Dó, Ré, Mi, Faz Tudo!

1

Talentosos notáveis da APAE

Em março desse ano estreou nos cinemas de todo o país o filme “Colegas”, que conta a história de 3 amigos com síndrome de Down que fogem do instituto onde moravam para realizarem seus sonhos.

Os atores Ariel Goldenberg, Rita Pokk, e Breno Viola (que interpretam Stalone, Aninha e Márcio, respectivamente) na vida real têm a síndrome. No filme eles esbanjam talento e carisma, mostrando que as pessoas com síndrome de Down são cheios de talento e capazes de muito mais do que se pensa.

Em Campo Mourão, existe um grupo que, como os atores de “Colegas”, esbanjam talento, simpatia e bom humor. É o grupo “Dó, Ré, Mi, Faz Tudo”. Os 30 participantes são coordenados e se reúnem duas vezes por semana na APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais. No grupo, participam alunos portadores da síndrome de Down e outras deficiências, também capazes de surpreender.

Segundo a diretora da APAE Campo Mourão, Vanessa Cristina Piassa Costa, o grupo “é uma ação sócio-educativa direcionada com atividades culturais, no contraturno social. Não é uma atividade cultural isolada, mas uma ação integrada a tantas outras propostas e realizadas pela APAE”, afirmou. As atividades fazem parte do processo de estimulação, formação e integração entre pessoas com deficiências e seus familiares.

O nome do grupo tem origem na diversidade de atividades que os membros realizam. “Dó, Ré, Mi, Faz Tudo” porque eles são bons na dança, na música, no esporte, nas atividades de sala de aula, em tudo”, ressalta Delmira Piassa, coordenadora do grupo. Ainda segundo ela, desde o ano de 1996, o grupo participa ativamente nas apresentações do município, promovidas pela Fundação Cultural (FUNDACAM): na Festa Nacional do Carneiro do Buraco, na apresentação do Guardião do Fogo, e na Sexta-Feira Santa, no Auto da Paixão.

A galera do “Dó, Ré, Mi, Faz Tudo” provou seu talento em diversos concursos e festivais de arte de que participou. O último foi o Festival Regional “Nossa Arte”, realizado no fim de março, quando foi conquistado o primeiro prêmio nas categorias “Música”, com a cantora Maria Senhorinha Soares, interpretando “Assim Sem Você”, de Claudinho e Bochecha e “Dança Folclórica”, com a apresentação “Dança Cigana”. Os vencedores participarão da etapa estadual em União da Vitória-PR, no fim do mês.

Independentemente da premiação, todos os envolvidos são vencedores. O projeto está fazendo diferença na vida dessas pessoas, melhorando sua inclusão social e desenvolvendo potencialidades. “A maioria deles melhorou muito, participando do grupo. Eles se comunicam melhor, se expressam melhor, interagem melhor com os outros. E isso é, para toda a equipe que trabalha com eles, o maior prêmio”, afirmou a assistente social, Ivone Maggioni Fiore.

Seja no hip hop, na dança cigana, no canto, no malabares ou no teatro, os nossos “Colegas” mostram que são esforçados, cheios de talentos, capacidades e principalmente sonhos. Muitos deles, quando questionados sobre seus desejos, falaram em estudar, namorar, dançar e cantar (quem sabe até gravar um CD?). Apesar do preconceito que muitos sofreram, não desistem de ter uma vida “normal”, de ser alguém “especial”, com seus talentos reconhecidos pela família e pela sociedade.

 

APAE Campo Mourão

A APAE de Campo Mourão existe há 39 anos em Campo Mourão e é mantida por meio de convênios com os municípios de Campo Mourão, Farol e Luiziana; com o governo Federal e Estadual; com doações, promoções e eventos beneficentes.

A instituição mantém a Escola de Educação Básica Josephina Wendling Nunes, que oferece Educação Infantil, Ensino Fundamental e Educação de Jovens e Adultos, na modalidade Educação Especial. A associação também mantém uma Unidade de Saúde, com atendimentos em Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Odontologia, Psicologia, Psiquiatria, Neurologia, Pediatria e Assistência Social.

Atualmente a APAE atende cerca de 500 pessoas com deficiência intelectual e outras deficiências associadas, em duas sedes: uma urbana e outra rural. Desses, 378 são alunos e os demais são atendidos pelo programa APAE Comunidade. São atendidos alunos que apresentam deficiência intelectual moderada e severa e que podem ou não estar associadas a deficiências motoras, visuais e auditivas. As deficiências intelectuais e as outras deficiências atendidas são em decorrência de diferentes síndromes. Como a síndrome de Down, Cri Du Chat, West, Cornélia de Lange, Duchenne, Sturge-Weber, Angelman, Hallermann–Streiff, Tetralogia de Fallot, Dandy Walker, Mucopolissacaridose e outras encefalopatias, Mielomeningocele, Autismo, Paralisia Cerebral, Microcefalia, Hidrocefalia e outras.

 

As viagens de Aline

Aline e Arlete“Aline conhece o Brasil de Norte a Sul. Essa menina é meu orgulho!”. Com essa frase, Arlete Gonçalves de Oliveira fala de sua filha, Aline de Oliveira Gonçalves, portadora da síndrome de Down. Mas isso, de forma alguma, é motivo para vergonha para a mãe que, orgulhosa, fala da filha. “Ela é muito dedicada, responsável, minha companheira inseparável de viagens. Viajamos por todo o Brasil, sempre participando de concursos”.  E a dupla conquistou vários prêmios, desde quem chega primeiro na piscina, até de melhor fantasia.

Aline é muito preocupada com a mãe: em relação aos remédios que ela precisa tomar, se está se alimentando direito… “Ela cuida mais de mim que eu, dela. A Síndrome de Down não influencia em nada. Aline ajuda na limpeza da casa, tira a mesa, passa roupa e ainda é muito querida pelas pessoas”, comenta Arlete.

A jovem lembra dos lugares de que mais gostou. “Fui pra Florianópolis, no navio pirata. Também fomos pra Porto Seguro e pro Rio Grande do Sul”, disse Aline. Entre as coisas que ela mais gosta, estão viajar, dançar e cantar.

 

 

Brasil, um país que precisa de acessibilidade

Segundo dados do IBGE no Censo de 2010, o Brasil conta com mais de 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Isso representa aproximadamente 24% da população total. A sociedade precisa acelerar o processo de acessibilidade, tanto nas edificações, quanto nas atitudes, pois são muitos brasileiros que têm dificuldades para falar, ouvir, andar ou pensar como os outros 76% da população.

Eles se comunicam de muitas outras formas: eles comem, estudam, compram, viajam, namoram, casam, pensam e, sobretudo, sentem. São brasileiros com direitos e deveres e, como todos os outros, possuidores de dignidade, precisam ser respeitados.

 

 


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273