Fase de decisões

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Dezessete anos é muito cedo para decidir o que se quer fazer pelo resto da vida? Para alguns jovens, não. É nessa idade que geralmente se escolhe qual rumo seguir, qual faculdade cursar, se o desejo é ficar na casa dos pais ou ir a busca do futuro.

Nas duas últimas edições, Metrópole conversou com universitários de outras cidades e estados que escolheram fazer faculdade em Campo Mourão e vivem aqui em repúblicas muito animadas. Agora a gente decidiu ver como estão se preparando os estudantes daqui para encarar a vida longe da casa dos pais – e tem também quem espera aproveitar os cursos daqui mesmo.
Com o ciclo de vestibulares correndo a todo vapor, fomos dar uma espiadinha na rotina e nas dúvidas de quem está nessa fase de decisões.

Estudo, estudo, estudo
Beatriz de Castro Marini tem uma missão difícil pela frente. Ela escolheu ser médica e, aos 17 anos, tem uma rotina pesada, focada nos muitos vestibulares que tem pela frente. Como nenhuma faculdade de Campo Mourão oferece seu curso, a escolha obrigatória é se despedir do conforto da casa dos pais no próximo ano, seja para já começar a faculdade ou para fazer um cursinho específico, voltado para a missão de conquistar uma vaga em Medicina. “Vai ser muito difícil passar esse ano, mas tenho esperança e foco. Isso é o principal, porque ter foco implica ter dedicação para buscar o objetivo”, fala determinada.
Para buscar a vaga, ela se joga nos estudos na escola, todo dia das 7h15 às 12h35. Dois dias da semana também estuda à tarde e nos demais, muita apostila em casa para dar conta do recado. Pelo quarto, dezenas de fórmulas são espalhadas em locais estratégicos, até no espelho, para garantir a memorização necessária de alguns conteúdos mais complexos. “Não gosto de ficar parada, muito menos estudando, então resolvo exercícios, faço coisas mais dinâmicas”, revela.

“Esse ano de terceirão é o ano da decisão. É complicado, porque estou no escuro sobre como vai ser minha vida no próximo ano, não sei para onde vou, mas traz muita expectativa”

E a situação é a mesma, garante, com quase todo mundo que está nessa idade. “Esse ano de terceirão é o ano da decisão. É complicado, porque estou no escuro sobre como vai ser minha vida no próximo ano, não sei para onde vou, mas traz muita expectativa”, conta. Giordana Paiva, colega de Beatriz, vive um dilema parecido. Ela já garantiu vaga na UEM, mas vai tentar ainda Unicamp, USP, UFSC e tentar alguma outra federal com a nota do Enem, pelo Sisu. Quer ser engenheira mecânica.

 

E o medo?
Bia decidiu manter o foco nos estudos e não pensar muito no que o futuro lhe reserva. Sempre morou com os pais e não tem ideia de como vai se virar sozinha, mas já começa a ensaiar alguma independência – aprendendo a cozinhar. “Mas devagar, porque tenho de me concentrar em outras coisas agora, nos estudos. Poderia já estar morando fora, mas eu e meus pais conversamos e decidimos que o melhor seria continuar em casa, com essa segurança para estudar tranquila”, revela.
Entre o medo e a expectativa pela vida nova, Giordana confirma a duplicidade dos sentimentos. “Um pouco dos dois, no começo provavelmente vai ser difícil me adaptar ao lugar, fazer tudo sozinha, além dos imprevistos que sempre acabam acontecendo, mas acho que essa independência é boa e te obriga a aprender a lidar com todo tipo de situação e a ser mais responsável também”, defende. Além da experiência nova, a expectativa de Giordana é morar sozinha, em seu canto, em uma cidade grande. “Sempre quis conhecer pessoas diferentes e estar em lugares em que possa ter mais oportunidades”, ressalta. “E poder ter um lugar que seja só meu, deixar de ser a ‘filha dos meus pais’ e me tornar eu de uma vez por todas”, completa.

Pé em casa
O desejo das meninas, de sair para o mundo, não é unânime. Aos mesmos 17 anos, André Luís Poliseli decidiu que quer ficar em Campo Mourão, enquanto vê alguns amigos planejando mudanças para outras cidades, algumas bem longe. Colabora com ele o fato de o curso escolhido, Agronomia, ser oferecido por uma faculdade local. Não quis trocar o conforto da casa dos pais pela aventura de morar fora. “Achei que não compensava, pois o custo da vida em outra cidade, mesmo em faculdade pública, pode ficar bem mais alto do que nas particulares aqui, então quero dar prioridade aos meus estudos, mas aqui mesmo”, ressalta.

“Achei que não compensava, pois o custo da vida em outra cidade, mesmo em faculdade pública, pode ficar bem mais alto do que nas particulares aqui,”

E quando eles cansam de bancar os adultos, o que fazem? “Não dá pra ficar só estudando, sufocada, sem pensar”, conta Beatriz, que mantém atividades paralelas, namora e viajou com a turma do terceirão.

Fotografias: Gracieli Polak

 

 


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.

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