Abram alas para a dança contemporânea

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A dança contemporânea, que já teve a Verve como maior expoente em Campo Mourão, volta à cena cultural local, com aulas ministradas pela bailarina Isabela Schwab, na Academia Municipal de Ballet. Recém-egressa na cidade, depois de seis anos em Curitiba, ela vai enfrentar um novo desafio, trazendo para o interior a dança que tem como uma das suas bases principais a pesquisa do movimento voltada para a produção de conhecimento artístico.
Na bagagem de volta, a bailarina, formada pela FAP – Faculdade de Artes do Paraná, carrega trabalhos que produziu e apresentou ao público curitibano e também a Especialização de Estudos Contemporâneos em Dança, que concluiu recentemente na UFBA – Universidade Federal da Bahia, na cidade de Salvador. A instituição é referência nacional, por ser a única universidade do Brasil com especialização e mestrado com foco específico em dança.

“Vejo aberta uma oportunidade de compartilhar o que aprendi fora, em um lugar onde já circula muita informação sobre dança, aproveitando esse espaço para construir novos trabalhos voltados para esta linguagem”, justifica.

Isabela acredita que será possível, em breve, formar um grupo com o foco na produção e difusão da dança contemporânea na cidade. “Podemos começar com o que temos, com pessoas que estejam dispostas a experimentar esta forma, porque na dança contemporânea não precisa ter formação em ballet clássico ou em qualquer outra técnica específica de dança. É uma linguagem que abre possibilidades para que todo e qualquer tipo de corpo possa construir sua dança”, fala.

Ela explica que, para formatar uma obra, é necessário compreender o conteúdo, o tema, o conceito proposto para, a partir daí, investigar e criar movimentos e, assim, estruturar um trabalho. “A dança contemporânea dá a possibilidade de trazer o público para perto da obra e, muitas vezes, torná-lo parte ativa do trabalho. Ela permite uma proximidade entre o artista e o espectador. É tecer uma rede de relações e comunicações com o mundo, é explorá-lo em suas infinitas possibilidades, encontrando um sentido próprio para mover-se, construindo a seu modo uma forma de fazer/criar sua própria dança”.

Para Isabela o que diferencia esta das demais linguagens da dança são ações que já estão inseridas neste contexto contemporâneo de criar dança. Dentre elas estão a pesquisa e o questionamento. “Grande parte das obras carrega um questionamento, uma inquietude, uma problemática em seu trabalho, nem sempre com o intuito de resolver em cena esta questão. Às vezes a questão surge apenas para “cutucar” e fazer o espectador refletir. Uma obra precisa ter um ou vários porquês, não é só a beleza estética a única razão de ser daquilo que se vai dançar”, lembra.

Aprofundando um pouco mais a questão, Isabela justifica que, ao explorar o que cada indivíduo-bailarino tem para mostrar – em forma de movimento dançante através de sua investigação pessoal – surgem novos vocabulários de movimento, que vão contribuir para a trajetória do intérprete-criador. Segundo ela, a dança contemporânea exige uma investigação. Não é algo pronto, é preciso experimentar e explorar por horas, até que saia algo que faça sentido. “É preciso explorar possibilidades de movimento que saiam dos padrões normais, que gerem movimentos próprios que tenham significado. Embora aborde um formato aberto para criação nas obras, devemos atentar e afinar o olhar para que nem tudo seja ou se transforme em dança contemporânea”, fala Isabela.

“A oportunidade de estar em uma academia de arte cursando dança me trouxe a possibilidade de enxergar e, assim, poder elaborar mundos possíveis em dança como produção de conhecimento no mundo”, comenta.

Para a artista, esta nova fase da vida é como voltar às origens, para as bases, na Academia Municipal de Ballet. “Foi aqui que comecei a pensar na dança como profissão, o que queria dançar como dançaria e a importância de fazer uma faculdade de dança. Foi uma oportunidade maravilhosa, em que conheci bons profissionais. Tenho boas referências na Casa da Cultura e experiências que estão em minha memória, nos palcos locais, com a modalidade do ballet clássico e com a dança contemporânea. A Verve também foi uma referência importante na construção dessa minha história. Acompanhei os trabalhos de perto e tive a oportunidade de fazer algumas aulas junto da Companhia, na preparação para o vestibular. Isso foi de grande motivação e pulsão para seguir carreira nesta área. Está sendo muito bom voltar, e com projetos novos, que, com certeza, vão me realizar”, finaliza.

  • Por Regina Lopes
  • Fotos Fernando Nunes e acervo pessoal

Sobre o Autor

Regina Lopes
Regina Lopes

É jornalista há 27 anos, editora da Revista Metrópole e jornalista da Prefeitura de Campo Mourão.

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