Moda: Uma engrenagem que não pára

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Certo dia, estava com uma colega indo a uma loja de vestuário e ela me fez um comentário: “Você sabe as tendências! Você não estudava isso na faculdade?”. Essas perguntas me deixaram um pouco chateada e me fizeram pensar sobre o que as pessoas imaginam a respeito do mercado da moda e sobre os profissionais que fazem parte desse mercado. Percebi a grande falta de conhecimento a respeito do nosso trabalho. O corpo é o que existe de mais belo e, como já dizia Helen Rödel – estilista gaúcha, destaque na moda nacional, devido à utilização de técnicas manuais em seus tricôs – o nosso elogio a ele é vesti-lo. Na antiguidade, o vestuário tinha por objetivo a proteção contra o clima, o pudor e a diferenciação de sexos e classes sociais. O primeiro conceito de moda que se aproxima do que conhecemos hoje nasceu no final da Idade Média e início do Renascimento, quando surgiu uma nova classe social, a burguesia. Havia interesse em se igualar aos nobres da corte e, para esse fim, copiavam os seus trajes. Os nobres, por consequência, inventavam algo novo para se diferenciarem.

E assim começou o ciclo de criação e cópia que predomina no nosso mercado até os dias atuais. Pois o ser humano tem a característica da valorização da individualidade e, a partir do momento em que nos igualamos aos outros, necessitamos de algum elemento que seja um diferencial. E é por isso que a moda sempre está se reinventando a cada estação, para atender esses desejos dos consumidores.

Respondendo à pergunta da minha colega: Nós não frequentamos a faculdade para estudar tendências, aliás, moda vai muito além de simples tendência, glamour e futilidade. Moda é uma indústria e é tão complexa que necessitamos dominar a criatividade, gestão, administração, cultura, história e marketing. Para fascinar e despertar desejos nos consumidores são bem vindos os conhecimentos envolvendo a psicologia e a sociologia.  Além de fazer repercussão de cultura e comportamento, moda também é fonte de emprego e renda e, consequentemente, de consumo. Isso significa imposto para o governo, melhorias para municípios e bem estar para a sociedade.

Quando compramos, por exemplo, uma calça jeans, movimentamos a economia, atingindo um grande número de pessoas, desde os trabalhadores rurais que nos fornecem o algodão, os metalúrgicos que produzem os maquinários têxteis, de costuras e afins, estilistas, operários nas indústrias, até a faxineira que trabalha na loja onde foi vendido o produto. Portanto, aquelas tendências apresentadas na última edição do São Paulo Fashion Week, que serão usadas no próximo verão, foram frutos de um árduo trabalho envolvendo pesquisas, análises de informações de diferentes áreas, como economia, política, sociologia, ciência e tecnologia. É uma tarefa que não para: já estamos em fase de criação e desenvolvimento dos produtos para o inverno 2012, e assim dando continuidade a esse ritmo alucinante, fornecendo emprego para as pessoas e não deixando faltar produtos nas lojas para atender as demandas do consumidor.

A moda é fruto de um trabalho tão intenso e envolvente que se torna, pelo menos aos meus olhos, bela e desafiadora.


Sobre o Autor

Joseane Larissa
Joseane Larissa

Bacharel em Moda - UEM. Produtora e Designer de Moda.

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