Cálice e ouça

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Antes de atirarem pedras em mim, quero deixar claro que respeito qualquer gosto musical, independente de qual for. Mas, vou falar um pouco sobre “música boa”. Ok, estas aspas foram só pra alfinetar as pessoas que não gostam do mesmo estilo musical que eu.

Mas na realidade só vim aqui para atentar a algumas pessoas para ouvir artistas que sobreviveram ao tempo. Tenho como filosofia que se algo perdurou ao tempo, a épocas e mais diversas tendências é por que é algo bom. Isso se enquadra além da música, escritores, filmes, revistas e tudo mais.

B.B KingRecentemente fui ao show do B. B. King, conhecido como o Rei do Blues. O show dele não foi lá aquelas coisas, no quesito “ouvir o som que sai do instrumento dele”, ele mais interagiu com a platéia e deu risada, do que tocou guitarra. Mas, se levar em consideração que aquele senhor que estava na minha frente tem 87 anos, mais de 70 anos de carreira, tocou com os mais renomados instrumentistas e músicos do mundo… peraí, estou diante de um mito, de uma lenda viva da música mundial. Sendo assim, posso considerar que vi um dos melhores shows da minha vida. Mesmo ele repetindo uma música sem perceber.

Para fazer um paralelo vou pegar de exemplo o cantor sertanejo Luan Santana. Não acho que ele merece qualquer tipo de desprezo ou demérito. Mesmo não estando dentro do meu parâmetro de “música boa”, reconheço que ele está fazendo o trabalho dele, com muito êxito e tenho certeza que com muito esforço e suor. No nicho em que ele está, é um dos melhores. Sabe entreter, cativar e fazer música para seus fãs. É aquela tal história de ter gosto pra tudo. Se ele está no auge, é por que está sendo ouvido. Indiscutivelmente bom no que faz.

Você já experimentou ouvir “Velha Roupa Colorida” da Elis Regina, “Cálice” do Chico Buarque, música feita no exilio, “24 Horas de Amor”, do Matogrosso e Mathias, sertaneja “brava”, de uma dupla que tem mais de 35 anos de carreira, ou até mesmo, já que estamos falando do mestre do Blues, que tal “Ain’t Nobody Home” do B.B. King? Todos estes artistas com muita história, muita bagagem musical.

Os bons sempre sobrevivem, nem que seja em nossas memórias e em nossos auto-falantes. Onde estão Pepê e Neném, Felipe Dylon, Vinny, Os Virgulóides, Kelly Key? Todos tocaram muito nas rádios, mas sumiram. Não tiveram a expertise de se sustentar com mais músicas boas – se é que fizeram alguma música boa. Tiveram apenas sorte no lugar de talento.

Não estou falando para você deixar de ouvir qualquer que seja a música que esteja tocando em seu som agora, mas reserve um espacinho para quem fez história, quem sobreviveu ao pó. Dê um pouco de valor pra artistas que eram geniais na arte de fazer música, e não na arte de entreter, nos que não pensavam somente em ganhar dinheiro, mas os que faziam com a alma.

Algo que me deixa incomodado são músicas que tem como refrão por exemplo “é nóis fazer arapapá”. Qualquer música, no mínimo deveria transmitir uma informação correta. Parece que não, mas isso vicia. Daqui uns dias sua mãe olha pra você e fala: “é nóis fazer arroz pro almoço”. Aí não dá, né?!

Até a próxima e não vá se perder por aí.


Sobre o Autor

José Mário Dias
José Mário Dias


6 Comentários


  1.  

    Onde assina?
    Mandou bem José Mário Dias




  2.  

    Respeito o mestre B. B. King, mas minha praia é "The Beatles"… de qualquer forma gostei do texto. Abração.




  3.  

    Minha mulher as vezes diz que fui registrado uns 10 anos depois do nascimento…Isso porque sou dos poucos que reviram o baú para ouvir o que a história da música conta…apreciei demais o texto, e por falar nisso, dentre os nomes que você citou, Vinny…lembro dos relatos duma ocasião em que ela já tava em decadência e uma Casa de Shows de Guarapuava teria ele como atração e aguardava a bilheteria para completar alguns Reais que faltavam no acerto com ele, e ele deixou os "fãs" sem show recusando-se a subir no palco…coisas que Um Roupa Nova não faria…quem é artista, o é porque ama o que faz, faz de coração…artista, pode ser aquele da rua, que canta até sem instrumento, ou que toca e não canta…artista é aquele que consegue impregnar no coração do público a marca do que faz.
    Ótimo texto José Mario Dias! Tenho certeza que reverberou as vozes de muitos de nós. Parabéns!




  4.  

    Olá Zézão, sobre música X mercado, recomendo que você assista a esse documentario: https://www.youtube.com/watch?v=oFdEbC_RRNY abraço boas vibrações!





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