A força rejuvenescedora do abraço

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Certa vez o poeta português Antônio Feijó escreveu: “O coração nunca envelhece. Basta um serviço, um nada, um abraço e tudo nele se ilumina e aquece”. E é assim, de abraço em abraço, que o professor Dirceu Alberto da Silva, 69, rejuvenesce todos os anos, sempre no primeiro dia de aula.

Se você já estudou ou visitou a Unespar/Fecilcam no primeiro dia de aula, deve ter visto um “senhorzinho” muito simpático, com um cartaz nas mãos, distribuindo abraços aos alunos, colaboradores e visitantes. Essa personalidade do campus é o professor Dirceu, natural de Niterói – RJ, que trocou o agito das grandes cidades pela tranquilidade do interior do Paraná. Formado em direito na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, advogava na capital fluminense, quando, por indicação de um amigo, veio para essas bandas. Mas, antes de vir para Campo Mourão, em 1982, morou 7 anos em Ubiratã.

A ideia do abraço grátis surgiu de ver a mesma ação em outros lugares. “Achei que era fácil fazer, não tinha dificuldade nenhuma. Nosso espaço é fechado, é para dentro”, pondera. O primeiro cartaz foi feito sem maiores pretensões, cerca de 5 anos atrás, utilizando a técnica do origami, que ele já mostrou na edição nº 8 de Metrópole. “Esse cartaz eu mesmo faço com tesoura e origami. O origami é muito rico. Dá pra fazer muita coisa, até virar uma profissão”, ressalta.

Como deu certo, ele fez de novo e de novo, pois a aceitação foi crescendo a cada ano por parte dos alunos e da instituição. “A recepção foi muito boa, mais até do que eu imaginava que pudesse acontecer. Inclusive os próprios alunos já vão ao primeiro dia de aula na expectativa disso. É uma forma de aproximar as pessoas, além de eu ter esse contato com a juventude, essa fase da idade muito rica”, afirma.

O abraço não faz bem só pra quem dá, mas também para quem recebe. E entre as histórias emocionantes, Dirceu lembra uma muito especial. “Tem uma história de uma aluna que havia perdido o pai recentemente e estava entrando na faculdade. Quando me viu, achou que teria sido um gesto do pai dela. E quando ela me abraçou, senti que ela ficou um tanto quanto emocionada. A gente fica satisfeito, pois parece que estamos acertando”, diz.

Como neste ano o professor vai se aposentar, os abraços podem acabar. Ele entrou em contato com professores de alguns cursos e está vendo para que alguém continue. Gestos como esse são sempre válidos e levam um pouco de alegria para a vida acadêmica. Quem sabe você possa fazer algo assim?

Fotografia: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes


Um Comentário


  1.  

    Realmente é algo muito legal que o professor faz! Infelizmente esse ano não puder ir ao primeiro dia, mas durante o primeiro curso que fiz, sempre ganhava abraços gratis…





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