A Solidariedade faz a diferença

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DSC_0948‘Ser voluntário é colocar o coração no querer, inteligência no prever, e dedicação no fazer’
O trabalho voluntário exige comprometimento, ética, responsabilidade, profissionalismo, e principalmente, motivação. Mais do que isso, a pessoa precisa de um impulso solidário, dedicar parte de seu tempo, espontaneamente e sem remuneração com um único objetivo: ajudar alguém.

Com a intenção de oferecer um trabalho humanizado, o Hospital Santa Casa de Campo Mourão fundou o Corpo de Voluntários do HSC. A ideia surgiu da advogada Márcia Linhares, esposa do presidente do hospital, Elmo Linhares. “Eu fui bolsista nos EUA quando eu tinha 18 anos e uma coisa que me chamou atenção lá é que as pessoas, em alguma fase da vida, prestavam serviço voluntário em alguma instituição, ou na escola em que o filho estudou, ou num hospital da cidade”, conta Márcia.
Há quatro anos Márcia sentiu que era o momento de desenvolver um projeto com voluntários na Santa Casa. A direção da entidadeVoluntária aprovou a iniciativa e uma equipe de funcionárias juntamente com a advogada visitou três hospitais de Curitiba que possuem grupos de voluntários.
No mês de fevereiro do ano passado tiveram início as atividades do Corpo de Voluntários. Hoje, Márcia é a coordenadora geral dos voluntários da Santa Casa. “Tem muitas pessoas que já se aposentaram ou que tem um tempo disponível, e que tem bastante conhecimento e que gostariam de empregar tudo isso. Então, as pessoas que vem à Santa Casa precisam de alguém que as acolham e a pessoa que faz o voluntariado tem uma sensação muito boa, até de preenchimento espiritual. É um trabalho apaixonante”, revela.

Ser voluntário
Voluntária  Uma vez por semana Neura Fiorin deixa seus afazeres domésticos e a família em Araruna para trabalhar como voluntária no hospital. “Aqui eu percebi um mundo bem diferente. As pessoas são muito carentes, tanto o paciente quanto a família do doente. Eles necessitam de uma palavra”, conta.
Entre as funções desempenhadas pelos voluntários, talvez, a mais valiosa e importante seja saber ouvir as histórias dos pacientes. “Eles contam pra gente o que vêm fazer aqui ou o que têm. Eles sentem a necessidade de conversar”, fala Neura.
A dona de casa Noeme Valentina Binda Zavatin, 62 anos, também mora em Araruna. Ela afirma que só falta aoVoluntária trabalho de voluntária em caso de urgência ou doença. “É muito gratificante você poder servir. Nessas andanças pelo hospital a gente vê que é feliz e não sabe”, revela.
Carismático, engraçado e sempre disposto a ajudar, o voluntário Sérgio Melnicki diz esquecer suas atividades profissionais quando está na entidade. “Você deixa de fazer para si mesmo e passa fazer para o próximo. Eu sempre disse, e continuo dizendo, que, no trabalho que você faz em doação a alguém, o primeiro e o maior beneficiado é você mesmo”.
Com um sorriso tímido, a cabelereira Maura Cristina Benedito atua há três semanas no projeto. Ela faz parte da segunda turma de voluntários. Para conseguir participar precisou remanejar o horário de trabalho e substituir o dia de folga para ir ao hospital. “Quando eu morei em São Paulo eu fazia trabalho voluntário em entidades. Para mim é um Voluntáriabem necessário. Você tem que chegar e conversar com a outra pessoa de forma natural para que ela possa se sentir importante. Para mim ela tem que sentir que está me ajudando, não eu a ela”, revela.

Você se depara com certas experiências. Quando passo por um problema percebo que o meu é insignificante perante o outro.

Sérgio Melnicki fala que ao conversar com os familiares de pacientes “você se depara com certas experiências. Quando passo por um problema percebo que o meu é insignificante perante o outro”.
O primeiro projeto do grupo é chamado de “Posso Ajudar”, onde os voluntários recebem os visitantes, conduzem os acompanhantes e pacientes pelas alas da instituição. Além dessas atividades, eles também ajudam em outras áreas, comoVoluntário na plastificação dos remédios da farmácia e na organização dos prontuários no arquivo do hospital.
Esta atuação constrói relacionamentos abertos, transparentes, apoiados na confiança mútua. “Teve um caso de uma família que não sabia nem o nome de Campo Mourão. Eles haviam se acidentado na região. O marido foi para um lado, aqui ficaram mãe e filho, e ficaram sozinhos. Conversávamos com essas pessoas para passarem o tempo e, assim, construímos uma relação de confiança. A experiência delas te faz engrandecer. A recompensa é algo indescritível”, revela Sérgio Melnicki.

Treinamento e capacitação
Paula Domenici é assistente social e a responsável pelos 20 voluntários que atuam em diferentes áreas na instituição. Ela explica que os voluntários não são funcionários. “Eles fazem atividades complementares para ajudar o funcionamento do setor, o andamento do hospital e das rotinas, para fluir melhor e otimizar o tempo. Até porque, por lei, é proibido fazer o trabalho dos colaboradores”, conta.
DSC_976811Os voluntários têm direitos e deveres regulamentados por lei. Por isso, antes de iniciar as atividades todos passam por um processo de seleção, treinamento e capacitação. “A pessoa vem por vontade própria, mas ela tem que seguir algumas regras. Têm horários, dias pré-definidos, carga horária. Tem toda a questão do comprometimento”, explica.DSC_97041
“Eu preciso motivar, acolher e verificar se eles não estão emocionalmente abalados. É um trabalho delicado, mas extremamente gratificante”, revela Paula.
As inscrições para ser um voluntário podem ser feitas pelo site da instituição www.santacasacm.org.br/voluntarios/sejaumvoluntario/.

Você deixa de fazer para si mesmo e passa fazer para o próximo. Eu sempre disse, e continuo dizendo, que, no trabalho que você faz em doação a alguém, o primeiro e o maior beneficiado é você mesmo.

Campanha
O Corpo de Voluntários irá iniciar no próximo ano uma Campanha para incentivar pessoas aposentadas a ingressar no projeto. “Nosso próximo passo é fazer um trabalho específico para as pessoas aposentadas ou que estão prestes a se aposentar, porque, às vezes, elas sabem que existe esse trabalho, mas não percebem o quanto podem contribuir,” explica Márcia Linhares.

Fotografia: Valmir de Lara

Sobre o Autor

Samara Reis
Samara Reis

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, estudante de Letras da Unespar/Fecilcam


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