A (mãe de) Primeira Viagem – Parte I

3

** Quero explicar que estou escrevendo esse post porque quero contar pra vocês sobre minha experiência viajando com criança. Pode ser que muitos já tirem de letra, mas outros podem precisar de uma dica ou outra. Eu sei que eu gostaria de ter tido alguém que me contasse certas coisas e me desse umas dicas, pra que eu não precisasse passar por muitas das situações que passei, e de surpresa! Então seja paciente, é uma longa história, mas cheia de informações úteis que podem servir até pra quem viaja sozinho! Dividi o assunto pra que a sua leitura não seja cansativa. Vamos lá! **

Que gosto de viajar vocês já sabem, deixei claro desde o primeiro post. No entanto, nunca mencionei o desafio que é viajar hoje em dia – pra mim, that is. Ainda assim, determinada que sou, não deixo muita coisa se meter entre os meus planos. Sim, sou planejadora. Organizada, meticulosa, pre-ve-ni-da! Seguro morreu de velho, não foi mesmo?

Tom e eu não perdemos uma oportunidade sequer de um final de semana fora da cidade, um show, um acampamento, um restaurante novo no litoral e por aí em diante. Me lembro de quando o salário não tinha responsabilidade, (e aqui, mais uma vez, você começa a se perguntar quantos anos eu tenho) e a gente saía pra se encontrar (eu de Moraga, ele de Ukiah) em Sausalito, ou Walnut Creek, pro fim de semana, porque Maroon 5 ia tocar no Hollywood Bowl e a gente tinha VIP tickets pra ir assistir.

Ir pro Brasil, então, piece-a-cake! Mochila nas costas, mala tamanho carry-on, check-in no quiosque eletrônico. Tomar cafezinho na ala de fumantes, deitar pra descansar no chão da sala de embarque, reembolso de US$ 400,00 pra esperar (num hotel de luxo!) até a noite seguinte pra embarcar por causa de overbooking. Era um Lexotan durante o vôo, Ramones no último volume do IPod, e as 14 horas de vôo até São Paulo passavam num piscar de olhos.
Daí eu fiquei grávida! Minha primeira “viagem pós-parto” foi pra Lakeport. Berlin tinha 5 dias. Fomos fazer compras e mostrar o Clear Lake pra pequena. Fez a viagem toda dormindo. E foi aí que comecei a torcer pra que fosse assim sempre. Um sossego viajar com essa garotinha. Comia e dormia – chorava, eventualmente – mas comia e dormia na maioria do dia.
Como Berlin foi uma fórmula-baby, sempre tive que carregar extras na diaper bag dela. Depois de testar muitas mamadeiras diferentes, encontramos a mamadeira milagrosa, como gosto de chamá-la: Dr. Brown. Recomendada e aprovada por mim e por Berlin. Nada de cólicas, bebê tranquilíssimo. Sabendo que viagens eram iminentes, fui lá e comprei várias. Ela tinha 15 Dr. Browns, no total. Podem me chamar de exagerada, mas logo vão entender porque foi necessário ter essa quantia de mamadeiras.
Berlin nasceu no final de Julho, e em Novembro, tirei uma segunda licença no Starbucks e resolvi visitar a família, levar a Berlin pra conhecê-los. Medo total, o Tom não podia ir comigo! Sou muito curiosa, pesquiso muito, então fui fazer homework e ter certeza de que teria todo o necessário pra minha primeira viagem sozinha com um bebê de colo. E digo, pesquisei e fiz tudo sozinha! Keep in mind que falo, na maior parte do tempo, em viagens de avião. No entanto, vou tentar mencionar os episódios de carro e ônibus com a minha pequena no decorrer dessa história.

Hoje, no entanto, vou abordar apenas dois ítens – importantíssimos: documentos de viagem e passagens de avião. Keep calm and carry on!


I) DOCUMENTOS:
Começando pelo passaporte; Estava com o formulário do passaporte americano da Berlin pronto antes mesmo dela nascer. Estava aguardando somente a data certa do nascimento para terminar de preencher. Acontece que ninguém me contou que os estabelecimentos fotográficos deste país simplesmente se recusam a tirar uma foto de rosto de um recém-nascido! Quando minha pequena tinha 2 meses foi que consegui, eu mesma, e depois de 82 tentativas, fazer uma foto decente pra que pudesse enviar com o formulário do passaporte! Pronta pra viajar? Nem pensar!

Depois do passaporte americano pronto, fui ao General Consulate of Brazil in San Francisco pra encomendar o passaporte brasileiro. Como Berlin também é cidadã brasileira, não é permitido que ela entre no Brasil com um visto de turista, (como o Tom faz), somente com o passaporte brasileiro. Para o tal, foi necessário que eu preenchesse um formulário de autorização de emissão de passaporte de menor. Assinado por mim e pelo Tom, assinatura reconhecida em cartório (do Tom) e tudo mais. Por sorte (ou precaução?) eu fiz várias cópias da tal foto, mais uma vez necessária.
Veja como foi nas primeiras viagens: Berlin é cidadã americana, e seu pai também. Ela entra e sai dos EUA sem problema – só comigo ou só com o Tom, ou com os dois. No entanto, o Brasil não permite que ela saia daí sem a autorização do pai que não está presente, sendo eu ou o Tom! Mesmo ele ou eu estando aqui, e mesmo ela tendo um passaporte americano, que comprova que ela é uma cidadã, voltando pra casa. Portanto, lá se foi mais um formulário pra assinar, reconhecer, pagar, anexar e tudo mais. Detalhe é que esse formulário era válido para uma viagem apenas! E ainda, carregar a certidão de nascimento dela, que mostra quem são os pais, porque o abençoado do passaporte não continha essa informação!

Como é agora: ao renovar o passaporte brasileiro da Berlin, a autorização de viagem foi impressa em uma das páginas, e válida enquanto o passaporte é válido. Filiação também foi adicionada. Podemos viajar com os passaportes somente, nada mais de “pastinha” cheia de papelada, foto, certidão de nascimento, autorização, carteira de vacinação (SIM, até isso!!) e blá blá blá!

Então, se sua viagem requer passagem por aeroporto, e você vai viajar pra fora do país sozinho com a criança, não esqueça do passaporte com o visto devido, de ter a autorização de viagem assinada pelo genitor que não estiver presente na viagem, e certidão de nascimento com você. A não ser, claro, que o passaporte do seu pequeno tenha sido emitido depois de Março/2012 e tais informações já estejam contidas no próprio.

II) PASSAGENS DE AVIÃO:
Crianças menores de 2 anos não pagam passagem para vôos domésticos, nem aqui, nem aí, desde que viajem no colo. Se a criança voar a ida com menos de 2 anos, mas na volta tiver 2 anos ou mais, precisa pagar por um assento no trecho em que estiver “mais velha”.

Crianças menores de 2 anos podem comprar assento. E podem usar assento vago (free of charge) depois que o avião decola. Carregue o bebê-conforto pra dentro da aeronave e aguarde até que todos embarquem pra verificar se sobrou assento. Sempre tem uma boa alma que aceita trocar com você pra que você e seu bebê sentem juntos (óbvio!). Se não houver assento sobrando, entregue seu bebê conforto pra atendente de bordo e ela coloca no porão, dessa maneira você pode pegá-lo de volta na porta do avião, quando desembarcar.

Crianças menores de 2 anos pagam o equivalente a 10% do valor da passagem do adulto acompanhante em vôos internacionais, desde que estejam no colo. Crianças em assentos, (entre 2 e 6 anos), pagam tarifa menor que a do adulto, se disponível. Se essa tarifa não estiver disponível, tente vôos ou trechos alternativos. Se tudo isso não funcionar, lá se vai uma criança pagando full fare!!

Cias aéreas não permitem que você compre a passagem do menor de 2 anos via internet, a não ser que a criança tenha assento pago. É necessário fazer a compra em pessoa ou via telefone (e lá se vai mais uma tarifa de compra), para comprovar a idade da criança e quem é o acompanhante de viagem.

Crianças com assento pago também acumulam pontuação! Não se esqueça de fazer cadastros (free) nas cias aéreas para ganhar milhas/pontos para seu bebê; Berlin já “bancou” várias das nossas viagens com milhas da United!

Guarde essas informações, copie, faça uma lista (se você tem tempo pra listas), pregue na geladeira, anote no telefone! Como eu disse anteriormente, adoraria ter tido alguém pra me contar de perto sobre viagens com crianças. Mas não tive. Então estou aqui pra ser essa pessoa pra você, leitor, e espero poder colaborar com alguma dica, por menor que seja (não que alguma seja menos importante que a outra).

O próximo post vai falar sobre assentos e roaming nos (e quais são os melhores) aeroportos, fique de olho nos updates. Prometo que será interessante. Se você já leu este, mas não viu utilidade, lamento. Brincadeirinha, fico feliz que tenha lido. Passe a informação adiante! E, no mais, comente, me escreva, pergunte. Farei o possível pra esclarecer outras dúvidas, até de coisas que não mencionei. Até lá, ladies and gentlemen, fasten your seatbelts, we’re about to take off!

Mila Salvadori, a 129 milhas do San Francisco International Airport (SFO).


Sobre o Autor

Mila Salvadori Solverson
Mila Salvadori Solverson

Mila Salvadori Solverson - publicitária e barista, aproveita as folgas para viajar, ler livros de terror e brincar de Lego com sua filha Berlin.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273