Sua casa, nossa casa – parte 2

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As férias acabaram e, com a volta das aulas, a cidade mais uma vez está repleta de universitários, que dividem não só a casa, mas a vida com colegas de moradia. Mais uma vez Metrópole visitou repúblicas da cidade e os hábitos que cultivam para aproveitar ao máximo esse período tão importante da vida, seja para estudar ou para se divertir. E a aventura, mais uma vez, foi interessante.

 

Na república de Agronomia, um canteiro de cebolinhas e salsinhas – bem cuidado -entrega que os donos são estudantes dedicados e comprometidos com o aprendizado. Já na casa que reúne outras acadêmicas, inclusive algumas futuras veterinárias, uma cachorrinha é a mascote da casa.
Seja nos churrascos bem organizados dos fins de semana ou nas reuniões entre amigos que se espalham por colchões na sala inteira, estes acadêmicos mostram que estão se virando na vida longe da casa dos pais, com o primeiro grande aprendizado da faculdade.

 

Santa Caneca

Placas de variedades de milho denunciam a casa na rua tranquila do bairro Santa Cruz. Uma pequena hortinha no jardim reúne cebolinha, hortelã, tomate e pés de soja, pequenos experimentos da faculdade. É no endereço tranquilo que moram os futuros agrônomos Ewerton, Layron Diogo Barbosa, Deivid de Paula e Raphael Henrique.

Ewerton Régis Alves de Oliveira tem 23 anos e veio de Ouro Preto do Oeste, em Rondônia, para estudar agronomia em Campo Mourão. Os irmãos, que já moravam aqui, falaram bem do curso e ele veio, mas já está indo embora. No último período da faculdade, somente com estágio e TCC pela frente e de malas prontas, se despede não só da cidade, mas da família que construiu aqui nos quase cinco anos de faculdade. “Morar em república é uma lição, é o primeiro grande aprendizado. Você sai da casa dos seus pais e fica por sua conta, mas no meu caso, dei a sorte de conhecer boas pessoas”, conta. Ewerton é o mentor da Santa Caneca.

Apesar do nome da república, que é lembrança de uma época mais festeira da turma, todos os moradores ostentam no peito o crachá do trabalho e uma postura séria, de quem está de olho no mercado de trabalho. “É bom fazer festa, reunir os amigos, mas também é bom chegar do trabalho e encontrar a casa em ordem. Mais que uma república, essa aqui é a nossa casa. Temos de cuidar”, fala Deivid.

Ele é de Boa Esperança, mas trabalhava no Pará quando decidiu estudar. Fez supletivo e logo conseguiu chegar à faculdade, de volta ao Paraná. Em Campo Mourão, morou com algumas pessoas, em repúblicas que estavam acabando, até que chegou à Santa Caneca e por ali ficou. “Levamos tudo com muito companheirismo, com responsabilidade”, ressalta.

A ordem geral, que faz com que as coisas deem certo, explica Ewerton – que é conhecido por todos como Mister – é manter a área de convívio geral sempre limpa, ou pelo menos aceitável, para que ninguém se aborreça. “Dentro dos quartos, aí é outra história”, diz. “Se vem gente aqui e as coisas estão muito feias nos quartos, a gente fecha as portas para ficar mais bonito”, explica Deivid.

Homens na cozinha

O mais novo integrante da república, Layron, tem sofrido com a nova condição, longe da casa dos pais, mas também tem achado muita graça em tudo. São os companheiros de casa que o estão ensinando a fazer comida. “Se eu estou fazendo arroz e um deles me diz pra colocar um tanto de sal, coloco na colher e vou mostrar pra não errar”, se diverte.  “Em casa nunca ‘relei’ em nada, mas aqui não tem jeito”, brinca.

Da formação inicial da república, Mister faz questão de lembrar dos colegas e amigos Fabio e Vanderson, que o ajudavam muito. “O Fábio era uma surpresa. Ele ficava em casa e fazia comidas muito boas. Via a Ana Maria Braga e anotava as receitas para fazer pra gente. Até bolo ele fazia e reunia a mulherada aqui para comer. Tenho muito a agradecer aos dois, pelos bons momentos e pelo companheirismo”, recorda. Da formação de hoje, todo mundo faz comida, às vezes um tanto destemperada, mas todos fazem de tudo um pouco, principalmente o churrasquinho dos fins de semana – mas tudo com muito respeito.

Como a maioria da casa é comprometida, acabaram os excessos. Hoje só amigos visitam a casa, mas a república já recebeu festas maiores, sempre com os vizinhos avisados, para não ter problema. O nome surgiu dessas festas e dos churrasquinhos, que além dos amigos, também reuniam professores. Com a imagem de bons moços cultivada, eles esperam colher bons frutos. Mister já está na colheita, se despedindo com saudade das amizades que fez aqui nesse período. Ainda no começo da caminhada, os outros moradores buscam por um novo companheiro para dividir as contas e a aventura, bem pertinho do Campus do Integrado.

As mocinhas

Perto do campus da Unespar/Fecilcam, em uma rua tranquila, moram cinco garotas, que formam a república As Mocinhas, que logo vai ganhar mais uma integrante. Acadêmicas de três faculdades, as meninas se organizam numa casa, dividem comida e se aturam no período da TPM, tudo numa boa. Bruna Araújo, Dayane Lima, Mayane Nascimento, Daniele Bailo e Tátila Cabrera dividem o espaço ainda com a cachorrinha da turma e com mais algumas amigas de outras cidades, que no fim de semana precisam de abrigo. E se dão bem, garante Bruna.

Ela veio de Cuiabá para estudar, a 1500 km longe da casa dos pais. Como Mister, também tinha parentes aqui e, numa viagem pela cidade, resolveu tentar uma vaga na faculdade e ficou. “É comum o pessoal do Mato Grosso vir estudar aqui, porque as faculdades têm bastante qualidade”, conta. Os primeiros meses ela passou na casa da avó, mas depois foi morar com as amigas. E o começo foi engraçado. “Quando chegamos nessa casa não tinha móveis, então aproveitamos a oportunidade para dar um festão. Fizemos churrasco, mas não tinha grelha, então fizemos uma com varal”, recorda.

A comida também é algo peculiar na casa. “Ficamos aqui comendo só porcaria, miojo todo dia”, afirma. E não tem jeito, é difícil sair alguma coisa diferente, por isso elas já se acostumaram com a alimentação completamente fora das regras e também botaram regras novas no cuidado com a casa.
Claro que acumula louça na pia, mas elas se organizam e, quando uma tem mais tempo que a outra, vai lavando e levando, numa boa. No sábado, faxina é um castigo organizado: uma vez por semana uma escolhida lava a roupa de todo mundo. “E dá certo”, garante.

O segredo, segundo ela, é levar tudo na brincadeira, no melhor humor possível. “Isso de briga a gente não tem, porque tentamos resolver tudo na conversa. Acho que esse é o segredo”, acredita.

 


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


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