A arte de conviver fazendo arte: Semeire Vecchi

Na Rua Araruna, em um antigo salão comercial, em espaço cheio de cores e está o Ateliê de Semeire Vecchi, artista plástica que produz a partir de materiais como a argila e o vidro fundido e cria mosaicos. O mesmo local abriga uma micro galeria, onde estão expostas produções de artistas como Juliana Martini, Fernando Nunes e outros.

Semeire também dá aulas e abre espaço para outros artistas ensinarem no local. Autodidata, diz que se tornou artista muito tarde e corre contra o tempo para aprimorar, transformar, expressar seus sentidos interiores. “Comecei com restauração de móveis, reciclagem e os mosaicos. Fazia experiências. Foi um processo lento, uma viagem solitária para buscar um estilo e técnicas próprias. Muita coisa inventei e aperfeiçoei nesta busca”, fala.

Sobre as técnicas que utiliza, a artista explica que cada uma tem particularidades próprias que a atraem.  “O vidro não se consegue domar, tem o desafio de queimar num forno próprio e esperar cada peça tomar forma: é como a revelação de uma fotografia. A argila tem a moldagem, a questão de transformar o barro, ver virar uma expressão da gente. Com o mosaico tem o colar os cacos, quebrar as pastilha e transformar isso em uma obra única. E quanto maior a peça e o número de cacos mais prazeroso se torna”.

A artista explica que sua arte não é muito fechada e não se preocupa em expressar conceitos, mas em imprimir uma expressão. “Em tudo tem um fio, uma identidade minha, mas procuro fazer com que as pessoas apreciem e possam gostar e decorar espaços”.

Para quem é de família italiana e tem uma personalidade muito expansiva, Semeire aprendeu, como artista plástica, a expressar a delicadeza, através dos traços e das peças. “Normalmente não tenho nada de delicada, mas consigo reproduzir isso nos trabalhos. Isso me surpreende. Às vezes penso que são duas Semeires”, diz.

Ela diz que há quatro anos assumiu um compromisso com a arte e é uma artista desprendida, que vive como pode, com obras que comercializa e as encomendas que recebe. “Quero fazer da arte meu melhor. Demorei-me para descobrir nisso, principalmente nos acabamentos. Não tenho grandes pretensões, como participar de exposições, já fico feliz quando alguém de fora vem comprar algo que produzi”.

Encarando os desafios de ensinar e produzir arte ao mesmo tempo, ela destaca que, com a primeira missão, cria expectativas que a pessoa, como artista, se oriente, busque o seu melhor. Já a criação, a arte por si só é prazerosa. “Por outro lado, tem a responsabilidade de fazer com que o aluno desvincule a minha imagem de professora da imagem da artista, ele precisa descobrir que estar aqui tem a ver com quem ele quer ser. Ele não vem aprender, vem caminhar, buscar um caminho para expor seu interior através de seu talento”.

“Vejo pessoas que são artistas já no primeiro trabalho, outros desabrocham ao longo dos meses, isso é muito legal. Cada um é único e acrescenta para a gente, é uma escola, e a grande arte da vida é conviver. E conviver lidando com a arte é muito interessante, minha vida vai ficando aqui dentro do espaço, e não sinto falta de nada porque isto alimenta a alma, reabastece as energias”, explica.

Sobre o Ateliê, ela diz que um dos principais objetivos, ao montar o espaço, foi abrir para outros artistas mostrarem seus trabalhos, para deixar um pouco de cada um no local, vendendo ou entrando em contato com outros artistas. “Não dá para ser egoísta quando se lida com gente, todos crescem quando dividem as experiências. Aqui cada um traz a sua, tem sempre uma conversa legal e, para os alunos, também é boa essa convivência, passam a ter referências diferentes”, finaliza.


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