Humanos

Humanos. Assim pode ser definido o novo trabalho fotográfico, ainda em desenvolvimento, do jornalista Dilmércio Daleffe. Trabalhando como chefe de redação do Jornal Tribuna do Interior, ele vem conseguindo captar pequenos flagrantes nas ruas e praças da cidade, a todo instante. Mesmo dentro do carro, a máquina fotográfica praticamente anda no seu colo. Afinal, momentos não voltam mais e, um olhar atento, certamente eternizará um bom clic.

É bem verdade que para ele, não há nada mais importante que o ser humano. Tudo gira ao redor das pessoas. O mundo foi feito para elas. Fatos, notícias, catástrofes, tudo tem importância quando envolve a figura humana. Imagine um terremoto num lugar onde não more ninguém. Não terá a mínima atenção. Então o ensaio está feito. Com base neste tema, Daleffe está percorrendo os quatro cantos da cidade em busca de olhares, gestos, movimentos, situações. Sempre envolvendo alguém.

O preto e branco, mais uma vez, tendeu para todo o trabalho. É quase uma constante na vida jornalística do artista. O primeiro ensaio em P&B aconteceu em uma carvoaria na região de Ponta Grossa, ainda em 95. Sem nenhuma pretensão, Daleffe enviou as fotos ao concurso Sangue Novo do Jornalismo Paranaense, em Curitiba. Promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do estado, ele faturou o primeiro lugar.

Ainda no mesmo ano, enquanto estudava jornalismo em Ponta Grossa, percorreu 50 quilômetros de trilhos da ferrovia da cidade. O trabalho foi realizado durante seis meses. Após somar cerca de 1,5 mil fotografias, todas em P&B, 30 delas foram selecionadas. Com o tema “A Vida na Linha do Trem”, o trabalho está guardado até hoje, sem nunca ter sido mostrado. “Quero chamar a atenção à figura humana. Só com o preto e branco é que consigo isso”, diz.

Em 1997, durante um tempo em que morou em São Paulo, amadureceu a idéia de alçar vôos maiores. Foi quando decidiu ir até o sertão bravo do Piauí. Lá, evidenciou as fraquezas de todo um país. Miséria, fome, doenças. Um local onde Deus, pelo menos naquele instante, parecia não existir. O solo seco, as feridas abertas em gente sem mais esperanças, o choro de crianças a mercê da morte. As lentes captaram os momentos, trazidos com ele até hoje. O trabalho chegou a ser publicado na Revista “Caros Amigos”, em 1999.

De certa forma, Daleffe está mais acomodado. Longe dos grandes centros – ele mesmo diz que tem pavor de cidades maiores – vai levando a vida por aqui. No entanto, quem disse que pelas nossas ruas não encontra a sua matéria prima? “Moro na melhor cidade que conheço. Tenho tudo o que preciso, principalmente, em se tratando de figuras humanas”.


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