Magali Staniszewiski, uma nova direção

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Tem sido cada vez mais comum a presença das mulheres no automobilismo. Em Campo Mourão nossas representantes estão fazendo bonito papel no kart. Uma delas é Magali Trevisan Staniszewiski, da categoria Iniciantes Sênior, que, enfrentando os perigos das pistas redescobriu que cada dia é um dia de novas descobertas e conquistas. 

Superação
Para ela, correr não representa perigo, como muitas mulheres temem, mas superação total. Foi num cockpit que ela venceu traumas pessoais e decidiu se aventurar nas pistas. “No decorrer da minha vida tive problema de coluna, cheguei a ficar um ano sem andar. Fiz cirurgia e coloquei três pinos na coluna. Depois os meus filhos saíram de casa para estudar e tive a síndrome do ninho vazio e uma depressão profunda. Mas, de repente virou tudo. Sofri um acidente e fiquei cinco dias na UTI. Saí outra. Falei: estou viva e não vou mais chorar por qualquer coisa. Vou é viver a minha vida. E o kart estava ali presente. Parece que o sangue que corria nas minhas veias já era de corredora. Passei a curtir aquele kart, aquela competição, aquela força. Na vida se mata um leão por dia. Ali a gente se descontrai, curte a família e os amigos”. Hoje de tão motivada, Magali pratica até surf nas praias de Santa Catarina e encara outros esportes radicais.

O começo nas pistas
Dizem que filho de peixe, peixinho é. No caso desta corredora, foi o filho, piloto, quem a motivou a ir para dentro de um kart e correr pelas pistas do Paraná. No início só ia ao kartódromo para acompanhar o filho Silvio Júnior (Zuquinho) – que hoje é piloto de nível nacional e o marido Silvio. Ao dar uma força aos dois, Magali acabou por gostar. “Corro há mais de dois anos. O kart é assim. Há sempre uma relação de
amor e ódio com ele. Então quem gosta, aprecia o cheiro, o barulho, a correria dos mecânicos e tudo. E eu comecei a gostar daquilo e é uma coisa que nunca tinha passado pela minha cabeça. Fui treinando, melhorando, e disputamos entre equipes de Campo Mourão, Maringá, Cascavel, e da região toda”, explica.

Igualdade
Uma mulher sempre chama atenção num ambiente predominantemente masculino como um kartódromo. Magali principalmente, por ser mais madura. Ela lembra que a presença da família também impõe respeito e isso gera tranquilidade. Mas vive intensamente a disputa. “Temos muita gente boa nas pistas, até algumas mulheres, mas poucas com a minha idade. A gente encara e compensa com mais vontade, garra, determinação, gana, se superando. Os homens até são cavalheiros, dão dicas, incentivam, mas nas pistas não existe lado, é cada um por si. Alguns até não gostam e nem admitem perder. Mas lá dentro eu sou igual a eles, sou uma piloto, lá estamos para matar ou para morrer”, comenta com bom humor.

A piloto
Magali treina nos autódromos de Campo Mourão, Irati ou em outras cidades, como Cascavel. O carro foi montado especialmente para ela, com banco menor. “Eu comecei com um kart com menos potência e agora eu estou com um bem mais potente, um Parilla X30, que deve pegar no fim da reta uns 110 quilômetros. Ele corre bastante e dá pra competir, porque as corridas são 50% o equipamento e 50% o piloto, o braço. Com a pista se aplica a inteligência na hora de ultrapassar e a estratégia. Então, um depende do outro”, explica.

No que diz respeito ao desempenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.

Na equipe estão um mecânico que é de Maringá (Robinho), o patrocinador (marido Silvio Staniszewiski) e o ajudante do mecânico (Fernandinho). Mas, ela garante que também já tem aprendido algumas coisas, como trocar óleo, enganchar correia, coisas bem básicas. “Eu já sei fazer acertar o motor. Por exemplo, se estou na pista e observo que está gordo, que a vela está muito encharcada, percebo e volto para o box para ver o que está acontecendo. Com o tempo a gente vai sentindo o motor, se tem mais torque, se não, e outras coisas que a experiência vai acrescentando a partir dos treinos e competições”, avalia.

Na curta carreira de dois anos, Magali já conquistou vários troféus e tem momentos marcantes para contar, incluindo lembranças de incidentes. “Já quebrei o kart na hora de sair para competir, e sempre acontece, porque ele tem uma mecânica delicada. Uma coisinha que falte você já não consegue mais andar. Por mais que os mecânicos sejam dedicados acontece de não dar certo, ou quebrar no meio da corrida. Já tive algumas batidas leves, mais nunca me machuquei. Uma vez que eu quebrei a costela na primeira bateria. Amarrei uma faixa e fui para segunda bateria e ao entrar na pista não senti mais a dor. Fui até o fim”, esclarece.

Bem habituada às dificuldades como piloto, esclarece que algumas pistas, como as de muitas curvas são mais difíceis, depende mais do piloto, e que prefere kartódromos de alta velocidade, porque exigem menos do piloto, aplicando menos força e mais estratégia. “Com chuva é mais difícil de correr porque o carro não para na pista, tem que ter um pneu especial. Mas, quando a gente entra na pista é uma coisa incrível, parece que some tudo, até o medo e o calor de 40 graus embaixo daquela roupa. A hora que eu coloco o capacete eu não sou mais mulher, eu sou piloto e ali vou dar tudo de mim”, argumenta.

Lições
As muitas lições do mundo da velocidade também podem ser aplicadas na vida, segunda ela. “Aprendi a competir, a respeitar os adversários, a não temer a vida. Tinha muito medo de tudo, e tudo era problema. Nas corridas uma equipe ajuda a outra. Trouxe isso para minha vida, o espírito de solidariedade, de enfrentar com mais gana, com mais determinação, com mais sabedoria. E, até mesmo para dirigir. Antes eu tinha aquele medo de sair na estrada, o kart me deu uma segurança tão grande que hoje eu viajo com a maior segurança do mundo e sabendo o que eu estou fazendo”.


Sobre o Autor

Regina Lopes
Regina Lopes

É jornalista há 27 anos, editora da Revista Metrópole e jornalista da Prefeitura de Campo Mourão.

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