Marcos Lira – Adrenalina

Os esportes radicais mexem com as pessoas que, em busca de adrenalina, aventuras e emoções, arriscam o pescoço e até a alma para superar seus limites. Intrépidos e corajosos desafiam os elementos da natureza em busca de satisfazer a curiosidade, transpor limites e alcançar a glória.

O jovem empresário mourãoense Marcos Francisco de Lira de Souza, de 30 anos, é típico exemplo de quem gosta de concentrar-se nos esportes radicais e se identificar com riscos e desafios. Com um currículo que registra muitos tombos e passagens pelo motocross, bungee jumping, esqui, rapel, aviação e paraquedismo, Marcos hoje encara aventuras apenas nas horas vagas. Mas a mania está enraizada desde a infância quando já rampava com bicicletas ou subia numa moto sem nem encostar os pés no chão.

“Aos oito anos já pegava motos da família ou descia embalado na bicicleta para rampar num terreno perto de casa, com um primo e meu irmão. Com roller, rampava em cima de canos. Aos 12 anos, num parque dos EUA, fui a todos os brinquedos, incluindo a montanha russa. Com 17 anos já pilotava avião, no Tiro de Guerra fazia rapel. Já encarei mergulho no mar, bungee jumping, esqui na neve e na Usina de Campo Mourão. Sempre estou pronto, visto a roupa, o equipamento e nem preciso de muito ensaio ou treinamento, tenho facilidade em aprender e me adaptar a qualquer modalidade”, diz Marcos.

Atendendo aos pedidos do corpo por mais adrenalina, Marcos encarou peripécias com motos em competições pelo interior do Paraná. “Ganhei mais de 20 troféus de Motocross e Cross Country e até como melhor piloto de trilha”, diz. Mas foi neste esporte que testou também os limites do corpo, com muitas quedas e lesões, “nada muito grave”, como faz questão de deixar claro.

“Quebrei braço, machuquei o rim batendo em uma vaca, em uma estrada. Numa corrida do campeonato paranaense machuquei o joelho esquerdo, na Copa Oeste aterrissei em cima de outro competidor. Em Goioerê o maior susto de todos: quando bati a costela e fui parar no hospital. De tanta dor, quase não conseguia respirar e os médicos ficaram com medo de hemorragia interna, mas eu só estava com o abdome enrijecido por causa da dor. Outra vez levei seis pontos na perna, fazendo trilha. Já fraturei o joelho e caí de arrancar a cerca e não machucar nada. Andando com trilheiros, saí na curva esfregando o chão a 80 por hora. Uma vez saltei em uma rampa de 35 metros de comprimento, a moto quebrou na aterrisagem, entortou inteira e não me aconteceu nada. Meus amigos se assustaram. Penso que tenho mais sorte que juízo”, brinca.

Marcos diz que a família já se acostumou e não liga tanto para suas aventuras. Eles sabem que me cuido e sempre usei equipamentos de proteção que ajudam e podem minimizar os efeitos das quedas e evitar lesões mais graves”, justifica.

Entre os desafios vencidos por Marcos está a subida do Morro do Marioti, uma trilha que é quase uma escalada, de tão íngreme e alta. “Fui um dos poucos que subiram com motos maiores, outros tentaram e não conseguiram, acho que só tem eu e o Wilson. Além de saber andar, não pode ter medo de acelerar, porque o morro é comprido. Eu me arrisco mais, estou sempre tentando e, por isso acerto mais. Tem que encarar o desafio, insistir. O dia pode ser do morro mas no outro você ganha dele”, fala.

A paixão por moto é tão intensa que ele já teve várias. A de competição era uma Honda 250 cilindradas, mas entre as esportivas foram quatro: uma de 500, da Honda, duas 750 da Suzuki e uma de mil cilindradas. Hoje tem uma KTM 350. “Não tenho medo, já cravei mais de 300 por hora, numa aula do curso de pilotagem esportiva, descendo a serra da BR 116, acompanhado do instrutor. Até gravei no celular. Gosto de esporte radical, mas sou preguiçoso, não fico programando, planejando, andando atrás, mas se pintar a vontade encaro de boa e vou em frente”, conta.

Sua mais nova paixão é o paraquedismo e o piloto já descobriu uma forma de aumentar as emoções a cada salto. “Aos 17 anos iniciei um curso com o instrutor Schneider, fiz alguns saltos duplos e solos. Depois de 12 anos deu vontade de novo e em 2010 voltei ao curso na Sky Divers, em Arapongas. Já saltei mais de 100 vezes em Arapongas, Londrina, Campo Mourão, Regente Feijó e Tupi Paulista. Encarei salto de balão, helicóptero e com nosso avião”, comenta.

O paraquedas pode alcançar em queda livre até 220 quilômetros por hora. Para radicalizar, desafiar o vento, as nuvens e a gravidade, Marcos já fez até salto head down (de cabeça para baixo, que pode passar de 350km/h). “Ficar normalmente não tem graça, é preciso exagerar para superar limites, buscar sempre mais adrenalina. Depois de uns 70 saltos e com mais experiência, troquei o paraquedas padrão (210 feets) para outro de menor velame (150 feets), que é 30% menor e chega ao chão mais rápido. Com ele posso fazer muitas manobras e giros, apenas é preciso cuidados maiores na hora do pouso. É preciso muita habilidade, domínio e concentração  porque você vem com muita velocidade, mas ainda assim é seguro. As estatísticas apontam que os acidentes são raros”, comenta.

“Não sei o que mais poderia fazer, mas um novo desafio pode ser saltar e pousar em cima de uma lancha na Usina. Para isso conto com a parceria da família e dos amigos”, conclui.


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