A arte no vinil: a incrível máquina de usinar

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Para quem gosta de música, arte, decoração e reciclagem, um bonito relógio de parede estilizado com a sua banda preferida ou um quadro com a imagem de um artista que você curte é uma boa pedida. Anderson desenvolveu uma máquina que faz isso e muito mais.

Anderson Rodrigo de Araújo Aguiar, 33 anos, era um desses meninos engenhosos que gostavam de montar e desmontar aparelhos e muitas vezes não conseguiam colocar tudo de volta no lugar.  Ele cresceu e, de uma criança curiosa, se tornou um inventor.

Tudo começou quando, um dia, navegando na internet, ele viu o projeto de uma máquina de usinar (processo mecânico que utiliza a retirada de material para dar forma ao objeto) feita de canos d’água de ferro, achou interessante e teve o desejo de desenvolver a sua própria máquina. “Comecei a pesquisar e tentei fazer uma bem simplesinha, com motor de limpador de pára-brisa, pra fazer cortes retos. Não ficou legal e abandonei por um tempo”, afirma.

Algum tempo depois ele desenvolveu o primeiro protótipo, que acabou sendo de madeira, também inspirado por um projeto visto na internet. Mas ele teve problemas com a precisão do corte e foi atrás de fazer uma de metal. Essa, ele apresentou no evento “Casa Aberta”, do Senai, quando, na época, ele fazia o curso técnico em eletrotécnica. Com o tempo, ele foi desenvolvendo outras versões até chegar a uma que fosse mais prática e de baixo custo, com todas as peças desenvolvidas no fundo de sua própria casa. “Não precisei muito de depender dos outros. Apenas algumas partes foram usinadas por outras pessoas, mas a maioria foi produzida aqui no fundo de quintal mesmo”, pondera. E é também no fundo da casa que fica o seu quarto/indústria, onde ele dorme e realiza os seus projetos.

Para chegar à versão que ele utiliza atualmente foram 4 versões: uma de madeira, uma de metal com madeira, outro só de metal e a atual, que ainda tem a base de madeira. E ele não pretende parar por aí. “Já está na hora de fazer uma nova. Já tenho várias coisas para melhorar. Além de outros projetos que pretendo fazer, como um torno CNC”, lembra.

Essa engenhosidade toda garantiu a ele um emprego na Cristófoli Biossegurança, pois foi a partir de uma de suas exposições no “Casa Aberta”, do Senai, que um dos gerentes de produção da empresa o conheceu.  O professor Rafael Itamar Aranha, que trabalhava na ferramentaria da Cristófoli, foi um dos que o incentivaram a apresentar o projeto, junto com o coordenador do curso, Márcio Vilas Boas. “No dia seguinte o professor Rafael me perguntou se eu conhecia a Cristófoli, então me chamou para ir lá conhecer e contou que levou o gerente para conhecer minha máquina no Senai e que ele gostou e decidiu me chamar para trabalhar lá”, diz.

Já são 4 anos desde a primeira tentativa de criar a máquina como um hobby, mas foi só recentemente que ele começou a usar a Fresadora CNC para garantir uma renda extra. E foi também da internet que veio a ideia de fazer os relógios de discos de vinil, que é a peça que ele mais tem feito. “No começo comprei uns discos bem riscados para fazer uns testes. Vi que ficou bom e comecei a comprar uns melhores, pensando em fazer peças para vender”, ressalta. As primeiras peças foram para amigos e pessoas próximas, que viam o trabalho e começaram a pedir. Até teve um fenômeno de vendas, que era um quadro no vinil, a arte era um casal, onde o cliente acrescentava o nome e alguma declaração de amor especial para o dia dos namorados.

Para produzir, ele usa os programas Artcan e Winkscape. O Artcan, além de fazer a arte, gera o percurso das ferramentas, define o tipo de material e o processo de usinagem que vai ser usado, para depois ir para outra máquina, no Mach3, que interpreta o desenho e transforma em código para fazer a leitura na máquina que trabalha com coordenadas x, y e z (comprimento, largura e profundidade respectivamente).

Os tipos de materiais com que a máquina é capaz de trabalhar variam. Ele garante que consegue usinar algumas coisas em alumínios e cobre, mas não dá para usinar metais de maiores durezas. “A máquina foi feita para materiais mais maleáveis, como acrílico, técnil, madeira, PVC e vinil”, destaca. A área útil da máquina é de 80×80 cm e ainda tem a possibilidade de realizar trabalhos na vertical com peças cilíndricas, com um 4º eixo que ele acrescentou junto à maquina, onde também confecciona abajures personalizados em cano de PVC.

Segundo Anderson, cada disco demora em torno de 30 minutos para usinar, mais um bom tempo no acabamento, dependendo da quantidade de detalhes. Isso, se a arte estiver pronta. O preço varia de 25 a 40 reais, dependendo da quantidade de detalhes.

Como ele atualmente está concluindo o curso de técnico em eletromecânica (que ele começou a cursar, depois de trancar o curso de eletrotécnica) e trabalha, não tem muito tempo para dedicar a esse projeto, se dedicando à fabricação de peças, apenas nos fins de semana. No perfil dele no Facebook (https://www.facebook.com/anderson.rodrigo.9659) você consegue ver vários de seus trabalhos, ou pode entrar em contato pelo e-mail: aguiacnc@hotmail.com e saber mais sobre esse projeto.

Fotografia: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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