The Colour And The Shape – a história por trás do 2º disco do Foo Fighters

3

O Foo Fighters, banda norte-americana de rock alternativo, comemora no próximo dia 20, 16 anos do lançamento do seu segundo disco, “The Colour And The Shape”. Metrópole traz para você um pouco da história por trás das gravações.

O disco gravado e produzido entre os meses de novembro de 1996 e fevereiro de 1997, marcou a gravação do primeiro disco do Foo Fighters como banda. A formação que entrou para as sessões foi a mesma da turnê de divulgação do primeiro disco: Dave Grohl (guitarra e vocais), Pat Smear (guitarra), Nate Mendel (baixo) e Wiliam Goldsmith (bateria). A “bolacha” foi produzida por Gil Norton, que até então era muito conhecido pela produção de alguns discos do The Pixies e foi indicado para dar um ar “pop” às composições de Grohl e companhia. As exigências de Norton fizeram com que a banda executasse a exaustão cada uma das faixas, o que melhorou muito o desempenho do baixista Nate.

Dave e Taylor na tour de The Colour And The Shape

As letras foram inspiradas no divórcio de Grohl com a fotógrafa Jennifer Youngblood, com o conteúdo do álbum mais introspectivo. O tracklist do disco foi criado de modo a simular uma sessão de terapia, dividindo o álbum entre as faixas mais animadas e as baladas, reforçando ainda mais o conflito das emoções contidas nas letras.

Depois da pré-produção do disco, a banda foi para o estúdio Bear Creek, em Washington, onde foram feitas as primeiras gravações no outono de 1996. A banda vivia numa cabana com um estúdio em anexo, onde ocorriam as gravações. Depois das gravações, a banda deu um tempo.

Foo Fighters com Wiliam Goldsmith e Pat Smear

Como Dave não gostou do resultado obtido em Washington, ele reuniu novamente a banda no ínicio de 1997 para regravar aos poucos o disco inteiro, no Recordings Grandmaster de Hollywood, Los Angeles. Dessa vez, Dave assumiu a bateria das gravações do disco, dispensando a presença de Goldsmith, o que causou um descontentamento por parte do baterista. Grohl chegou a convidá-lo a continuar na banda tocando nas turnês, mas ele não aceitou e decidiu deixar a banda.

Com a mudança da banda para Los Angeles, o orçamento e o prazo estouraram, causando mais um problema para a banda, com a pressão da gravadora para que o disco saísse logo. A banda ignorou a pressão e se concentrou em terminar o disco quando achassem que estava pronto.

O título do disco veio do gerente de turnê da banda na época que passava as tardes vasculhando em lojas de antiquarias recordações e objetos estranhos. Em uma ocasião ele comprou um pino de boliche com listras vermelhas e brancas, dizendo a banda que ele gostava bastante da “cor e forma” (The Colour And The Shape) do objeto. A banda chegou a pensar um divã de terapeuta na capa do álbum, como um reflexo da tracklist.

 

Lançamento e promoção

A banda com guitarrista Franz Stahl

O disco foi lançado no dia 20 de maio de 1997, um mês depois do single “Monkey Wrench”, ter estourado nas rádios de todo o mundo. Para a excursão do disco, a banda contratou o baterista da cantora Alanis Morissette, Taylor Hawkins. Ainda durante a turnê, o guitarrista Pat Smear deixou a banda, dando lugar para Franz Stahl, antigo colega de Grohl na banda Scream.

O disco teve uma resposta positiva por todo o mundo, tanto da crítica, quanto de público, esgotando-se rapidamente das prateleiras das lojas, chegando a vender dois milhões de cópias só nos Estados Unidos. Conquistou disco de platina na Austrália, Estados Unidos e Canadá e disco de ouro no Reino Unido, além de outras premiações em outros países e de revistas especializadas.

No ano de 2007, em comemoração ao 10º aniversário de lançamento do disco, foi relançado, em 10 de julho, uma versão do álbum estendida, com 6 B-sides registrados durante a gravação: “Requiem” (cover do Killing Joke), “Drive Me Wild” (cover do Vanity 6), “Down in the Park” (cover de Gary Numan), “Baker Street” (cover de Gerry Rafferty), “Dear Lover” e” The Colour and the Shape”.

 

The Colour And The Shape, faixa a faixa

O disco The Colour And The Shape

Doll: Grohl afirmou que é “uma música sobre estar com medo de entrar em algo que você não está preparado para enfrentar”.

Monkey Wrench: Grohl afirmou que era “uma canção sobre perceber que você é a fonte de todos os problemas em um relacionamento e você ama a outra pessoa tanto que quer libertá-la do problema, que é você mesmo. Foi um riff, que se transformou em um outro riff, que se transformou em um outro riff e acabou se tornando uma boa canção de punk rock”. A canção foi lançada como o primeiro single do o álbum em 1997.

Hey, Johnny Park!: a letra da música fala de diversos temas diferentes. A razão da escolha do título se deve a um vizinho de Grohl da juventude, chamá-lo de Johnny Park e eles se consideravam irmãos. E ao se lembrar disso, teve como ideia usar como título de alguma canção.

My Poor Brain: segundo Grohl, “essa música é uma experiência com a dinâmica, com a letra e com o som da música. As vozes variam de sonhadoras para gritantes. De Jackson Five a Black Sabbath”. Essa música foi tocada pela primeira vez ao vivo em 1996 com o nome de “Chicken Derby”.

Wind Up: segundo Grohl, a música é sobre notícias de jornal. Ele estava lendo sobre pessoas que só reclamavam e não se sentiam felizes com o que têm.

Up in Arms: “é uma típica canção de amor”, definiu Dave. “Eu escrevi essa música para ser uma canção de pegação adolescente. Amo a imagem de dois adolescentes fazendo amor na praia ouvindo essa música”. Dave mudou a última linha da música em homenagem ao produtor Gil Norton, de “always coming back I cannot forget you girl” para “always coming back I cannot forget you Gil”.

My Hero: ao contrário do que muitos pensam, essa música não é uma homenagem a Kurt Cobain. “Quando eu era jovem, eu não tinha grandes heróis do rock, eu não queria crescer e ser um grande herói esportivo. Meus heróis eram pessoas comuns e que eu tenho um grande respeito, são apenas pessoas sólidos do cotidiano – pessoas em que nós podemos confiar“. Esse foi o terceiro single do álbum.

See You: “Apenas uma outra canção pop. Era uma canção que ninguém queria colocar no registro, mas é a minha música favorita. Acho que a única razão que a fez ficar no álbum era que eu refiz a faixa de bateria para fazê-lo soar como ‘Crazy Little Thing Called Love’ do Queen”, afirmou Dave.

Enough Space: A música é sobre um filme chamado Arizona Dream, um dos filmes favoritos de Dave. Também foi feita para abrir os shows, imitando os pulos e saltos que as multidões europeias realizam no início das apresentações.

February Stars: as letras falam sobre “estar pendurado pelas pontas dos dedos e esperando que você não escorregue e caia”. A canção remonta a janeiro de 1994, nas sessões de gravação de “In Utero” do Nirvana, com o nome de “Dave/Acoustic + Voc” quando Dave cantou com Krist Novoselic no harmonium, mas não foi lançada.

Everlong: a música que é considerada uma das melhores da banda, foi escrita quando o grupo tirou 2 semanas de pausa das gravações e em casa, na Virgínia, Dave escreveu esta canção que é considerada a favorita de muitas pessoas, além de ter um clipe super engraçado, com a banda encarnando personagens divertidos.

Walking After You: essa música foi escrita e gravada por Grohl em um estúdio em Washington, que é a versão que ficou no álbum. Posteriormente a banda regravou a música com todos os membros para a trilha sonora do filme da série Arquivo X. Grohl afirmou: “é um, canção sentimental emocional sobre ser dispensado por alguém”.

New Way Home: “A música é sobre encontrar o seu caminho através de todas essas canções, emoções e dificuldades e altos e baixos, mas no final do dia, você percebe que você não está mais com medo de fazer isso”, afirmou Grohl.

 

Foo Fighters em maio de 97, já com Taylor Hawkins

Este é sem dúvida um dos melhores discos dos anos 90, marcando o nome do Foo Fighters como um dos grandes nomes dessa geração. Depois do lançamento desse álbum, a banda lançou mais 5 discos, fez turnês por todo mundo, vindo inclusive ao Brasil por 2 vezes. E continua até hoje, entre as bandas de destaque no cenário do roque mundial, com milhões de fãs ao redor do mundo que sempre aguardam ansiosamente o próximo lançamento dos “Foos”.

Ouça as músicas aqui:


Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273