Campo Mourão e Brasília, duas cidades modernas

A história tem muitos começos e várias origens. A cada tempo, um grande acontecimento vem marcar a vida de toda a coletividade. A construção de Brasília foi desses acontecimentos que mexeu com toda a sociedade brasileira. Inclusive as regiões oeste e sudoeste do Paraná: em Campo Mourão os rastros dessa história são visíveis. Comparem os mapas do Plano Piloto da nova capital com o de Campo Mourão. A mesma asa do avião. Comparem as ruas de Campo Mourão com a avenida W3, de Brasília, nos fins dos anos 1950: avenidas largas, com árvores e canteiros no meio, cortadas por outras ruas com prédios pequenos, embaixo comércio e em cima residência. Era assim em Brasília. Será só coincidência?

Em Campo Mourão, há exageros: “Brasília foi construída com madeira de Campo Mourão”, dizem alguns. Exagero que não deixa de ter pequena dose de verdade. Pesquisadores sabem que nos anos 1950 e 1960 o grande mercado consumidor interno da madeira e das madeireiras do oeste e do sudoeste do Paraná foi Brasília em construção. “Tinha dia que saiam daqui mais de 40 caminhões com madeira”, dizem outros.

Os principais prédios governamentais e os que abrigaram os primeiros funcionários da nova capital do Brasil foram construídos em três anos e meio. Em 1957, a nova capital já tinha um plano urbanístico e em 1958 o Palácio da Alvorada aparecia nas primeiras capas das principais revistas e jornais do Brasil – e do Paraná. Enquanto o suntuoso palácio da Alvorada ainda não estava construído, o presidente JK despachava de uma casa de madeira, o Catetinho. No prédio da esquina da Rua Brasil com a Avenida Capitão Índio Bandeira está escrito: Edifício Alvorada. Uma casinha de madeira, um edifício com nome do palácio. Isso não lembra nada?

Ninguém no Brasil ficou de fora do movimento de comércio e de gente que a construção da nova capital criou. Autoridades públicas de todos os lados viajavam à nova capital. Em Campo Mourão, um jeito de homenagear a nova fase de progresso e desenvolvimento da cidade era mostrar que ela também era moderna porque acompanhava a fase da construção da capital moderna do país dos anos 1950 e 1960. Alguns edifícios até hoje trazem na fachada inscrições com seus nomes e datas do período da construção ou da inauguração de Brasília.  O edifício São Pedro foi construído entre 1957 e 1958, o edifício Hotel Mundos em 1959, o edifício Vitória em 1961. Por trás de placas de casas comerciais deve haver mais datas e nomes.

A história nunca termina. Sempre aparece alguém com fatos novos, documentos descobertos, visões renovadoras. E então nos damos conta de que há várias histórias ainda a serem contadas. O progresso e o desenvolvimento de Campo Mourão se alinhavam, nos anos 1960, a uma fase da história brasileira urbana e industrial. Juntar e parecer-se com a nova capital Brasília, símbolo do que havia de mais moderno no país então, era uma maneira de ser moderno também.

Andar pelas ruas e ver com cuidado a arquitetura da cidade. Os edifícios pequenos do Centro com datas e nomes marcados nas fachadas dos prédios são rastros de uma história moderna, urbana e industrial de Campo Mourão ainda a ser contada.


Texto: Bruno Flávio Lontra Fagundes
Curso de História – Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR) – Campus de Campo Mourão


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Metrópole Revista
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2 Comentários


  1.  

    Muito bom texto. Parabéns professor Bruno F L Fagundes.





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