Headbangers CM: a difícil vida de quem gosta de rock no interior

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Fotografia: Fernando Nunes

Cabelos pintados, olhos e unhas escuras, piercings, camisetas pretas de bandas e All Star. O visual pode assustar algumas pessoas, mas, as jovens Amanda, Eduarla e Eduarda não são de nenhuma seita ocultista.

Amanda, Eduarla E EduardaO rock em suas diversas vertentes (rock’n’roll, punk, heavy metal, metalcore, entre outras dezenas) é um estilo conhecido por suas peculiaridades. Seja pelo som pesado das guitarras, ou o estilo agressivo de se vestir, sempre provocou nas pessoas reações adversas. Desde o repúdio ou escândalo de quem não entende, até a admiração e seguimento de seus fãs, numa relação quase de idolatria com seus ídolos. Não é diferente do que acontece com as irmãs gêmeas Eduarda e Eduarla Romeiro de Oliveira e a amiga Amanda Vogler Custódio. Elas têm 15 anos e têm a música e a paixão por algumas bandas como elo de união e amizade.

Tudo começou com Eduarla, que, procurando na internet, encontrou a banda de metalcore, Black Veil Brides (BVB). “Era diferente, era legal, gostei e comecei a me vestir assim. Depois comecei a conhecer outras bandas e gostando”, afirmou Eduarla. Ela apresentou para a irmã gêmea Eduarda, que também gostou da banda e aderiu ao visual, assim como a amiga Amanda, que seguiu o exemplo delas.

Além da BVB, elas têm outras bandas que curtem e se inspiram, principalmente de metalcore, como Asking Alexandria, Bullet For My Valentine e The Agonist, e de outros estilos como Evanescence e Slipknot. “Fomos gostando de outros sons, desde que as letras sejam que a gente gosta. A gente ouve a letra e traduz para saber o que ela diz”, lembrou Eduarda.

O estilo delas chama a atenção de quem vê. Elas lembram que muitas pessoas olham, ficam encarando, outras dizem que acham legal, conversam com elas e elogiam a atitude. Outros, nem olham, ou até pior: demonstram preconceito. Como aconteceu com Amanda, que já foi xingada na rua. “Chamam a gente de lésbica, sapatão. Que isso é falta de pai em casa, ou falta de cinta”, disse Amanda.

Já as irmãs, sofreram preconceito inclusive de professores. “A minha professora falou que a gente passava maquiagem no banheiro do colégio, pois em casa que não era”, desabafou Eduarla. Elas admitem não reagir, nem discutir. “A gente sempre vai ser errada, né?”, ressalta. Elas chegaram a ser questionadas no colégio se fumavam, se drogavam ou acreditavam em Deus.

A mãe das gêmeas, Simone Romeiro, vem em defesa: “somos criados dentro de uma religião católica, temos nossas crenças, mas não somos praticantes. Elas sabem o que é certo ou errado. Não é porque elas se vestem assim que usam drogas”, se revolta. Ela diz que prefere elas dentro do quarto, escutando umas “músicas esquisitas”, do que na rua, numa balada, bebendo. “Eles não bebem, os amigos não bebem. Nós que somos mães sempre conversamos umas com a outras, pra saber como estão as notas das filhas, se elas estão sempre num caminho bom”, disse a mãe. Simone confessa que não influenciou diretamente as filhas, mas que na sua juventude também gostava de rock.

E onde anda essa galera? Você que ainda se pergunta se essas pessoas moram aqui em Campo Mourão, pode encontrá-las reunidas com os amigos aos domingos, no Lago Municipal. Todos devidamente caracterizados, com suas camisetas pretas e cabelos personalizados, onde tomam tereré e tocam violão.

A produção de todo o visual é personalizado por elas mesmas, pois as camisetas das bandas, elas não acham aqui na cidade e têm que mandar fazer. Os cabelos são pintados e desfiados por elas mesmas. Os acessórios como luvas, pulseiras e cintos também são comprados fora. Os tênis são customizados com spikes, as calças, com rasgos e as meias grossas, desfiadas. Estilo que elas sabem que tem data de validade.

Quando perguntadas sobre manter esse estilo a vida toda, elas têm consciência que no futuro terão que se vestir de uma forma mais “careta”. Como aconteceu recentemente com um amigo delas que completou 21 anos e precisou se livrar do estilo. “O rock é pra vida. Mas vai chegar a hora de trabalhar e você vai ter que cortar o cabelo, vai ter que tirar a cor”, lembrou Eduarda.

Como irmãs gêmeas, quando pequenas, usavam tudo igual, por causa dos pais, mas, agora elas têm os gostos de propósito. “Se uma compra uma coisa, a outra compra outra igual. Somos muito amigas, gostamos das mesmas coisas. Se vemos um All Star e uma gosta, a outra com certeza vai gostar”, afirmou Eduarla. O gosto por meninos inclusive é bem parecido: cabelo preto, alargador e piercing.

Elas ainda não podem sair para eventos de rock, porque são menores, mas onde quer que elas vão, uma coisa não pode faltar: a maquiagem. Poucas foram as vezes que elas não usaram. E para não usar o “uniforme”, camiseta preta, calça jeans e All Star, só em ocasiões muito especiais. “Nós fomos numa formatura de vestido. Preto! (risos). E nos sentimos tão mal em usar salto, que nem levantamos da cadeira a noite inteira”, disse Eduarla.

As tribos urbanas estão aí e merecem o devido respeito. Ninguém é obrigado a fazer o mesmo, mas a tolerância e a compreensão devem imperar nos relacionamentos interpessoais. Em tempo de protestos e manifestações, não podemos deixar de lembrar, que a música e seu contexto também é uma forma do ser humano buscar o seu espaço na sociedade e mostrar sua cara.

 

Metalcore

Bullet-for-My-ValentineO Metalcore surgiu no fim dos anos 80, nos Estados Unidos, numa mistura de heavy metal, ou alguma subdivisão (como o thrash metal, ou death metal) com outras vertentes, como o hardcore e o punk, adicionando peso e elementos modernos. A linha vocal nas músicas varia de guturais, gritos e vozes limpas; as guitarras são afinadas em tons mais baixos que o normal para dar peso a música; o baixo é tocado normalmente com palheta e a bateria costuma ser rápida, com uso constante de pedais duplos.

Entre as bandas precursoras desse movimento, encontram-se Earth Crisis e Integrity. Nomes como Killswitch Engage, Avenged Sevenfold, Bullet For My Valentine, Caliban, Trivium, The Devil Wears Prada e As I Lay Dying são os nomes de maior sucesso da atualidade e fazem parte do movimento chamado N.W.O.A.M. (New Wave Of American Metal), a nova onda do metal americano.

 

 

Black Veil Brides

Black-Veil-BridesA banda foi fundada em 2006, pelo vocalista Andy Biersack e começou a ser conhecida por meio do blog do fundador. A música que elevou a banda ao conhecimento da mídia foi “Knives And Pens”, quando a banda ganhou vários prêmios de revelação do ano, por revistas especializadas, como a Revolver.

Depois de passar por várias formações, a banda é hoje composta por Andy Biersack no vocal, Jake Pitts e Jinxx nas guitarras, Ashley Purdy no baixo e Christian Coma na bateria. Um dos fatores que mais chamam atenção de quem vê o grupo é o visual forte, maquiagens pesadas e roupas pretas.

 

 

Sobre o Autor

Renato J. Lopes
Renato J. Lopes



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