Colorindo sonhos

Ela lida com arte desde menina, inspirada pela mãe, que apesar de pouco estudo, tinha muito talento. Elvira Schen Lima assumiu sua porção artista e, com seus traços bem diferenciados, tem levado alegria e cor para peças e ambientes espalhados pela cidade e por roupas, onde está seu personagem mais conhecido, a “Pat”.  Ela explica que sempre se interessou pelo bonito e gostava de cheiro de papel, lápis e tintas: “Aprendia com os alunos de minha mãe a lidar com a mistura das tintas e tudo mais. Comecei a desenhar copiando figuras de livros e revistas que me encantavam. Na adolescência fazia desenhos divertidos nas cartas que escrevia e pintava tudo que me dava ´na telha´”.

Elvira lembra que nesta época pedras se transformavam em arte, caixas, embalagens, tudo podia virar um artigo de decoração. “Hoje meu ateliê desenvolve o que o cliente pedir, mas procuro  fazer um trabalho bem pessoal, seja em móveis, painéis, telas, papel ou desenhos para bordados em confecções”.

A artista diz que um dos seus pontos fortes é a produção de peças de ambientação em locais como empresas, clínicas, escolas e residências, que cria livremente, a partir da inspiração que tem em cada momento. “Em algumas residências tenho trabalhos em cada cômodo da casa, isso me deixa muito feliz e realizada. Há alguns anos fizemos um trabalho muito grande para uma escola de São Paulo, a pedido de uma arquiteta aqui de Campo Mourão. Fez muito sucesso. Foi estafante pelo prazo curto, mas nos rendeu mais serviço e reconhecimento e isso foi muito bom”.

Ela destaca que utiliza muita tinta acrílica na tela e na madeira, tem uma paixão pelo contato com papel, tanto nos desenhos como recortes. “Amo as cores, acredito que alegram a minha alma. Para mim não há técnica especial ou coisa assim. Prefiro criar com o que tenho no momento ou com o que me é pedido. Imagino ou realizo mudanças com os materiais que tenho nas mãos. O improviso, junto com a técnica e a imaginação, é que faz tudo se tornar arte”, diz.

Para Elvira a arte é atraente porque pode ser reinventada, leva alegria, inspira e deixa mensagens. “Admiro muitos artistas famosos e suas obras, mas tenho o meu jeito próprio de inventar e reinventar coisas. Algumas vezes me pedem para fazer telas retratando quadros de artistas famosos, mas colocando um toque especial meu, o que faço com o maior prazer. Acredito que a arte é para ser reinventada. Amo fazer um quadro ou painel quando sei que muitas pessoas, e de classes sociais diferentes, irão ter acesso. Um quadro para uma sala de espera, onde a pessoa terá mil coisas para imaginar, ou onde posso passar uma mensagem de vida, de ânimo e alegria, me deixa realizada”, explica.

Sobre o processo de trabalho lembra que trabalhar com prazer é o contrário de pressa, e que a inspiração funciona melhor quando se tem satisfação. “Não gosto de prazos apertados, prefiro trabalhar com prazer. Quando preciso, conto com a ajuda da Lúcia Felipes, uma amiga com quem dividi o ateliê por mais de 10 anos. Hoje trabalho em casa, para conciliar a atenção à família, às netas e ao abrigo de animais abandonados. Quanto à inspiração, basta olhar a natureza ao redor, ver minhas netas sorrindo, a família linda que tenho, o amor pela vida de todas as criaturas, seja um musgo no tronco de uma árvore ou uma baleia pulando as ondas, tudo é motivo pra amar a vida e fazer disso uma arte”, fala.

Criadora de personagens conhecidos de uma marca de roupas para dormir, ela se orgulha de ter um estilo que hoje é imitado por várias outras confecções. “Os personagens da Sonhart foram criados a pedido da dona da loja, que era minha amiga e queria algo diferente e único. Foram os primeiros desenhos ´palito´ em confecção e isto depois virou febre. Muitos copiaram, mas a ´Pat´ (personagem principal) arrebatou muitos fãs e acabou se tornando símbolo de confecções deste estilo e hoje é marca registrada”, explica.

Finalizando, Elvira Schen Lima destaca que em tudo que faz deixa um pedaço seu, através de pinceis, lápis e tesouras, mas que não se descuida de estar informada e atualizada para renovar o ciclo das suas criações. “Preciso estar sempre reciclando, buscando informação, ter contato com todo tipo de arte e buscar vida sempre. O sentimento faz com que o pedaço que sai de mim logo seja preenchido, renovado  e o ciclo recomeça. Amo o que faço, sei que é um dom de Deus. Ele me deu a graça de poder trabalhar e com isso fazer meus dias melhores”, finaliza.


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