Traços de filosofia: a arte de Rafaella Ramos

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Toda bela obra nasce do fruto da inspiração do artista que tem o “poder” de converter em arte aquilo que sente. Assim acontece com Rafaella Casali Ramos, artista plástica que, desde a infância tem uma forte sensibilidade para contemplar a beleza extraordinária do mundo ao seu redor e, a partir dessa profunda admiração pelas coisas, desenvolver a capacidade de desenhá-las com facilidade.

Sua primeira tela foi pintada no início dos anos 90, quando ela usou sobras de tinta que ganhou de sua mãe que também é pintora. Ela conta que a tela foi inspirada num momento marcante que ela viveu em uma viagem, quando ela viu uma pequena menina em uma casa simples de madeira, segurando uma margarida. “A cena ficou na minha memória e era romântica. Me identifiquei com a menininha e resolvi fazer a pintura”, lembra.

Mais tarde quando entrou na faculdade, Escola de Música e Belas Artes do Paraná, descobriu muitos artistas que acabaram influenciando em seus trabalhos, como Gustav Klimt. Na pintura, os artistas Paul Gauguin, Henri Matisse, Van Gogh e Modigliani. Mas os grandes nomes que a inspiram J. M. W. Turner, Leonardo da Vinci, Rembrandt van Rijn, Gian Lorenzo Bernini, Jan Vermeer, Dante Gabriel Rossetti, Anthony van Dyck, Sandro Botticelli e as esculturas de Michelangelo. “Gosto de fazer estudos de desenho dos personagens de van Dyck e da Vinci, consideravelmente opostos do conceito artístico atual. Esse novo olhar da arte foi o que me fez decidir que não concluiria a faculdade, cujo trabalho de final de curso era contra minha busca ética e espiritual”, disse. Ela afirmou que, mesmo não concluindo o curso, pôde aproveitar as melhores aulas, os melhores professores por um bom tempo.

Ainda na Escola de Arte, ela leu o livro “A desumanização da arte”, de José Ortega y Gasset, filósofo espanhol. Foi então que ela se interessou por filosofia e cursou o seminário de filosofia Olavo de Carvalho, conhecendo a filosofia de Louis Lavelle e Roger Scruton (mais direcionado às questões estéticas), cujo filme “Why Beauty Matters” (Porque a Beleza Importa) é um porto seguro para sua sensibilidade, valores e arte, segundo ela: “a verdade, o bem e o belo me inspiram”.

Seus trabalhos preferidos são dois auto-retratos “caricatos sensíveis”, como Rafaella gosta de chamá-los, feitos durante seu período de gravidez em 2008. “Meu filho é outra grande inspiração e foi impressionante ter dois corações em meu corpo”, ressalta. Todos os seus trabalhos são originais, com base em fotografias, das inúmeras imagens que guarda na memória e na imaginação. No geral são personagens inacabados, com formas simplificadas. Para se inspirar e treinar o desenho ela, em algumas ocasiões, faz algumas reproduções de artistas de que ela gosta. Para ela “a arte é a representação do ideal de uma sociedade”.

Entre as técnicas que ela utiliza em suas obras estão a pintura com tinta a óleo sobre tela, tinta a óleo e nanquim sobre craft, tintas a base d’água sobre craft e colagens. Ela também é professora de desenho artístico e pintura no ateliê Semeire Vecchi. “Esse trabalho engrandece minha vida e sinto-me realizada quando o aluno se surpreende com seus desenhos e pinturas. As pessoas têm dificuldade para acreditar que podem desenhar. O que quero delas é que aprendam a ver”, concluiu.

 

Fotografia: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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