Todo dia é dia de feira

Do pastel com caldo de cana para o lanche da tarde às verduras fresquinhas vindas direto da horta do produtor, a feira de Campo Mourão tem opção pra todo mundo e o melhor, todo dia – e pertinho da sua casa!

Na segunda-feira no Jardim Aeroporto, na terça na Vila Urupês, na quarta no Jardim Santa Cruz e até no sábado é dia de feira em Campo Mourão. Do pastel frito na hora até a verdura para levar para casa, combinada com embutidos e pães, de tudo um pouco se encontra nas feiras de ponta a ponta da cidade, principalmente gente boa de sorriso aberto e disposta a atender a clientela com prontidão.

E assim, em meio às senhoras que, com seus carrinhos iam atrás das melhores verduras às 17 h e aos adolescentes que depois das 18 horas marcavam lugar no ponto da juventude, Metrópole foi atrás do que de melhor se tem para provar nessa festa de todo dia. E as opções são muitas. Somente na Vila Urupês são cerca de 40 feirantes, com diversas opções pra tudo: muitas barracas de espetinho, outras tantas de pastel, frutas e verduras para todos os gostos.

É isso que confirma o presidente da Associação de Produtores da feira, Jair Wenneck. A da Vila Urupês é disparada a maior de todas, tanto que falta verdura na barraca para atender a tanta gente. Pela proximidade com o centro da cidade, atrai gente de todo jeito, estudantes que acabaram de sair do colégio, crianças pequenas ainda de uniforme e trabalhadores, uniformizados ou engravatados, que encerram o expediente para saborear um pastel quentinho.

Jair conta que essa feira acumula histórias de mais de 30 anos, com momentos de grande crescimento e outras de baixa. Durante toda a vida, seguiu regras para que, no fim da tarde, as ruas fossem fechadas e o comércio aberto. Hoje a maioria dos feirantes, segundo ele, atende às exigências feitas para trabalhar no local. Além da recomendação de atender bem aos clientes, as barracas contam com plaquinhas informando os responsáveis e também telefones para que os clientes entrem em contato. Ele mesmo é de uma simpatia e um cuidado ímpar com os clientes.

Isso aqui é muito desestressante. A gente sai de casa, conversa, é um ponto de encontro de todo mundo. Só no verão que é uma loucura

Na barraca que mantém com a esposa, há verduras de todo jeito, sempre fresquinhas. Ainda traz laranjas, batatas, limas e o milho verde assado na hora, ao gosto do cliente. Tudo de boa procedência. “Estamos trabalhando com orgânicos faz mais de dez anos e não vencemos mais plantar pra fazer todas as feiras. É apurado”, conta.

A barraca faz tanto sucesso que é difícil encontrar um tempinho para conversar, mas ele gosta de atender assim mesmo, no meio da muvuca. Com a mulher se recuperando de uma cirurgia, ele conta com a ajuda dos filhos, que estão dando uma mão. “Mas eles não gostam disso aqui, não. Querem fazer curso fora, ir embora”, lamenta, mas apoia o filho, porque essa vida de feirante não é fácil – mas também traz muitas alegrias, por mais algumas décadas.

Simpatia nos olhos

Arcelina: simpatia no cachorro-quente

Os olhos azuis de Arcelina Laurinda Cirilo são as principais lâmpadas de seu trailer de cachorro-quente. Às cinco horas, com o sol começando a se por, o molho já está quente e as salsichas no ponto. O sorriso dela, desde a hora que chega não sai do rosto e assim fica até por volta das 21 h, quando a feira acaba, agora no início de inverno. Ela já fez bolos e salgados, mas agora preferiu ficar só mesmo com o cachorro-quente e com as bonitas maçãs do amor que enfeitam seu balcão.

Para trabalhar, aos 73 anos, ela conta com a ajuda do filho, Orley Laurindo Cirilo, que além de auxiliá-la no atendimento na barraca, ainda ajuda no preparo de tudo. Corta os tomates, a cebola, o pimentão, arruma o pão, monta tudo, é uma mão na roda. Só com ele para dar conta do movimento. “Quando fecha o comércio, essa rua enche e a rapaziada toma conta. Acho que só podem estar matando aula”, se diverte.

Outra que não pensa em parar tão cedo é Isabel Marques Bento. Isabel e Armando Bento, que juntos tocam a Tapioca da Vó,  são casados há 40 anos. Apenas no último ano começaram a fazer tapiocas. Deliciosas, por sinal.  Técnica em enfermagem, Isabel passou a vida toda cuidando de seus pacientes e, quando chegou a aposentadoria, não queria se afastar dessas pessoas.

Ela, que veio de Curitiba, acatou a ideia do marido, comprou muita fécula de mandioca e se tornou amiga da frigideira, até dominar o preparo da iguaria nordestina. Treinou por algumas semanas e hoje serve diversos sabores em sua barraca, que promete um gostinho de vó na comida servida. Vive cheia, cozinha faceira. “Tem gente que toda semana vem pra fazer o mesmo pedido. Às vezes nem esquentei a frigideira e já tem gente esperando”, se diverte.

 Cheiro de gostosura

O secador espalha o cheirinho de gostosura do espetinho do Roberto e chama para a barraca

Roberto Hessmann é um dos responsáveis pela fumaça e pelo cheirinho mais gostoso da feira. Com secador em punho ele acende o carvão e pacientemente espera que os espetinhos das churrasqueiras liberem o cheiro característico. Para atrair seus clientes, não precisa mais que isso. Ele, que começou a vender na feira com uma barraca de verduras, optou por vender os espetinhos para conseguir um pouco mais de lucro, com um tanto menos de trabalho. Isso porque, ao invés de plantar e colher, agora prepara a iguaria.

Com a barraca grande e de bom movimento, chega a vender em média 500 espetinhos por saída. A feira da Vila Urupês, a maior de todas e a mais movimentada, é a que traz mais resultados. “A barraca nunca para, sempre tem gente chegando”, conta ele, que de todas as feiras, falta apenas na segunda. Melhor começar a semana na terça mesmo.

Gosto de passado

Raspadinha, quem quer? são diversos sabores por um preço pequenininho

De laranja, de uva, de menta ou de groselha, com copinhos a partir de R$ 0,75. Mesmo com o friozinho batendo na porta, a produção de raspadinha na barraca do Iberê Souza Ribeiro não para. Ele e a esposa, Maria Helena de Brito Ribeiro, se revezam nas barras de gelo que, para muita gente, são um pedaço do passado.

Além das raspadinhas, que obviamente fazem muito mais sucesso no verão, na barraca dos dois marcam presença também os churros e os pães de queijo, todos quentinhos. Os dois fazem seis feiras na semana e viram na necessidade uma oportunidade de relaxar e de fazer amigos ao  mesmo tempo. “Isso aqui é muito desestressante. A gente sai de casa, conversa, é um ponto de encontro de todo mundo. Só no verão que é uma loucura”, diz.

O equipamento antiguinho com os xaropes usados para colorir e saborizar o gelo, diz Maria Helena, será trocado em breve, mas o colorido, alerta ela, há de permanecer. Enquanto o frio espanta um pouco os amantes da raspadinha, para a pamonheira de mão cheia Vera Lúcia Bandeira Alves, traz mais clientela.

Ela faz bolo de milho, curau, tortas, sucos e outros quitutes, todos inspirados no milho. Na Vila Urupês, são pelo menos 150 pamonhas vendidas a cada terça-feira, a maioria para ser degustada em casa.

Para todos os gostos

Comida japonesa, embutidos e pães de vários tipos, além de caldo de cana, também têm presença firme na feirinha de terça-feira. Ficou faltando o pastel? Como todo mundo saiu do trabalho e resolveu fazer aquele lanche caprichado com a massa frita na hora, conversar com os pasteleiros foi uma missão praticamente impossível. Melhor mesmo é comer um pastelzinho quentinho, no capricho.


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Metrópole Revista
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Revista de variedades.

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