Um lugar para os anjos

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“Os anjos são os responsáveis pela tranquilidade, equilíbrio e harmonia do lar”

CladisOs objetos de decoração, como tapete, penduricalhos de passarinhos, vasos no hall de entrada e na porta do apartamento chamam atenção, mas eles são apenas uma pequena mostra de uma infinidade de “coisas” que decoram a residência de Cladis Helena Freitag. Mas algumas destas peças têm papel especial, são anjos de diversas cores e formatos que disseminam uma energia especial pelo ambiente.
Apaixonada pela arte, pela música clássica e protetora dos animais, Cladis Helena também pinta e coleciona objetos antigos que se espalham pela casa, além de um trio responsável por animar o ambiente: três cadelas shitshu, uma delas adotada após sofrer maus tratos do antigo dono.

    Anjos
Cladis Helena garante que apesar de ter muitas peças de decoração, são os anjos os responsáveis pela tranquilidade, equilíbrio e harmonia em sua residência. Eles são de diferentes cores, tamanhos, formas, rústicos e modernos. Segundo ela, eles são dispostos no ambiente sem a intenção de serem notados pelos visitantes, entretanto, ao andar é possível sentir uma sensação de paz. “Todo mundo que entra aqui não vê os anjos, mas as pessoas comentam que o clima da casa é acolhedor”, explica Cladis.
Quando menos se percebe, lá está ele, um pequeno anjo no teto do quarto, na mesa da sala, sobe o armário, na pia do banheiro, num suporte no guarda roupa, na parede próxima a um quadro, sobe o criado mudo… “O único anjo que eu ganhei foi da minha amiga Jussara Sartori, que comprou e não conseguiu colocar em nenhum lugar da casa, após virar a casa inteira, ela disse: Cladis esse anjo azul é pra ser seu. Eu pensei e coloquei naquele lugar [no armário] e até hoje ficou”, conta. Ela acredita que os anjos escolhem o local em que querem ficar na casa.
Cladis Helena justifica que tem poucos anjos, mas ao andar pela casa para mostrá-los redescobria alguns que ela mesma já havia esquecido ter colocado em alguns cômodos do apartamento. “Foi acontecendo de uma forma muito natural, não é que eu sou fanática por anjos. Eu sinto que minha casa tem uma energia muito boa, quando eu saio daqui vejo as pessoas estressadas, e na minha casa a sensação é de harmonia”, conta ela.

Todo mundo que entra aqui não vê os anjos, mas as pessoas comentam que o clima da casa é acolhedor.

Na verdade, o que impressiona são os detalhes de cada peça, como um anjo robusto, com a cabeça entre as pernas, de asas curtas e escuras feito de cerâmica, adquirido em uma das viagens à Fortaleza.
“Eu nunca pensei: ´vou fazer uma coleção de anjos´. Eles foram aparecendo aos poucos na minha vida. […] Eu cheguei a comprar um livro sobre o assunto, mas é bem complicado entender as escalas dos anjos. Acredito que eles não são ostensivos, nem aparecidos. Não estão escondidos, mas as pessoas nem os percebem aqui. São figuras doces, de paz. Não sei explicar, mas é algo que me faz bem”, revela Cladis.
Cladis não é católica, mas afirma que respeita todas as religiões. Além dos anjos, os budas também são peças decorativas. Ela também guarda com carinho o jogo de louça inglesa de seu batizado, e ainda, um baú com fundo falso, onde foi encontrado um punhal que pertencia a seu avô. Do lado deste móvel, uma penteadeira que está há mais de cinco gerações na família de Cladis, todos colocados em uma das salas da casa. “As pessoas falam que eu tenho muita coisa em casa, só que tem objetos da época que eu me casei, mas nada está quebrado, tudo é bem cuidado”, conta.

    As histórias das coisas
Mas o que impressiona os amigos e familiares é a decoração do apartamento. A riqueza de detalhes de cada objeto faz com que os visitantes precisem de tempo para observar e conhecer as histórias das peças, adquiridas durante os passeios pela cidade ou nas suas viagens pelo país.
Além de gostar de comprar diferentes utensílios para decorar a casa, Cladis também tem mais um hobby: pintar telas. São dezenas de quadros expostos nas paredes, todos sem exceção, tiveram a moldura escolhida cuidadosamente por ela. “Falta lugar para colocar todas minhas telas e objetos, eu acabo deixando algumas escondidinhas. Por isso, estou parando de comprar, mas é difícil resistir à tentação quando vejo algo diferente”, explica ela, ao mostrar uma das telas colocadas embaixo da pia no toalete da sala.
O ‘esconderijo’ faz com que o quadro passe despercebido aos olhares dos visitantes. A tela retrata os judeus andando pelas ruas de um gueto em São Paulo e a inspiração veio de uma notícia de jornal que falava sobre o assunto. Traços fortes, com profundidade, tons escuros, faces tristes, são algumas das características marcantes desta obra da artista. Assim como essa, outras dezenas também têm histórias instigantes.

Fotografia: Fernando Nunes

Sobre o Autor

Samara Reis
Samara Reis

Jornalista, especialista em Comunicação Empresarial, estudante de Letras da Unespar/Fecilcam


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