Você sabe a diferença de moda e figurino?

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Moda e figurino são duas áreas diferentes, ora se relacionam, ora não. A moda sempre foi o reflexo das ações da humanidade e o cinema-teatro-novelas, a grande vitrine disso tudo. Muitos estilistas usam o trabalho de figurinistas como referência e fonte de inspiração; um exemplo atual é o figurino do comentado longa metragem “Cisne Negro”. No último Fashion Rio, grifes como Maria Bonita Extra e New Order se inspiraram no tema do filme: balé. Mas figurinistas também ficam de olho nos estilistas. No filme “Bonequinha de Luxo” – tema do editorial de moda da primeira edição de METRÓPOLE – o estilista e figurinista francês Hubert Givernchv introduziu o seu pretinho básico no guarda-roupa da personagem da atriz Audrey Hepburn; o sucesso foi tanto que, 50 anos depois, graças ao filme, o vestido preto ainda é sinônimo de elegância.

A moda dita estações e exerce forte influência na maneira como as pessoas se vestem; além disso, tem um padrão básico de corpo: modelos magras. Mas o figurino vai muito mais além do que roupas e acessórios. O figurino é um traje “mágico”, que possibilita que um ator seja outra pessoa por um período de tempo. Seguindo um orçamento pré-estabelecido, ele é criado com base em múltiplos aspectos, tais como roteiro, estado da alma, personalidade do personagem, local da cena, iluminação do ambiente e período histórico da trama. Pensavam que era fácil? O figurino é tão importante que é sentido pelo próprio artista que, só de usar uma determinada peça, sente-se “dentro” de sua função.

Figurino não é apenas roupa, é um conjunto de sinais, em que o traje ocupa um plano importante num espetáculo. Figurino é composto de tudo que possa transformar harmonicamente a imagem do ator, como o cabelo, maquiagem, acessórios… E cada detalhe tem um significado simbólico. A relação com quem usará determinado figurino deve ser elevada, pois o figurino precisa nascer tanto para o figurinista quanto para o artista, sendo de grande apreço este ser humano, que engorda e emagrece, que não se sente bem com a roupa; daí a necessidade de, antes de desenhar, conhecer o corpo do artista. Deste modo, o figurino deve ser um dos laços entre o público, a representação e a realidade, mesmo que seja a mais abstrata e imaginária ligação. O amplo conhecimento cultural e de moda de um figurinista, auxilia-o na busca de informações sobre materiais, tendências, história da indumentária, sociedade, ou seja, tudo o que possa complementar a criatividade.

Pensando em toda a história da dramaturgia, nem dá para acreditar que o figurino, tão importante em uma trama, é uma descoberta tão recente, datada no século XIX, na Europa.

Nessa época, os personagens deveriam se vestir refletindo a sociedade, visando à comunicação com o público. No Brasil recente, a maioria dos figurinistas é autodidata e sem uma formação específica.

Mas quando existe a intersecção da moda com o figurino? Somente em narrativas atuais e contemporâneas e quando necessitam do mercado da moda vigente e dos corpos ideais nos quais foram inspirados. Nesse sentido, a moda faz o figurino e o figurino vende a moda.


Sobre o Autor

Joseane Larissa
Joseane Larissa

Bacharel em Moda - UEM. Produtora e Designer de Moda.

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