The Night Runner

Um night runner que se inspira no homem- aranha para ocupar os espaços entre ruas a avenidas e levar através de suas atitudes uma mensagem de entusiasmo e amor pelo próximo.

Metrópole foi em busca desse personagem que à noite corre pelas ruas de Campo Mourão, e revela sua identidade e sua história.

Por que “Dom Omar”?

Fiquei no Seminário uma época, quase me tornei sacerdote. Desisti de ser padre, adquiri uma profissão e me dediquei a uma atividade física de que gostava.

Corre pela cidade para competir, por hobby ou para manter a saúde?

É uma questão de psicosfera: eu me alimento com a energia dessa gente bonita da nossa cidade, homens, mulheres, gajos e gajas. A energia deles me rejuvenesce, é minha Câmara de Lazarus. O entusiasmo é mais forte do que a competição. Digamos que eu estou como o senhor Myiagi – do filme “Karate Kid”: “treinando só para a vida…” (risos).

Pode explicar melhor essa psicogênese?

É energia do entusiasmo. Na Grécia antiga, entre os gregos, era muito comentado: você ter o entusiasmo, ou enteu-ziasmo, ter os deuses dentro de si. Então eu comecei desenvolver arquétipos, protótipos e metodologia para treinamentos, para melhorar massa muscular, aptidão física, capacitação física e, até mesmo, fazer mais amizades.

Tem dado resultado? 

Sem dúvida. Vivo de uma maneira tão intensa que sinto que é prazeroso estar em meus plenos 33 anos de idade.

Isso é uma filosofia de vida sua ou de uma seita?  

Na verdade nasceu comigo, já vem das antigas, porque sou uma pessoa sozinha, solitária. Até que comecei a me descobrir no atletismo. Eu comecei a correr com nove anos, hoje tenho 33: há 24 anos corro. Então eu criei uma história. É como se fosse nos DC Comics,  Marvel , só que com uma identidade secreta: cabelereiro durante o dia e nigthrunner durante a noite.

Esta técnica que você desenvolveu é de preparo físico ou mental?

Espírito, mente e corpo. Eu tenho tempo para oração, três vezes ao dia: uma hora e dez de joelhos dobrados pela manhã, tarde e noite. Depois eu tenho meu treinamento calistênico, que é ginástica de calistenia : barra fixa, flexão de braço, barra paralela, abdominal de cabeça pra baixo e a corrida, fazendo todo aquele turismo pela cidade. Ou melhor, o que o Homem-Aranha faz pelas ruas, ou pelos prédios de Manhattan, faço pelas ruas de Campo Mourão.

Você já usou isso para competição ou não tem interesse?

Estou feliz como estou. Tenho entusiasmo pela vida. É maravilhoso conversar com toda a galera, meus contemporâneos. Atender jovens que me dão vida. Se tivesse câncer hoje, começasse a correr, a conversar com alguém assim, um contemporâneo, do nosso meio, do dia a dia, certamente me regeneraria, porque sinto prazer pela vida. Preciso de gente, de força, de vida. Homens e mulheres, gajos e gajas, preciso do povo. A energia do povo me alimenta e me sustenta.

Como adquiriu esse conhecimento para aplicar isso na vida? 

Foi a mutação do entusiasmo, o elogio. Por ficar tempos solitário, acabei desenvolvendo esse lado de superação física, mental e espiritual, a ponto de ser elogiado e as pessoas me procurarem para prestar força, auxílio, energia. Foi onde acabei dando vida ao nightrunner também.

Tem gente seguindo seus passos?

Olha, volta e meia aparece. Eu até me sinto muito orgulhoso quando vejo isso, mas está em estudo ainda, é só um protótipo.

Qual o significado da Estrela de Davi, que você usa, neste contexto?

Equilíbrio. E porque eu também sou fã do Magneto, dos X-Men. Quero ter aquele magnetismo de atrair, de juntar, chamar, como quando a galinha quer reunir os pintinhos debaixo das asas. Eu sou assim: proteção.

Não conflita com o cristianismo essa sua filosofia da mente, do equilíbrio?

Tem gente que nem acredita que eu sou católico. O rabino Yehuda diria que eu sou um excelente judeu e muitos até acreditam que eu seja budista.  Digo que sou como o Rei Salomão: aliança com todos os povos, do menor ao maior.

Como são os momentos de oração? 

Citativos de salmos e uma hora e dez minutos de joelhos dobrados, desabafando, conversando. Quero fazer algo diferente, afetar o espírito, a mente e o coração das pessoas. Ser uma espécie de espectro positivo, uma energia viva. Andando, trafegando pela cidade e contaminando de maneira positiva, irradiando às pessoas.

Você quer fazer seguidores? 

Através do meu exemplo de vida eu quero conquistar o coração das pessoas. Homens, mulheres, crianças, jovens de todas as idades.

Como registrar, transmitir, difundir?

Agora é mais pelo exemplo. O exemplo pode ajudar. Sou tipo Sócrates: não escrevo nada, apenas falo, propago, prefiro assim.

O que lê?

Karl Marx, Joseph Murphy, a Sagrada Escritura, ”O Banquete”, de Platão.

Quanto corre?

De 2 a 3 horas: 35 a 40 quilômetros a pé. Seis vezes na semana, quando não é de madrugada, é à noite. Só paro aos sábados para descansar.

Porque à noite? 

Eu gosto de ver pessoas bonitas e, geralmente, essas pessoas bonitas você vê à noite.

Correr é um ritual? 

É uma questão de Magneto. Trabalhar o feromônio, aquele lado neanderthal , homo sapiens, selvagem. Tipo assim, de dia comportadinho e à noite eu me torno fera. Desafia meu lado mutante, meu lado animal. Eu gosto de trabalhar esse lado.

Como é essa convivência com as pessoas na rua? 

Elas brincam, elogiam, pedem conselhos, pedem aprimoramento. Às vezes dou um ósculo, abraço, aperto de mão, profiro uma palavra de saudação, mas fica só nisso. Porque, como o Homem-Aranha, o que ele faz entre os prédios de Manhattan, eu faço entre as ruas de Campo Mourão.

É hostilizado? 

Por exemplo, entre os prédios de Manhattan tem o J.J.Jameson, que não gosta do Homem-Aranha. Certamente existem aqueles que não gostam de mim. Já encontrei hostilidade. Tipo: “esse cara é vagabundo, um vadio, quer se mostrar, certeza que ele é pederasta”. A gente sabe quando é brincadeira e quando não é. Meus clientes brincam para caramba comigo. Mas tem aqueles que não me conhecem e me hostilizam. Pensam que sou homossexual, até entre as mulheres acontece dúvida, como: “sei não, esse shortinho é muito curto, jeito delicado, zen…”. Às vezes sou rotulado como gay, mas o povo que mais me respeita são os mais discriminados: gays, afro-descendentes e outros.

Por que escolheu ser cabeleireiro?

Porque eu me interessei pela vaidade das pessoas. Sempre gostei de me “narcisar” e da boa ou bela aparência. Para mim não existem pessoas feias. Então, só de mexer no cabelo de alguém, trazer o sorriso ao rosto da pessoa, isso faz com que me sinta realizado: a arte de servir, lavar os pés dos discípulos, repetir o gesto da última ceia, verdadeiramente.

Tem oportunidade de falar disso para seus clientes?

Eu falo para 85%, outros têm seus códigos e eu respeito isso. Cada espírito tem um dialeto. Eu converso com minha mãe, o dialeto é um; converso com minha esposa, é outro. Não tenho palavras para exprimir porque é energia. Digamos, o Poltergeist de cada pessoa é totalmente diferente. Aqui (no Salão) eu pratico isso, aqui é meu dojo.

E a esposa, aceita sua identidade noturna? 

É como se ela fosse o Alfred e eu fosse o Bruce Wayne, o Batman. Ela cuida de mim. É como se eu fosse Tony Stark e ela cuidasse da minha armadura, me ajudasse em meus projetos bélicos (risos).

Tem algum cuidado com a saúde?

Só de dar um abraço em alguém eu já me curo. O amor fortalece o sistema imunológico. É claro que tomo banho só na água fria, não sou de comer muita carne. Como broto de alfafa, ovo cru, farelo de milho. Tenho minha dieta.

Um super-herói combate um sistema, um mal. O que você combate?

Combato o sistema da discriminação, da homofobia, do machismo, do homem que quer ser superior à mulher, do traficante que quer vender droga, quer destruir famílias, os jovens que não buscam sabedoria – não generalizo, nem todos os dedos da mão são iguais – mas os que se fazem de rebeldes e não se conscientizam, não param para refletir que são poder, fortaleza viva e que podem fazer muito mais se forem para o lado da luz e não para o lado da sombra. Quero tirar da mente das pessoas a violência, pensamentos sobre a droga, sobre coisas inúteis. Que os homens e mulheres se conscientizem de que devemos caminhar juntos, como dois caças F-15 sobrevoando os ceús de Brasília ou Jerusalém. Que não existe revanchismo, competição. Quero pregar algo assim notório, que cada um passe a desenvolver seu poder, sua força interior, tanto através dos exercícios físicos, quanto através da mente, da própria oração em espírito.

Quem te ouve mais, os mais jovens ou mais maduros?

Os mais maduros. Uma percentagem mínima dos jovens me ouve, aquela coisa tipo Galactus X Surfista Prateado.

Você não tem e-mail, vive off-line.  Isso é uma postura ou é ocasional?

Eu gosto mais de tratar, conversar com a pessoa. Quero olhar nos olhos. Não quero teclar, preciso de contato humano. Isso de contato com máquina é muito Matrix. Eu sou avesso a isso aí. Sou tipo epístola, sou tipo apóstolo Paulo, carta aos Efésios, aos Coríntios, etc.


Sobre o Autor

Metrópole Revista
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Revista de variedades.

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