Fotografia e mochilão no país do apartheid

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Graças à sua paixão pela fotografia, Lorena Lenara Batista, além de escolher sua profissão, recentemente teve a felicidade de conhecer a África do Sul, ao ganhar um concurso. É o que ela nos conta nesta edição.

Seu contato com a fotografia vem de sua infância e o encanto pela imagem, ao assistir desenhos animados e ler quadrinhos. Antes de começar a faculdade teve seu primeiro contato com uma câmera profissional com o fotógrafo José Mário Dias, que a ensinou a medir a luz.

Mas, foi ao cursar Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, que desenvolveu a habilidade. “No último ano de faculdade decidi entrar para a escola de fotografia, onde tive a oportunidade de conhecer grandes mestres”, lembra. Entre eles, Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiro e Kevin Carter, fotojornalista sul-africano, que para ela, são grandes inspirações, não só na fotografia, mas como propagadores de uma mensagem importante sobre dignidade. “Salgado tem um trabalho magnífico sobre a humanidade e a natureza. Carter foi um premiado fotojornalista que fotografou o apartheid e a fome”, pondera.

Nos meses de novembro e dezembro do ano passado, ela viajou à África do Sul, após vencer um concurso cultural promovido pela AIESEC e a EF Language School, com o tema “Quebrando Barreiras”, em que precisava retratar com uma fotografia essa quebra de barreiras, seja ela, cultural, social, de línguas etc. Ela fez uma colagem (disponível em http://tinyurl.com/meusamigosemDC), com fotos de amigos segurando plaquinhas com os nomes de seus países. No concurso, duas fotos foram premiadas, sendo que a de Lorena foi escolhida pelo júri. O prêmio foi 2 semanas de curso de uma língua em algum dos países em que a escola tem sede. “O primeiro país que me veio à cabeça foi a África do Sul”, ressalta.

Lá ela ficou dois meses, sendo que metade ficou na Cidade do Cabo e a outra metade pela costa da África do Sul, saindo da Cidade do Cabo até Johannesburgo, onde ela fez a viagem no estilo mochilão. Como resultado, teve que desenvolver um projeto de mídias sociais em um blog (http://borntobefree2.tumblr.com), como retribuição pela bolsa de estudos.

E a viagem fez com que ela se encantasse ainda mais com o país. “A África do Sul abriga muitas culturas, são 11 línguas oficiais e uma mensagem sobre liberdade a cada esquina. Lá a relação com a natureza é muito intensa”, disse. Ela protesta contra o absurdo que viu de ter que pagar para ver belezas naturais, como elefantes, leões, zebras e outros animais. “Isso me levou a uma intensa reflexão sobre como estamos tratando nosso planeta. O que era natural, hoje para ser visto precisa ser pago, justamente por sua escassez. É como se estivéssemos nos separando do nosso próprio mundo”, reflete.

Mas o maior aprendizado que ela guarda é a força para lutar e mudar a realidade. “Em uma conversa com um líbio que lutou para libertar seu país da ditadura de Gadafi, eu expus o que acontece no Brasil: corrupção, milícias, desigualdade social etc. A resposta dele foi simples: ‘Change it!’ (mude isso)”, concluiu.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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