Papai Noel levado a sério

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Eliane, Tang e Silvio, a família NoelEle tem barba de verdade, barriga de verdade e passa uma boa parte do ano se preparando, para encarnar o bom velhinho. Conheça a história de Natal de Silvio e sua esposa Eliane, que voluntariamente levam um pouco de carinho a famílias, instituições e empresas.

Silvio Vilczak sempre quis ter barba grande, mas a esposa Eliane não deixava e a primeira vez que ele apareceu com a barba de 4 meses por fazer, deu um susto nela. Eles ficaram esse tempo sem se ver por viagens a trabalho que ambos fizeram. Em choque, na mesma hora, ela o levou até um salão para limpar a cara. Depois disso, ele continuou insistindo, até que um dia, cedendo aos pedidos de Silvio, Eliane resolveu fazer uma proposta. “Ela me disse que eu poderia deixar a barba, mas teria que fazer uma coisa em troca. ‘Quero que você faça Papai Noel’. Então, no ano passado resolvi fazer. Investimos em roupas e acessórios e deu certo”, afirma Silvio.

A princípio as pessoas viam e não entendiam o porquê de ele estar tão barbudo. “Muitas pessoas diziam para a Eliane: ‘Você tem que dar um jeito nesse seu marido, com essa barbona’, era motivo para a gente rir muito”, se diverte. No começo algumas alunas da Academia Municipal de Ballet que viam Silvio na Casa da Cultura se assustavam, mas agora, segundo ele, já o chamam de Papai Noel, o ano todo.

A surpresa aconteceu no Natal do ano passado, quando todo mundo descobriu o porquê de seu visual “nórdico”. “Muitas pessoas ainda falam que tenho que dar um banho de loja nele, que ele está muito feio e perguntam como eu aguento, se não é ruim para nos beijarmos, coisas assim. As pessoas se preocupam muito com a aparência física”, pondera Eliane.

 

Os preparativos

A transformação em Papai Noel começa muito tempo antes do Natal. Na primeira vez que ele deixou a barba crescer, começou um ano e um mês antes. Nesta, que é a segunda vez, ele deixou por cerca de 10 meses. E para o próximo, o tempo vai ser ainda mais curto. “A gente descobriu que com 6 meses a barba já está com um tamanho bom. Então, em 2014, a produção começa em junho”, afirmou Eliane.

Durante o processo de crescimento da barba, são necessários alguns cuidados, mas Silvio cuida muito bem da higienização. “Sempre que tomo banho, lavo bem a barba, principalmente depois das refeições e uso xampu anticaspa e um bom creme hidratante. Quero uma barba bem macia e cheirosa”, disse Silvio.

Barba e cabelo precisam ser descoloridos, para ficar mais claros. Esse processo leva cerca de 4 horas em um salão de beleza. Com tudo “branquinho”, é preciso um bom tempo para se vestir como o bom velhinho, cerca de 1 hora de preparativos. “Vou pra casa, escovo bem os dentes, tomo banho, lavo bem a barba e o cabelo. Uso um perfume que tem cheiro de doce”, ressalta Silvio. Ele lembra que queria ter um perfume agradável para quando as pessoas se aproximassem dele, o abraçassem, fosse algo agradável. E deu certo. “Onde eu chego, as pessoas falam: que Papai Noel cheiroso! Inclusive uma criança já chegou a dizer que eu tenho cheiro de doce. E criança não mente, hein!!! (risos)”, se diverte.

Com tudo pronto para “trabalhar”, ainda falta um detalhe importante: o saco do Papai Noel, com balas e doces. “Papai Noel nunca pode andar desprevenido, né? Nunca se sabe quando uma criança vai aparecer. E sempre tem crianças na rua, gritando pelo Papai Noel e pedindo balas”, afirma.

Ao andar pelas ruas, as pessoas querem ver o Papai Noel, falar com ele, tocá-lo, sentir se sua barba é de verdade, ou até tirar uma foto, o que o casal faz com todo o carinho. “A Eliane que é minha fotógrafa, tira fotos minhas com muita gente. Depois, quando me encontro com alguém que me pede a foto, a gente manda e faz a alegria das ‘crianças’ de todas as idades, que acreditam na magia do Natal, tenham elas 1 ou 90 anos.”, lembrou Silvio.

Ele leva o trabalho tão a sério, que durante o tempo em que encarna o Papai Noel, ele evita beber bebidas alcoólicas em público. “O Papai Noel é o bom velhinho e muitas crianças têm o resultado do que é a bebida dentro de casa. Então não é uma boa referência”, garante Eliane.

Corrente do bem

Durante o período de Natal, eles visitam instituições de caridade, casas de famílias, ou até mesmo empresas. Mas, diferente dos profissionais que ganham com isso, Silvio deixa claro que não cobra e não pensa em ter retorno financeiro com esta ação. Ele trabalha na Fundação Cultural, que nessa época do ano tem muitas atividades, então só pode realizar esses trabalhos nos dias de folga. “Nos lugares que conseguimos nos organizar para ir, fazemos uma troca. As pessoas não nos pagam em dinheiro. Como visitamos algumas outras entidades, como a Santa Casa, o Lar dos Velhinhos e outras crianças necessitadas que conhecemos, pedimos uma contribuição e nos dão os presentes, balas e doces para essas visitas”, ponderou. Por exemplo, no ano passado ele fez a visita de Papai Noel na Tyson e a empresa deu todos os panetones que ele levou para o Lar dos Velhinhos. “Não queremos explorar ninguém, mas também não queremos ser explorados”, ressaltam.

No ano passado, na abertura das festividades de Natal do município, Silvio foi o Papai Noel oficial. Dentre as mais de 5.000 pessoas, apenas uma carta, uma única carta com um pedido especial: material escolar para um menino que não podia comprar. O Papai Noel visitou a casa de uma família que se dispôs a comprar o material escolar que o menino havia pedido. “Antes de comprar o material, conversei com uma vizinha do menino, que confirmou a falta de condições da família e ainda contribuiu financeiramente para a compra do presente”, lembrou emocionada Eliane.

O casal diz que muitas pessoas podem participar com eles por meio desses atos. “No ano passado, revelamos todas as fotos do pessoal da Santa Casa, e íamos custear tudo, mas quando fomos buscar, o dono da empresa (o Alisson de Souza, do Foto Vision), disse que não iria cobrar nada. É uma corrente, onde cada um dá um pouquinho de si, como a Michelly Fushiki, do Salão da Paulina, que preparou o cabelo e a barba do Papai Noel, escondendo seus 41 anos e transformando-o neste velhinho tão fofo”, ressaltou Eliane.

Para Eliane, o fato de poderem levar um pouco de alegria às pessoas que mais precisam, é a grande recompensa e faz com que tudo valha a pena. “Por exemplo, na Santa Casa, em especial no centro de oncologia, onde parece que a esperança se esvai e quando nos aproximamos, as pessoas parecem ter a vida de volta, a energia se renova. Elas tentam se arrumar para a foto, alisando com as mãos frágeis o pouco de cabelo que lhes restam, ficam até mais coradas, a alegria é palpável.” afirma Eliane.

Para o casal isso tudo é um ato de amor e carinho para o próximo, seja ele uma criança, um idoso, ou uma pessoa com necessidade especial. “Às vezes você esquece que pode fazer um ato de caridade pelo próximo. Mas, quando vê o exemplo de uma pessoa que está fazendo, é mais fácil doar um pouco de si, do seu trabalho e da sua vida para essa ação. O amor é contagiante!”, concluiu Eliane.


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Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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