muitas pessoas. “Quando a gente viajava para lá e encontrava as pessoas, sempre me contavam que a música era tocada para a noiva entrar na igreja. Para mim isso é um orgulho. Deus me deu esse talento e sou muito realizado por isso”, declara Cid.

Música para as mulheres

Ramos percebeu que o sentimentalismo da música gaúcha era focado na relação com os animais, principalmente o cavalo. Então por que não escrever para a mulher gaúcha? Foi o que decidiu fazer. Seu maior, dentre tantos sucessos da música tradicionalista, é um hino de amor e de paixão à mulher gaúcha.

Com mais de cinquenta músicas gravadas, Ramos não para de escrever, principalmente canções românticas. No mesmo caderno ele acumula com capricho diversas versões da mesma música, até chegar ao melhor verso. Aprendeu que assim como vem, a inspiração vai embora. “Tenho tentado andar com uma caneta e um papel para anotar. Às vezes vem cada coisa linda na cabeça, mas se não anotar, depois esqueço”, comenta.

A última música que fez foi uma homenagem à cidade de Gramado, falando das belezas do lugar. Pretende dar de presente para a cidade. As outras ele guarda com carinho para quando realizar um outro projeto de vida, o de gravar um trabalho solo. Por enquanto, curte a realização de outro sonho. “Meu sonho era morar na beira de um mato e de um rio: conquistei. Meu sonho de ter uma esposa e dois guris: tenho dois guris e cinco netinhos. Meus sonhos realizei, hoje eu só quero poder escrever, colocar essas coisas nas letras e viver minha vida em paz”, conclui.

Fotografia:  Gracieli Polak


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273