Criação de cavalos uma paixão hereditária

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Um dia na chácara de criação de cavalos da família Hruschka e é perceptível o amor e o laço que os animais criaram na família. Camila, a mais velha dos três filhos de Celso Hruschka e Natália A. Bolognese, é a que mais tem contato com o mundo equino. Além de analista judiciária, ela cria cavalos com o pai, todos da raça Quarto de Milha. Falando à Metrópole, explicou tudo sobre a criação, os cuidados e a escolha da raça.

Basta conversar com qualquer um da família para concluir que ali a paixão pelo mundo equino é hereditária. “Cavalo é um animal mágico, é como uma doença que se você nasce com ela, não se cura”, compara Camila.

As fotos antigas e os brinquedos registram que a proximidade com os equinos aconteceu quando Camila ainda era criança. E para provar esse amor pelos cavalos, não faltam fotos no Facebook e nomes e apelidos carinhosos que ela deu para cada um. Sem contar os cuidados. Toda vez que ela encontra uma folguinha no trabalho, vai para a chácara acompanhar a criação.

Dentre as inúmeras coisas boas que a convivência com esses animais levou para a vida da família Hruschka, Celso destaca a amizade. “É muito gostoso o círculo de amizade que o cavalo faz. O elo de amizade entre meus filhos foi o cavalo. Ele une a família, e na hora da competição estão todos juntos”, completa ele.

Desde pequenas, Camila e sua irmã Naiany H. Salvadori já competiam com cavalos de raça, mas Celso ainda criava os comuns. Quando as duas se mudaram para Londrina para estudar, ele decidiu vender os cavalos, ficando apenas com duas éguas puras. Depois de terminar a faculdade, marcada pelo amor aos animais, Camila voltou a mexer com cavalos, contando com a ajuda de uma amiga veterinária, para lidar com a reprodução dos cavalos da raça Quarto de Milha. “Eu trabalho com a raça Quarto de Milha por serem cavalos muito dóceis, hábeis e versáteis. Eles são bem procurados no mercado e possuem habilidades que se encaixam em várias modalidades esportivas”, explica Camila.

Hoje, com quatro anos de criação, Camila possui uma média de 40 cavalos, fora os que nascerão ainda nesta temporada. Para ela, economicamente falando, a criação de cavalos é uma atividade perigosa, pois não gera muito retorno, no máximo empata o investimento feito, pois os custos com acompanhamento veterinário, higienização e alimentação são altos.

Na chácara, a rotina vai da alimentação dos cavalos até a visita de vários veterinários, cada um responsável por uma área: inspeção, coleta sanguínea, reprodução, condicionamento para competição e imprevistos.

Separados por piquetes cercados ou baias, o local de criação de cavalos precisa ser sem buracos e acidentes geográficos, com uma cerca de um bom arame ou choque, bem esticada para a segurança dos cavalos. Assim eles vivem, mantendo uma certa hierarquia entre a tropa.

Cheia de simpatia, quando ela chega, os cavalos vêm em sua direção. Guiados pelo olfato apurado, eles reconhecem uns aos outros e ao grupo familiar. É assim também que se mantém o reconhecimento na relação entre mãe e recém nascido. Todos eles são tratados por nomes e possuem certidões de nascimento, uma vez identificados e documentados.

Na chácara de Camila, nascem em média de 10 potros por ano e as éguas mantêm o respeito umas com as outras, se necessário até cuidando do potro da outra égua. Caso o potro nasça com algum tipo de problema de formação, a égua geralmente o aceita como aceitaria outro filhote.

Camila não pretende aumentar a criação e conta que não possui um cavalo preferido, pois isso vai da intimidade com o que monta, mas assume gostar de todos. “A cada dez potros, geralmente perdemos um ou dois, portanto, é uma taxa de 20% de perda. Mesmo sendo trabalhoso, é muito gratificante”, afirma.

A gestação e o nascimento

Uma égua entra no cio em média nos meses de julho a agosto, demorando cerca de 10 a 11 meses para criar. E quanto mais quente, mais rápido o potro irá nascer. Entre os cuidados necessários que se deve ter com uma égua prenha, um é deixá-las todas juntas em um lote, pois perto de parir elas sentem muitas dores, como cólicas e gostam de parir soltas no pasto. A alimentação deve ser feita com um bom pasto, sal mineral vitaminado, e duas vezes ao dia ração e aveia, além da desverminação.

O nascimento acontece geralmente pela madrugada, em um piquete ou numa baia parideira, que se aproximará o máximo possível do ambiente natural, pois é ali que a mãe educará o potro. Ele ficará com a mãe, isolado para reconhecê-la e ela ensinará a ele os primeiros comandos, ou seja, pastar e se defender.

O cuidado com a alimentação refletirá nesse momento, pois é de extrema importância que a égua esteja saudável para amamentar o filhote, que tomará o colostro, ou primeiro leite, para se fortalecer e ficar imune, já que os anticorpos não são transmitidos pelo cordão umbilical. A amamentação irá até aproximadamente 4 meses. O potro imitará a mãe na infância em seus hábitos, mas herdará o instinto paterno.

Como as pessoas, durante o crescimento do potro ele já mostrará o seu temperamento herdado dos pais. Visto isso, na hora da compra, o cliente deverá verificar a filiação. Caso ele queira um cavalo para corrida, por exemplo, é recomendável que ele escolha um potro filho de um bom corredor.

Escolhendo o melhor pai e a melhor mãe, às vezes é preciso utilizar uma “barriga de aluguel”, no caso quando a mãe é uma égua competidora – e para competir, a égua não pode engravidar. Dessa forma, o “melhor potro” é “produzido” pensando nas qualidades e temperamentos herdados do pai e da mãe, o que fará o preço aumentar, pois quanto melhor a filiação, mais caro será o filhote. Os cavalos vivem em torno de 30 anos no máximo, mas de 20 a 27 anos eles passam da fase adulta à idosa, que pede cada vez mais cuidados.

 

O Quarto de Milha

Segundo a ABQM (Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha) hoje o plantel brasileiro do Quarto de Milha no Brasil é composto por mais de 395,6 mil animais registrados (até 18/01/2013) e aproximadamente 74 mil criadores e proprietários cadastrados. Esse número se dá pela versatilidade da raça.

 

 

Fotografia: Desirée Pechefist


Sobre o Autor

Desirée Pechefist
Desirée Pechefist

Desirée Pechefist, não carrega tanta idade quanto sonhos. Blogueira e futura jornalista. Cara de menininha, mas quer saber mesmo é de fotografar, escrever, escutar música, ler e viajar.


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