Paixão por orquídeas

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Pedro Pendiuk encontrou no cultivo de orquídeas o equilíbrio entre saúde e diversão. Hoje ele possui 2.500 vasos em seu orquidário e conta sua história e dá dicas para quem gosta desta planta, mas tem dificuldade para cultivá-las.

O cultivo de orquídeas entrou na vida de Pedro Pendiuk como um tratamento de saúde. Em um curto período de tempo ele teve diversos problemas, mas não recebeu um diagnóstico que indicasse o que causava tantos problemas. Foi um farmacêutico que deu a dica: o estresse poderia estar afetando a saúde de Pedro e a cura era encontrar uma atividade desestressante para praticar. Ele começou a cultivar orquídeas como hobby e logo veio a paixão. “Quando você começa a conhecer mais sobre as orquídeas, cada broto, cada raiz que nasce nas plantas é muito especial”, comenta Pedro. Os problemas de saúde ficaram para trás.

Atualmente, Pedro tem o orquidário São Francisco, com mais ou menos 2500 vasos na chácara onde mora em Campo Mourão. Seu filho, Francisco Pendiuk, também cultiva e pegou gosto pela atividade do pai. “Eu nunca pedi, mas ele foi criando este interesse. Ele me ajuda com conhecimento e principalmente com a classificação das plantas. Eu sou mais de colocar a mão na massa”, conta Pedro, que começou a colecionar orquídeas em 1994. Com o aumento de plantas, ele precisou montar um orquidário, que depois foi ampliado para o atual. “Em 2001 eu tinha cerca de 600 vasos de orquídeas, mas teve uma geada muito forte na região e eu acabei perdendo 90% do meu orquidário por falta de conhecimento. Agora, no inverno, eu cubro todo o orquidário com filme plástico”, comenta.

O interesse inicial veio depois de visitar uma exposição de plantas em Goioerê, onde morava na época. Segundo ele, a primeira orquídea que marcou o início desse hobby foi ganha em uma viagem ao Mato Grosso. “Eu fui à casa de um amigo e lá tinha um tronco coberto de orquídeas. A espécie é a Nobilior, muito bonita e nativa daquela região. Aí me chamou a atenção e a dona da casa arrancou um pedaço de uns 50 centímetros e me deu”, lembra. O problema é que naquela época, ele não sabia direito como cultivar. “Eu achei que cortando cada uma das folhas junto com o rizoma, já que cada folha tem uma gema de brotação, eu iria ter umas 10 mudas e ia dar certo. (…) Só uma daquelas mudas vingou. O resto eu perdi”, relembra.

Pedro aproveita e dá a dica: para fazer uma boa muda é preciso de no mínimo três ou quatro folhas com rizoma. “Além disso, digamos que você corte três ou quatro folhas com rizoma, da frente da orquídea e replante. Esta planta vai dar flor em um ano enquanto que aquela parte traseira que ficou no vaso, terá flor só depois de três ou quatro anos”, explicou. Segundo ele, esta informação é importante para quem gosta de comprar orquídeas em sociedade. “Pelo valor alto, tem muita gente que compra plantas assim e depois separa a planta em duas ou mais. Mas se o replantio não for bem feito, alguém pode ficar três ou quatro anos sem ver uma flor”, completa.

Ele diz que tem muitos vasos, mas um dia espera chegar às 30 mil plantas. “Existem muitos gêneros e espécies. Já são conhecidas quase 40 mil espécies de orquídeas e dentro dessas espécies há diversos cruzamentos”, destaca. O orquidário São Francisco não existe para comercialização, mas eventualmente acontece. “As pessoas vêm aqui e acabam querendo, então nós temos sim algumas plantas que comercializamos”, explicou.

Segundo ele, outro trabalho que ele faz é o de hospital, pois algumas pessoas pedem para que ele recupere a orquídea. “A orquídea não é difícil de cuidar, mas precisa ter o mínimo de conhecimento”, destaca. E é este conhecimento que ele compartilha a seguir.

Como cuidar de orquídeas?

Quando se pensa em orquídeas, logo vem à mente da maioria das pessoas os gêneros Cattleya e Phalaenopsis. Essas são as mais comuns e são as que vendem nas floriculturas. Pedro diz que, em geral, elas não gostam de frio e nem de estarem encharcadas, mas não são difíceis de cuidar. “A Phalaenopsis é uma planta que não gosta de frio de jeito nenhum e precisa de 90% de sombreamento. A Cattleya precisa de 50% a 70% de sombreamento. Elas não gostam de sol pleno, mas tem que ter bastante luz”, diz Pedro. Segundo ele, o melhor lugar para se cultivar orquídeas é próximo à natureza. “Embaixo de árvores, numa varanda, num quintal. O vento forte é prejudicial quando está saindo flor”, destaca. E também não é bom deixá-las no chão, pois facilita a entrada de pragas como a lesma.

Sobre a irrigação, Pedro alerta: não regue à noite. “A orquídea não gosta de dormir com os pés molhados”, brinca. O vaso da orquídea não precisa de terra e nem do pratinho de água. “A orquídea não gosta de estar encharcada. Então o pratinho não funciona, mas é preciso irrigar sim”. Ele completa dizendo que seu orquidário é irrigado todo dia, a quantidade diária é controlada. “É um pouquinho de água por dia e ela estará sempre úmida e nunca encharcada”.

É de pouquinho também que se faz a adubação. “A adubação dela é lenta. O adubo na pulverização é 1 ml de adubo para cada litro. Se for colocar adubo sólido coloque na borda do vaso, uma colherzinha de chá a cada 15 dias”, diz. Se for pulverizar, Pedro diz que é possível usar um borrifador. No substrato, ele utiliza casca de pinos, fibra de coco, musgo, argila expandida e até brita pode ser usada já que o xaxim foi proibido.

As preferidas:

“Existem algumas plantas muito pequenas que me chamam muita atenção”, diz Pedro ao mostrar uma planta com flores do tamanho de um pernilongo. Mas algumas das plantas que foram mais almejadas são maiores. A Granulosa é endêmica do cerrado e Pedro conseguiu-a ao fazer uma troca. “O dono queria plantas do sul e eu, do cerrado”. Outra planta exótica em seu orquidário é a Paphiopedilum, também conhecida como Sapatinho de Vênus, nativa da região da China, Índia, Sumatra e outros locais com altitudes que passam dos 1.000 metros.

Atualmente, Pedro não retira nenhuma planta da natureza e nem recomenda, pois muitas orquídeas já desapareceram da natureza pela ação do homem, que faz coleta e provoca queimadas e derrubadas. “Sem falar que ao tirar da natureza você não tem certeza se ela vai desenvolver”, completa.

Fotos: Fernando Nunes e Francisco Pendiuk


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Liandra Cordeiro
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