Os Amigos de Baco

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Uma garrafa de vinho, uma porção de comida gostosa, um poema de Fernando Pessoa e muita alegria para acompanhar. Sem rituais, sem complicações, sem mistério. O deleite de beber um vinho somente por ele mesmo, na companhia de bons amigos. Assim são os Amigos de Baco, a segunda confraria entrevistada por Metrópole para a série sobre os degustadores de vinho de Campo Mourão.

Eles são apenas cinco amigos, mas com animação suficiente para preencher o apartamento inteiro. Camila Fiorese, a anfitriã da noite, Ivete Doneda, Simone Gonçalves, Matheus Mamede e Reginaldo Franklin Livonse reúnem-se, pelo menos uma vez ao mês, com o objetivo de degustar vinhos escolhidos a dedo para eles.

Os Amigos de Baco começaram a se reunir durante os almoços de trabalho, todos os dias, unidos pelo cotidiano. Todos, com exceção de Reginaldo, são funcionários do Senac. Camila é gastrônoma, Ivete é técnica de alimentos, Simone, nutricionista e Matheus não tem experiência na cozinha e normalmente é rebaixado ao cargo de ajudante, mas o técnico de relações comerciais fez amizade com as mulheres da mesa. “Chegou aquela hora em que as reuniões durante o almoço não bastavam. Nos tornamos amigos e queríamos nos reunir mais vezes, conversar sobre assuntos externos ao trabalho, estreitar as relações”, conta ele.

O quinto membro do grupo, Regi, é o único que não pertence ao ciclo de trabalho, e por isso chegou para equilibrar as reuniões e trazer novos assuntos, além da companhia. Afora as saídas para refeições e uma ou outra cervejinha, a ideia de consumir vinho – e também uma comida especial – foi surgindo entre os amigos. Para facilitar a incursão nesse mundo, a sugestão de Camila, de que se associassem a um clube de vinhos, foi pontual. “Já conhecia a Sociedade dos Livres Prazeres da Mesa e todo mundo resolveu experimentar. Nos associamos, chegaram as primeiras garrafas e começamos a nos reunir, agora em torno do vinho”, conta ela.

Com isso, a confraria estava estabelecida, com o compromisso de uma vez ao mês acontecer uma reunião que tivesse como principal mote a degustação dos vinhos, com a mãozinha da Sociedade da Mesa, que escolhe e manda esses vinhos. Além da bebida, no clube de que os amigos são associados, todo mês chega ainda uma revista especializada, que não só fala dos vinhos da vez, mas também sobre as possibilidades de degustação. E o que muito interessa para as mulheres do grupo: possibilidades de harmonização com a comida. Porque, embora o vinho seja especial, a comida não fica muito atrás, não.

 

Prazeres da Mesa

Com a carta de vinhos na mão e a revista de material de estudo, as reuniões são organizadas por equipes, que se revezam na hora de cozinhar. “A gente pensa no vinho e no prazer que ele proporciona. E quando ele faz par com uma boa refeição, o casamento é perfeito”, ressalta Matheus. E com tanta gente especialista em comida, a disputa pelas atenções é acirrada. Muito acirrada.
Para a reunião a que Metrópole foi convidada, no cardápio tinha filé mignon com redução de vinho, purê de batata salsa e aspargos salteados – só para começar. O capricho na hora do preparo da comida fica por conta dos conhecimentos profissionais das mulheres, que levam muito a sério o jantar. “Nem sempre a gente tem a possibilidade de comer uma comida realmente gostosa, então, se somos especialistas no assunto, a gente mesmo pode fazer”, frisa Camila.

 

Vinhos para todos os gostos

Como a degustação não é só de comida, é claro que os vinhos têm grande destaque nos encontros, inclusive porque é em torno deles que as reuniões são planejadas. Camila, além de ter passado um tempo estudando gastronomia na Europa, tinha o hábito de degustar a bebida com certa constância em casa, mas todo mundo, independente da simpatia que tinha pela bebida, nem sempre estava com uma taça na mão. E tinha até quem achasse que degustar vinho era uma coisa muito complicada. “Gostava de vinho, mas a gente não sabia por onde começar e a facilidade propiciada pela Sociedade era o que a gente buscava”, conta Simone.

Além da carta na manga das degustações escolhidas pela Sociedade da Mesa, o trunfo que eles tinham contra essa formalidade era a intimidade entre eles. “Sempre buscamos fazer reuniões bem despojadas, sem formalidade. Isso porque o vinho também é uma desculpa para a gente se reunir”, destaca Regi. “Queríamos degustar vinhos, mas de uma maneira livre, sem formalidades. Sentir o vinho, explorar o maior prazer, que é o de tomar a bebida entre amigos, num clima gostoso”, salienta Camila.

Na carta de vinhos já experimentada por eles, estão grandes sensações de países tradicionais, como Argentina e França, Mas também escolhas inusitadas, como um vinho romeno. “Tomamos com grande curiosidade. Quando a gente chegaria, por própria escolha, a um vinho romeno?”, questiona Matheus.

Entre as garrafas que chegaram à mesa dos amigos está o Toro Loco, um vinho espanhol de preço muito acessível, que se tornou sensação não só na Espanha, mas também em grande parte do mundo, depois de uma inesperada medalha de prata em uma das mais conceituadas publicações especializadas em vinho do mundo. O aroma, claro, agradou.

E cada vez agrada mais. “O paladar vai melhorando de acordo com a frequência que se ingere a bebida. Os vinhos vão se tornando familiares, todos têm um histórico e esse conhecimento a gente vai assimilando”, conta Ivete. “O gosto vai se apurando e aquilo que parecia distante, nem é tanto assim. Você começa a identificar a uva e os aromas”, salienta Matheus.

Poema e vinho

Para os Amigos, o prazer maior em se degustar o vinho é poder curtir cada gole da bebida, que deve harmonizar, em primeiro plano, com o ambiente. É na simplicidade e na cumplicidade que têm que eles sentem o prazer do vinho. “Não adianta nada degustar o melhor vinho do mundo e não gostar, não sentir que ele é gostoso”, defende Ivete.

Elementar, para eles, é curtir o momento, por isso, nada é muito ortodoxo nas reuniões. Com a comida pronta ou depois dela, um dos rituais é explorar livros de poesias cuidadosamente dispostos na estante de Camila. Na biblioteca, páginas de Fernando Pessoa e Vinicius de Moraes se destacam. “É de praxe. Sempre depois do jantar e depois do vinho, a gente migra para as poesias”, conta Camila.

E o tom dos encontros se pauta um pouco nos versos, alguns mais dramáticos, outros nem tanto. “O importante é aproveitar não só o vinho, mas também os bons momentos que ele propicia”, defende Ivete.

Ficou com vontade de uma taça de vinho? Experimente, sem culpa no cartório. “Não poderia deixar de fazer um diagnóstico sério: na verdade, a gente só está consumindo vinho para prevenir doenças cardíacas e retardar o envelhecimento”, brinca a nutricionista Simone.

 

Vinhos da Noite

Vinhos da noiteToro Loco, da vinícola Utiel-Requena, Valência, Espanha, safra 2011. Cor vermelho rubi forte, aroma de frutas negras, ameixa, com boa intensidade. Boa combinação entre acidez e álcool. Sabor frutado.

Gouguenheim, da vinícola de mesmo nome, Mendoza, Argentina, safra de 2011. Bonita cor cereja, limpo e coberto. Na boca é amplo e doce. Fácil de beber e de agradar diversos paladares.

Mariana, de Alentejo, Portugal, safra 2010. Produzido com diversas uvas dessa região, apresenta notas doces com aroma de fruta madura. Vinho agradável e fácil de beber.

 

Confira as receitas e como fazer os pratos servidos na degustação de vinhos dos Amigos de Baco, preparados pela chef Camila Fiorese.

 

Bruschetta de Parma e figo

Bruschetta de Parma e FigoIngredientes:

  • Fatias de pão italiano ou pão tipo baguete;
  • Presunto Parma fatiado finamente;
  • Queijo Parmesão em lascas;
  • Rúcula;
  • Figos frescos;
  • Mel;
  • Azeite de oliva;
  • 1 dente de alho descascado.

Modo de preparo:

Em forno pré-aquecido em 160ᵒC, toste levemente as fatias de pão apenas para a casca ficar crocante. Não toste demais, pois o miolo deverá permanecer macio.

Em cada fatia de pão, esfregue suavemente o dente de alho para aromatizar e depois regue com um fio de azeite e oliva.

Monte sobre o pão uma fatia de presunto Parma, em seguida sobre o presunto disponha a rúcula e depois lascas de queijo Parmesão.

Corte os figos na metade e em uma frigideira aquecida grelhe, regando com 3 colheres de sopa de mel, apenas para amaciar a casca e apurar o sabor.

Finalize a bruschetta com o figo grelhado e um fio de mel sobre todo o prato. Caso não encontre figos frescos é possível substituir por figos em calda ou nozes levemente tostadas e picadas.

 

Mignon ao vinho tinto e chimichurri

Mignon ao vinho tinto e chimichurriIngredientes:

  • 1 peça inteira e limpa de filé mignon;
  • 1 garrafa de vinho tinto seco (usamos vinho Argentino, feito com a uva malbec);
  • 50 gramas de tempero chimichurri desidratado;
  • Sal à gosto;
  • Azeite;
  • 2 colheres de sopa de farinha de trigo;
  • 2 colheres de sopa de manteiga.

Modo de preparo:

Corte o filé mignon em escalopes (bifes de aproximadamente 2 centímetros de espessura).

Disponha em um recipiente os escalopes e espalhe o tempero chimichurri sobre toda a carne.

Em seguida, cubra com o vinho tinto e deixe nesta marinada por 24 horas na geladeira.

Retire a carne e coe a marinada com uma peneira reservando-a para o final.

Escorra bem o caldo da carne e grelhe em uma frigideira aquecida, regada com azeite de oliva.

Depois de grelhar os escalopes, retire-os da frigideira e reserve-os em uma travessa.

Na mesma frigideira onde a carne foi grelhada, sem lavar, acrescente a manteiga e a farinha de trigo cozinhando até incorporar.

Em seguida junte a marinada coada e deixar fervendo em fogo baixo até o molho ficar espesso.

Caso ache necessário, acrescente um pouco de água para diluir ou mais farinha para engrossar.

Assim que o molho estiver pronto volte a carne para a frigideira com o molho e deixe aquecer tudo junto.

Sirva os escalopes regados com o molho.

 

Purê de mandioquinha

Ingredientes:

  • 1 kg mandioquinha (batata salsa, batata baroa);
  • 300 gramas creme de leite fresco (nata);
  • Quanto baste de queijo parmesão ralado fino;
  • Sal.

Modo de preparo:

Descasque e corte a mandioquinha em rodelas de 1 cm de espessura aproximadamente.

Em uma panela coloque a mandioquinha, cubra com água e cozinhe até estar bem cozida. Ela deve cozinhar muito bem até ficar bem mole.

Escorra a água e amasse com um garfo ou espremedor de batatas até formar um purê.

Leve ao fogo o purê com o creme de leite fresco e aqueça até incorporar tudo.

Finalize com queijo parmesão a gosto e acerte o sal se necessário.

 

Aspargos cozidos e salteados na manteiga.

Aspargos cozidos e salteados na manteigaIngredientes:

  • Aspargos frescos;
  • Sal;
  • Manteiga.

Modo de preparo:

Retire o talo fibroso dos aspargos, cortando aproximadamente 3 centímetros da base.

Em uma panela com água fervente, cozinhe-os até estarem macios (al dente).

Retire da água fervente e coloque em uma bacia com água gelada para parar o cozimento. Isso mantém a cor mais verde do vegetal, deixando-o mais bonito para a apresentação. Escorra da água fria e reserve.

Em uma panela aqueça a manteiga até derreter e coloque os aspargos temperando com sal.

Cozinhe por aproximadamente 3 minutos até aquecer.

Sirva como acompanhamento.

O aspargo pode ser substituído por qualquer outro legume que preferir usando a mesma forma de cozimento.

 

Pera cozida ao vinho branco com creme de amêndoas

Pera cozida ao vinho branco com creme de amêndoasIngredientes para a pera:

  • 10 peras firmes;
  • 1 garrafa de vinho branco seco;
  • 800 gramas de açúcar refinado;
  • 2 unidades de canela em pau;
  • 200 ml água.

Modo de preparo:

Descasque as peras, corte em 4 partes iguais em formato de “canoa” e retire as sementes.

Em uma panela grande e alta coloque o vinho branco, o açúcar, a canela e a água.

Ferva até dissolver o açúcar e cozinhe as peras neste líquido até que estejam macias.

Retire as peras da calda e deixe esfriar.

Continue fervendo apenas a calda até engrossar levemente. Reserve e deixe esfriar.

 

Ingredientes para o creme de amêndoas:

  • ½ fava de baunilha ou 1 colher de chá de essência de baunilha;
  • 1 litro de leite integral;
  • 3 gemas coadas em peneira;
  • 300 gramas de açúcar refinado;
  • 30 gramas de amido de milho;
  • 80 gramas de amêndoas laminadas torradas e moídas.

Modo de preparo:

Em uma panela coloque todos os ingredientes, menos as amêndoas laminadas torradas e moídas.

Misture tudo muito bem ainda frio para não empelotar.

Leve ao fogo, cozinhando até engrossar o creme. Quando engrossar acrescente as amêndoas torradas e moídas. Cozinhe por mais 1 minuto para soltar o sabor ao creme.

Esfrie e sirva com a pera em calda.

As amêndoas torradas e moídas podem ser substituídas por qualquer outra castanha de sua preferência e a pera por maçãs verdes.

Para guardar a pera cozida na geladeira cubra a fruta com a calda do próprio cozimento em um pote fechado.

 

Fotografia: Fernando Nunes


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.

4 Comentários


  1.  
    Camila Fiorese

    Showww!! Gracieli Arrasou!!




  2.  
    Camila Fiorese

    Showww!! Gracieli Arrasou!!





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