Multi Zarske

Figura das mais conhecidas nos meios musicais locais, de Marcelo Zarske pode-se dizer que é um homem multitarefas: músico, professor e empresário, fotógrafo, blogueiro, contador, pedagogo e secretário. Tantas funções, em momentos de inspiração, podem facilmente virar notas musicais, seja em longos acordes ou em repertórios que apresenta com amigos pela cidade e região. Integrando vários projetos musicais diferentes e na correria da vida, entre ensinar e aprender, ele encontrou um tempo para falar com Metrópole.

Pelo gosto de viver rodeado de música, Marcelo esqueceu as formações de contador e pedagogo e está na direção de sua própria escola de música, onde também dá aulas, estabeleceu um currículo e trabalha com conteúdo. Estudando no Conservatório Estadual de Tatuí (SP) – um dos melhores do Brasil, focado em música brasileira, com alunos do Brasil e do exterior – Marcelo reconhece que “é importante aperfeiçoar-se, estudar. Nem sempre as pessoas têm incentivos do meio, precisam se enxergar melhor, ver o potencial e acreditar. Trabalho para valorizar isso, tocar com conteúdo”, comenta.

Como começou

Relembrando as origens, ele diz que o primeiro contato com um instrumento foi aos 10 anos, com aulas de teclado. Mas, só foi tocar mesmo na adolescência, com um primo que tocava violão para se enturmar. Aprendeu guitarra na escola, porque gostava de rock com som mais grunge e porque curtia muito as letras. A primeira banda foi no grupo de jovens na igreja, mas logo saiu porque “queria tocar outra coisa”. Juntou-se a uns amigos e montou a banda “Lugar nenhum”, quando fez sua primeira apresentação pública.

“Fiz aulas com vários músicos. Não era a opção estudar música, era mais para curtir o violão. Com um amigo que tinha formação recebi dicas para melhorar. Mas sempre toquei rock, depois fui me interessando por uma onda mais instrumental. Para mim o principal é o que se aprende, não só pelo estilo, mas para poder tocar qualquer coisa. Isso me desperta a buscar mais, a mudar acordes, ouvir outros instrumentistas – como pianistas e baixistas que eu adoro, para melhorar”, fala Zarske.

Trabalhando música em diversas frentes, Marcelo faz carreira acumulando passagens por vários grupos, resultados da afinidade com amigos de vertentes musicais diferenciadas.  Uma das primeiras formações foi com o professor de bateria Júlio Macowiski, mais a sua guitarra, o Arildo Moreira no baixo e Sidnei Pressinate na guitarra. Tocavam rock 70 – do Kiss, Metallica – e passavam por casas noturnas da cidade como a Slots e em festas de amigos. A banda acabou e se juntou a outra formação, com Marco Badui tocando um Pink Floyd tributo. As formações com música instrumental foram marcadas pela participação no grupo Circo Marimbondo, que após algumas apresentações tornou-se o grupo Gato Mia.

Suas bandas e afins

Atualmente com a banda A Irmandade, onde o repertório é de rock, Marcelo toca guitarra, o amigo Arildo toca baixo e faz voz, o guitarrista é Rayan Roger e o baterista Rhuan Rodrigues. Já a música instrumental Marcelo toca em um trio (Miguel, Ribeiro & Zarske), onde inclui músicas de autoria própria, interpretadas na guitarra, baixo e bateria, com os companheiros Wesley Ribeiro e Cesar Miguel. Explorando outro universo e para variar um pouco, tem samba na parada com “O Tritono e Ela”. Tocam Marcelo (guitarra), Gysele Rezende (voz e flauta), Wesley Ribeiro (bateria) e Cesar Miguel (baixo). Em outra experiência recente com samba, Marcelo tocou guitarra com Adson Isso (cavaco/voz e percussão) e Gysele Rezende (voz, flauta).

“O Quarteto Irmandade, onde toco há muito tempo, impressiona as pessoas. Elas pensam que somos de outra cidade, respeitam muito nossa qualidade. Poderíamos até tocar mais, mas faltam incentivos. Os bares preferem o sertanejo, que é o que vende para eles. No interior e mesmo nas capitais, para viver tocando o que eu gosto (jazz e rock and roll) não tem espaço. Para mim música é uma arte, para a maioria dos contratantes é entretenimento para vender imagem, alcançar a cultura da massa, que, com apoio da internet, segue dominando. Muitas vezes a gente acaba tocando pelo prazer de tocar, mas nunca de graça”, pondera.

Rotina de sons

Virtuoso e dedicado a viver de muita música, Marcelo tem sua rotina toda tomada por sons, seja na escola onde fica o dia inteiro, ou andando de bicicleta, onde a preferência é escutar o rock and roll. “Eu não me atento a escutar uma música. Gosto de escutar o disco inteiro. Tem dia que curto mais instrumental, outros, música clássica e outros, rock. Ultimamente estou ouvindo muitos brasileiros, até Chico Buarque, que eu pouco conhecia. Mas também curto Rush, Led Zeppelin, Deep Purple, bandas novas como Coheed and Cambria, o Sting, que toca muito, Paralamas e até o Cartola original”, fala.

Com tantas formações diferentes que vão do instrumental, samba até o rock, Marcelo destaca que gosta da energia que liga as pessoas e a música. “Toco com quem gosto, todos são muito ligados pela energia que rola. Toco com quem tem condições de tocar. No instrumental, às vezes é mais intenso, rola mais improviso, e quando o som segue, sincronizam-se as ideias. Mas também acontece com os outros músicos e amigos. Não existe ninguém melhor, cada um faz a sua parte, não tem competição, tocamos pela música. Tem um guitarrista, o Michel Leme, que diz que ‘a música é o Sol, ela é o meio maior, ela tem que aparecer’. Penso assim também”, conclui.

Criterioso, Marcelo não gosta muito de falar do que já produziu em CDs, como uma demo da primeira formação do Gato Mia, que fez pelo Fepac, mas para quem quer conhecer seu trabalho, ele tem uma demo que foi originalmente produzido para vídeo e um CD da Irmandade. “Nessa capa tem um lado revelador, um pônei, que mostra uma obsessão pelo lado oculto das coisas, ou o lado B, como nos tempos dos LPs”, finaliza.


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Metrópole Revista
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Revista de variedades.

2 Comentários


  1.  
    Liliane Zarke

    Parabéns Marcelo Zarske!! bjãooo se cuida





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