Sonho de papel

A encantadora arte da dobradura de papel – o origami – poderia se chamar também a arte da paciência. Para o advogado mourãoense e professor universitário Dirceu Alberto da Silva é um passatempo ideal e divertido. De tanto gostar já ganhou prêmios e, de vez em quando, encara um concurso pelo mundo afora mostrando suas técnicas e habilidades.

O origami é a arte de dobrar papel, uma arte milenar chinesa adotada e aperfeiçoada há mais de mil anos na Corte Imperial japonesa, onde era conhecido como um passatempo interessante e divertido. Mais tarde esse foi apresentado ao povo, que o adotou com entusiasmo e o transformou numa arte.

Apesar de ter conhecido e se encantado com o origami ainda na escola primária, no Rio de Janeiro, Dirceu descobriu como fazer origamis com um amigo escultor e perito em obras, que trabalhava na Lapa. Apaixonado pelo exercício de dobrar papéis, coletou muito material por onde andou e leu muitos livros, especialmente em francês, idioma de que gosta muito. Conhecendo um movimento francês de dobradura de papel, se inscreveu em um dos seus concursos internacionais com tema da Revolução Francesa e foi classificado. Também participou de um concurso na Espanha, com um aviãozinho. “Eu tive que inventar esse avião, porque os projetos eram todos originais, não podiam ser cópias. Mas nesta arte, naturalmente, tem os projetos clássicos que podem ser feitos, como o tsuro, que é um pássaro. No Japão, o fato de dar um passarinho desses para alguém é um voto de saúde e prosperidade”, destaca.

“Origami é uma cachaça, né. A rapaziada do escritório, para tirar o estresse, vai pescar. Não vou para o boteco ou pescar. Então eu me distraio com o origami. Não aguento futebol na televisão porque eu fui acostumado a ver no campo. Nela você vê a bola, não o jogo. E eu gosto de ver o jogo, então faço origami. Acaba o jogo e eu tenho um monte de caixinhas feitas. Esta arte se encaixa em qualquer lugar e em qualquer situação da sua vida. Onde tiver um papel eu dobro, não interessa se é na fila de banco. É uma coisa meio instintiva, natural”, comenta o advogado.

Dirceu lembra que esta arte é muito presente na vida das pessoas, mesmo que não percebam, como os chamados origamis arquitetônicos, que se aplicam muito em livros e também nas embalagens do dia-a-dia.  “É a expressão mais simples do origami. Nas embalagens, o fundamento da montagem é puro origami, como as caixinhas de presentes das grandes redes de alimentos. Na essência é muito simples, é uma dobra pra cima, uma dobra pra baixo. Existem sete formas básicas para trabalhar o papel e a partir delas se faz qualquer coisa. É como se fosse uma escala musical, se as decora, faz o que você quiser. Mas tem que saber a escala, nome da nota e tal. Com pouca coisa você consegue um resultado incrível. Hoje dizem que o origami vai começar a entrar na indústria do vestuário: as roupas, à medida em que não precisam mais durar dez anos, têm que começar a ser feitas com uma presença maior do papel porque se descarta depois”, justifica.

Fascinado pela técnica, lembra que a grande vantagem do papel é que é um material barato e simples. “Se você fizer e não gostar é só amassar, jogar fora e pegar outro pedaço. Eu uso até papel de presente, que a textura ajuda para fazer caixinhas, é mais encorpado para poder ficar um trabalho mais firme. Eu gosto muito é da parte da criação, de começar a dobrar e não saber onde vai chegar. Eu me lembro de algumas situações de quando vim morar no Paraná. Morava em uma pensão lá em Ubiratã e à noite, dobrando papel, me assustava porque o resultado vinha pronto e é assim: brota de uma maneira rica, com resultados inesperados”, conclui.

Por: Regina Lopes
Fotos: Fernando Nunes


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