Piano e bar

Afinador de pianos, Abimael Mazini é mais uma destas figuras interessantes da região, que Metrópole descobriu e apresenta nesta reportagem.  Sua afinidade com a música supera a técnica de consertar pianos e ele se assume como músico ao tocar vários instrumentos como acordeon, piano e órgão. Expandindo sua experiência profissional e de vida, resolveu, há quatro anos, montar um piano bar em Peabiru – cidade em que nasceu – onde também se arriscou a cantar.  Aos 50 anos e com 34 anos de profissão, se orgulha de poder viver de música.

Abimael conta que nasceu em uma família onde se respirava música, a começar pelo pai que o presenteou, aos oito anos, com um pequeno acordeon. Aos onze ganhou um acordeon profissional. Aprendeu a tocar observando o pai, que também o ensinou a ler as notas em partituras. Entre seis irmãos músicos, foi o único que tomou a música como profissão. “Quando eu tinha 10 anos, em Peabiru, chegou o primeiro órgão eletrônico. Ao conhecer, me encantei. Mais tarde, um tio de São Paulo, que tinha mais posses, comprou um piano. Ao ouvir o som pela primeira vez achei impressionante, divino. O Piano é um instrumento acústico que tem a capacidade de misturar sentimentos, mexer com a alma, ele interage totalmente com você, é majestoso. No entanto só pude ter o meu depois de muito tempo. Hoje tenho três em casa”, fala.

Abimael conta que aos 17 anos foi trabalhar na fábrica montadora dos pianos Essenfelder, em São Paulo, onde teve oportunidade de conhecer tudo o que sabe da profissão, passando por todas as etapas da montagem, regulagem e alinhamento. Aos 20 anos assumiu a assistência técnica da marca, trabalhando por vários lugares do País. Ficou na empresa até a fábrica fechar.  Hoje ainda atende parte do Paraná e Mato Grosso para assistência da Essenfelder e também é autorizado das marcas Fritz Dobbert e Gambitt(que fabrica órgãos eletrônicos).

“Afinar é uma atividade matemática. Mas cada afinador tem sua sensibilidade, o instrumento acaba ficando como quer. É um dom. Tenho vantagem de saber tocar, assim, ao afinar, posso sentir o peso das teclas e, com o ouvido, vou trabalhando, até chegar ao som ideal. Levo cerca de 2 a 3 horas para afinar um piano de parede e cerca de 5 horas para um de cauda. Esta é minha especialidade há 30 anos”, esclarece orgulhoso.

Abimael diz que o piano é especial porque é um instrumento 100% artesanal e cada um é único, original. “Na Essenfelder fabricavam cinco pianos por dia, nenhum igual aos outros. Se você tiver 10, todos eles são diferentes entre si. Além disso, tem as variantes de modelo, de cauda, de parede, etc. É um instrumento acústico de corda, percussivo, porque toca batendo na madeira, o que faz muita diferença em relação a outros instrumentos, a tábua harmônica propaga o som. Em termos de música, é rei. Toda base começa nele, toda composição tem que ter a harmonia que sai dele. Você usa mão direita e esquerda e, por ser acústico, o recurso é a alma e o aprendizado é a técnica. É um instrumento tão particular que, para trabalhar, é inspiração. Às vezes trabalho à noite, depois que o bar fecha”, destaca.

Entre seus muitos clientes, o afinador diz  que tem dois especiais em Campo Mourão, a Casa da Música e a Casa da Cultura. “Estou restaurando o primeiro piano que foi doado para a Casa da Cultura. Ele estava abandonado chegou a tomar chuva, o móvel estava bem comprometido. Estou há dois anos nele: já restaurei o móvel, realinhei a madeira e estou mexendo com a parte mecânica. É um Zimmermann, marca alemã de renome mundial, que deve ter cerca de 70 anos. Já restaurei outros deles também e sempre presto serviços para eles”, conta.  Abimael já atendeu clientes renomados como o pianista Pedrinho Mattar e foi técnico da Essenfelder para o Teatro Guaíra (em Curitiba), do piano orquestral deles.

Trabalhando atualmente na sala de casa, Abimael tem três pianos. Um deles é um Wenderclang, genuinamente alemão, e não se desgruda do acordeon. “Quando cheguei em São Paulo, tocava acordeon e órgão. Participei de bandas de todos os tipos, de duplas, de muitas formações musicais. Comecei a tocar piano por acaso. Estava em uma casa noturna, o pianista não veio, insistiram para eu substituir e fui tocar. Em um mês fiquei com o emprego de pianista”, fala rindo.

Há 10 anos de volta em Peabiru, Abimael, que retornou por causa do pai, acabou ficando devido à proximidade com os muitos mercados que atende e porque conheceu a esposa, com quem resolveu montar o piano bar há quatro anos. “A idéia era ficar no Mato Grosso, mas fui ficando e adquirindo clientela na região, a partir da Casa da Cultura de Campo Mourão, e acabei por realizar um sonho antigo de um piano bar”.

No Empório Piano bar, Abimael toca piano, acordeon e canta, todos os dias, de segunda a segunda, música de cardápio, como faz questão de dizer. “Comecei a cantar no piano bar por necessidade, os músicos que eu contratava não tinham repertório. Montei uma pasta e fui cantar. Lá toco bolero, samba, bossa nova, flash back, MPB. Tem pista de dança, iluminação e sertanejo não entra, porque não combina com a ambientação. Em três anos já cresceu muito e mudamos de lugar por três vezes. Tenho cadastrados 120 clientes, a maioria de Campo Mourão. É um lugar tranquilo, para quem quer sair da rotina”, explica.


Sobre o Autor

Metrópole Revista
Metrópole Revista

Revista de variedades.

0 Comentários



Seja o primeiro a comentar!


Deixe uma Resposta


(obrigatório)


Nunca mais perca uma postagem. Informe o tipo de conteúdo que você deseja receber e ganhe um cupom de desconto para uma compra na metropolestore.com.

Fica tranquilo, não enviamos spam.