Hot Rod Bel Air 1953

O CHEVROLET Bel Air 1953 do empresário mourãoense Gustavo Boiko está na família há décadas, mas só agora, novinho em folha, desperta a atenção de todos por onde passa.

O carro, que pode ser visto nas páginas do editorial de Moda da Metrópole – e também esteve exposto durante a Festa do Carneiro no Buraco – é gêmeo de um carro comprado pelo pai de Gustavo Boiko, que tem uma paixão especial por carros antigos. “Meu pai comprou dois carros para fazer um, porque eram difíceis as peças desses modelos na parte de acabamento”, conta.
Assim, com dois carros, o pai fez o seu, todo original. O carro que hoje pertence a Gustavo ficou por anos largado, feito sucata. “Ficou muito tempo jogado na casa da minha empregada. Na verdade, esse carro era um canil, o cachorro dormia dentro”, revela. “Para eu tirar o carro de lá tive de passar na farmácia e comprar remédio para pulga, de tanta que peguei. Trouxe o carro pra cá, com muita terra dentro”, se diverte.
Da aventura que foi o resgate do automóvel até o processo de restauração, foram 10 anos, que Gustavo considera uma jornada. “Quando tirei ele da garagem ele tinha lataria e chassi só. Motor, não tinha nada de diferenciado. Só lata. Estava podre demais, muito tempo guardado. Achei um senhor pra mexer na lataria do carro, mas ele se adoentou e se aposentou. Aí passou por três empresas na cidade”, ressalta.

Meu pai comprou dois carros para fazer um, porque eram difíceis as peças desses modelos na parte de acabamento

Como o trabalho era complicado, lento e não achava quem estivesse disposto a levar seu projeto adiante, a solução foi ir adiando a restauração. Quando achou que não teria mais jeito, recebeu o telefonema de uns jovens mecânicos de Pitanga, que demonstraram interesse em “fazer” o carrão. Muito jovens, os rapazes, no princípio, causaram certa insegurança, mas ainda assim o empresário resolveu apostar para perceber, na prática, que a pouca idade dos especialistas era inversamente proporcional ao profissionalismo com que desempenhavam o trabalho, que foi desenvolvido em conjunto com o empresário.

Ele explica que, como estavam fazendo uma modificação, ele era consultado para cada mudança pela qual o carro passava, o que transmitia parte do trabalho para ele também, que é engenheiro mecânico.

Cara nova ao Bel Air 1953

Contrastando com o Bel Air do pai, o carro de Gustavo, que foi comprado de uma viúva de Prudentópolis, perdeu as quatro portas originais e ficou só com duas. O teto também foi rebaixado e pequenas outras alterações foram feitas. O motor é importado, a suspensão é computadorizada e independente, diferencial e caixa de câmbio são nacionais. O conforto é garantido, assim como o consumo de combustível, altíssimo.

Ele não queria que eu mexesse, porque pra ele, carro pra ser bonito tem de ser original, mas hoje ele só anda com ele

“Um litro não dá pra mais do que quatro ou cinco quilômetros na estrada”, brinca Gustavo. O consumo alto, no entanto, não preocupa, porque o carro é somente usado em ocasiões ou viagens especiais, para curtir o possante. Para o dia a dia é complicado. Ele conta que, na cidade mesmo, não tem dia certo para usar, mas geralmente é no sábado à tarde, para dar um passeio. Como foi completamente reconstruído, o carro não tem restrição nenhuma para rodar, seja na cidade ou na estrada, e também não decepciona, seja pela potência ou pelo conforto.

Herança de família

Quem vê o carro pronto, bonito e imponente, não imagina o tempo gasto para que ficasse do jeito que está, nem a história que tem. Preterido na restauração, o possante chegou à família Boiko há mais de 20 anos, segundo Gustavo. “A paixão veio do meu pai. Ele sempre gostou de carro antigo e comprou esse carro quando eu devia ter cinco ou seis anos”, destaca. Quando ele resolveu botar o carro para andar de novo, por mais que ele estivesse em estado lamentável, o pai foi contra. Isso porque defende a restauração original, sem as modificações que foram feitas. “Ele não queria que eu mexesse porque, pra ele, carro pra ser bonito, tem de ser original. Mas hoje meu pai só anda com ele”, brinca.
E o carrão hoje é só alegria e orgulho. “É um carro exclusivo, ninguém tem igual e ele chama a atenção”, ressalta. Por isso, hoje, por mais prazer que o carro proporcione, Gustavo dirige, estaciona e sai de perto. “Já cansei de abrir capô, abrir porta e falar do carro. Hoje deixo o carro e saio de perto para as pessoas tirarem foto, porque se não vou ter de falar a mesma coisa para 500 pessoas”, conta.

Reportagem: Regina Lopes   /  Texto Gracieli Polak

Fotografias: Fernando Nunes  / Fotos do Bel Air em fase de montagem: acervo pessoal


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