Mais do que “Mil Árvores”

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As grandes transformações se fazem a partir de pequenos atos. Foi assim que nasceu o Projeto Mil Árvores, que busca soluções sustentáveis para a bacia hidrográfica do Rio do Campo. Conversamos com dois dos idealizadores, para saber como é o trabalho de recuperação das nascentes.

Fernando Nhepchin, Sandra Malusz, Fernando Villwock, Jucy Cristófoli, Douglas Almeida e Jefferson CrispinBuscando auxiliar na preservação das principais bacias hidrográficas de nossa região, no ano de 2011, algumas empresas e órgãos se uniram para criar o projeto “Mil Árvores”, que vem realizando trabalhos socioambientais em escolas e comunidades rurais. O projeto é fruto da parceria entre Cristófoli Biossegurança, UNESPAR/Fecilcam, Sanepar, Prefeitura, IAP, Fundação Educere e Copel (Companhia Paranaense de Energia).

Segundo Jucy Ângela Cristófoli, coordenadora do projeto, “as principais ações estão relacionadas à recuperação da mata ciliar ou ripária, levando qualidade de vida aos moradores da região e a todo o ecossistema”.

A mata ciliar ou ripária é responsável pela proteção das margens de rios e córregos. Essa proteção pode ser natural ou recuperada pelo homem e tem uma importância fundamental, pois evita a erosão e assoreamento, que destroem as nascentes, melhorando a qualidade da água e eliminando o risco de escassez.

Para o coordenador técnico do projeto, professor Jefferson de Queiroz Crispim, não basta a restauração, é preciso dar continuidade ao trabalho. “Queremos recuperar de modo que os locais não passem apenas pela simples limpeza, mas permita que a natureza ocupe o seu lugar de modo permanente, tendo como aliada a comunidade local e as gerações vindouras”, afirmou.

Jefferson explica que primeiro é feito um levantamento das nascentes da região, com dados de quantidade de vazão de água, quantas famílias são beneficiadas da nascente, e a situação de como ela se encontra. Depois disso, são feitas reuniões com os moradores para acertar um compromisso de ajuda coletiva e ter mais mão de obra disponível para a realização da restauração. “Se não houver esse comprometimento de colaborar uns com os outros, não dá certo. É importante ter esse sentimento de comunidade, de ajuda ao vizinho, assim todos se comprometem na preservação”, ponderou.

Depois de escolhido o local, é realizado o plantio de espécies nativas como peroba, cedro, aroeira, angico, entre outras, no entorno das nascentes e áreas próximas aos rios das propriedades atendidas. Além disso, são realizadas outras ações como: oficinas educativas para acompanhamento e monitoramento das árvores plantadas, práticas educacionais para a preservação ambiental e retirada de entulho das áreas degradadas.

Para recuperar e proteger as nascentes, Jefferson diz que utiliza solo-cimento aplicado em pequenas propriedades agrícolas. Segundo ele, cada família atendida participa da recuperação das nascentes próximas às suas propriedades, bem como no plantio das árvores nativas. “A contrapartida das famílias é avisar os vizinhos e montar grupos de trabalho, ou seja, uma maneira de divulgar e multiplicar o conhecimento das técnicas implantadas”,  ressalta.

Entre as ações que o projeto realizou em várias propriedades agrícolas da região, alguns resultados já foram alcançados. Foram plantadas mais de 13 mil árvores e recolhidos mais de 40 caminhões de lixo descartado próximo às estradas rurais e áreas de nascentes, nos municípios de Campo Mourão e Iretama.

Foram realizados trabalhos de educação ambiental com as famílias atendidas pelo projeto, com acompanhamento trimestral das nascentes recuperadas. Em análise realizada em laboratório, foram apresentadas melhoras na qualidade da água em todas as localidades.

Os idealizadores do projeto têm muitos planos para o futuro, entre eles, a recuperação de mais nascentes, além de um projeto relacionado ao saneamento básico. “Queremos construir unidades de tratamento de esgotos para estabelecimentos agrícolas, de forma a tratar o ciclo todo da água, desde a nascente até o seu retorno à natureza”, concluiu Jefferson.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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