Luau: a brisa que sopra do Pacífico

Texto: Paulo Zarpellon

Fotos: Divulgação

Os tambores começam a soar com autoridade. As batidas são firmes, daquelas que criam um estado de alerta no local. A imponência do som é um ato de reverência ao Rei Kamehameha, O Grande, que está chegando ao local junto à corte imperial. Apenas uma pessoa pode estar à frente do rei: o guerreiro que é responsável por abrir o caminho. Caso alguém tente impedir a passagem da família real, guarda costas e guerreiros usam suas lanças para manter o caminho livre. Ao se acomodar à frente de todos, o rei é homenageado com uma apresentação de “Hula” só para si.

Assim começa uma das mais tradicionais festas do Pacífico: o luau. O nome original, em havaiano, é “Lu’au”, que significa “festa”. A entrada triunfal do Rei Kamehameha é uma representação de honra ao primeiro governante que conseguiu unir as oito ilhas havaianas, criando o Reino do Havaí, em 1810. Daí vem o apelido de “O Grande”. A celebração é uma herança cultural da Polinésia, local de origem daqueles que descobriram o Havaí. Com o passar do tempo, as músicas, danças e comidas passaram a se adaptar ao novo estilo de vida do povo. Por isso, em um luau havaiano, existem danças representando Fiji, Nova Zelândia e Samoa.

Em primeiro lugar nas pesquisas de qualidade desde 2000, o Island Breeze Lu’au é o evento cultural mais prestigiado por dia, na “Big Island”. O grupo está nos palcos desde 1979, ano em que foi criado, em Apaia, capital da Samoa. No ano seguinte, os artistas levaram a ideia para Kailua-Kona, Havaí. Desde então, em parceria com a Jocum (Jovens Com Uma Missão), os artistas levam o conceito de originalidade tribal para diversos países, como Porto Rico, Austrália, Nova Zelândia, Fiji, Samoa e até mesmo o Brasil.

Uma das peculiaridades da festa é o buffet. Historicamente, no local em que o luau estava sendo realizado, existia separação entre homens e mulheres na hora da refeição. A partir do reinado de Kamehameha, todos ficam juntos na hora de comer. E haja comida! O apresentador da festa faz questão de dizer: “No luau não se come até encher, mas sim até cansar”. Obviamente, ele explica depois: é uma forma de dizer que há fartura, e não incentivo à gula.

O cardápio é variado e atende a todos os gostos. Devem-se destacar alguns pratos que, além de deliciosos, são parte da história. O “Salmão Lomi” é um deles. Ele é como uma salada com tomate, pepino, cebola e salmão cru. “Poi” é um molho adocicado feito de inhame, que é tradicional na ilha. Por fim, e principal, o “Porco Kalua”. Não há nada de especial no sabor, mas na forma de preparo. Ele é cozido dentro de um buraco feito com rochas vulcânicas.  Logo cedo é feito fogo dentro do “forno” para aquecer as pedras. Em seguida, com o fogo apagado, o porco é colocado no buraco, enrolado com folhas de bananeiras e coberto de areia e terra. Ao todo, o processo leva em torno de 10 horas. Aliás, o nome “Kalua” significa “forno subterrâneo”.

Além da parte histórica, o buffet oferece bife Teriyaki, peixe grelhado, sobrecoxa assada e alguma massa que pode variar. Para os amantes de doces, existem bolos de coco, abacaxi e banana, pudim de coco e as três frutas em pedaços. Finalizando, o típico café de Kona é servido.

Duas danças em particular levam mais emoção ao público. Uma delas é o “Haka”, coreografia neozelandesa que representa a força do povo Maori. Os guerreiros representados usam o próprio corpo para dar ritmo à dança. Batem os pés no chão e as mãos nos peitos, braços e coxas. Além disso, fazem expressões faciais para intimidar os inimigos. A outra dança é a “dança do fogo”, proveniente da cultura samoana. Nela, um dançarino faz malabarismos com duas hastes em chamas nas pontas.

Historicamente, as músicas e danças contam o dia a dia do povo e servem de adoração aos deuses do Pacífico. Esse é o fator que separa o Island Breeze de qualquer outro grupo de luau. Em 1979, na ilha de Samoa, um jovem cristão de 18 anos, chamado Peniamina Patu, percebeu que a melhor forma de compartilhar o cristianismo com as tribos era dançando, cantando, trajando a fantasia indígena local, usando a língua nativa e ao invés de exaltar os diversos deuses, celebrar apenas a Cristo – que na maioria das vezes era mal representado pelo homem branco. Encorajado por Loren Cunningham, fundador da Jocum, “Peni” – como é chamado – mudou-se para o Havaí onde firmou de vez a carreira artística.

Hoje, aos 52 anos, Patu é o gerente do Island Breeze. Ele afirma que a apresentação do luau requer preparação exaustiva e excelência artística. “A dança é real, as expressões são reais e fazem sentido”, conta Patu. O gerente reforça que, além de adorar somente a Deus, a festa deve honrar as culturas e povos representados no palco e relembrar a grandeza do Rei Kamehameha, já que o Havaí se tornou sinônimo de luau.


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