Chiados de nostalgia: amantes do vinil parte 2

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Fotografia: Fernando Nunes

Quem curte os discos de vinil não nega, eles fazem parte de uma nostalgia única, capaz de fazer uma retrospectiva de momentos e histórias vividas. Isso, porque um som remete a muitas coisas. Se você viveu uma época de ouro dos vinis, ou se reconheceu na matéria da edição 18, sobre essa volta do vinil, essa é a sua chance de reviver essa nostalgia.

A venda de discos está em alta. Segundo a Nielsen SoundScan (sistema de informação que faz levantamentos de vendas de música e vídeo produtos em todo o Canadá e Estados Unidos), as vendas dos discos de vinil, em 2013, cresceram mais de 30% em relação a 2012. No Brasil, a Polysom, única fábrica de discos de vinil no país, aumentou seu lucro em 13,55%, em relação ao ano passado. Além disso, no Mercado Livre (site de comércio eletrônico), houve um aumento de 6% em suas vendas de vinil, que agora correspondem a 27% de todas as vendas no setor de música. Dessa forma podemos afirmar: a música vive bons e novos tempos, uma vez que os discos voltaram ao gosto do público, tornando-se um dos itens que mais crescem na indústria fonográfica.

Toda essa preferência pelo vinil é resultado de uma mística única, segundo vários amantes. Isso, pelo fato de o vinil trazer uma aproximação entre o ouvinte e o artista, construindo um “deciframento” do disco, do artista, da construção da capa, e claro, juntamente daquele chiado característico, que marca a transição de uma música para outra.

Para o empresário Guilherme Leandro, 33 anos, que possui um acervo com cerca de 200 discos, o vinil é um hobby que o faz relaxar e esquecer os problemas da vida. É como jogar bola ou sinuca. “Você mergulha num universo de sons e fica observando as capas, as fotos, e imagina como fizeram isso, ou como conseguiram chegar a esse tipo de som, é muito relaxante” – descreve. Já Bernardo Mattos, é mais excêntrico ao escutar os seus discos: “eu não gosto de fones, prefiro escutar o som do ambiente e sentir as coisas vibrando”, conta. E completa: “quando eu escuto um disco, um pedaço de uma música lembra outra, então raramente escuto um disco inteiro, salvo os primeiros da banda ‘Os Mutantes’, que gosto muito”.

Bernardo, além de artista plástico, é professor de Artes e não é de contar vantagem, embora tenha boas histórias. Assim ele é com os discos: possui cerca de sete mil LP’s, além de muitos outros compactos, mas não se considera um colecionador, e sim um amante do vinil. Os seus discos, alguns de quando era jovem; outros trocou ou ganhou de pessoas que não queriam mais, e tinham dó de jogá-los fora. Ele não faz ideia de quanto seus discos valem, mas comenta sobre um outro valor que eles possuem: o sentimental, já que, como ganhou de várias pessoas diferentes, cada um carrega uma marca de algum momento. “Muitos têm declarações de amor, avisos e assinaturas, carregam a expressão de um momento; carregam a marca de uma época de ouro dos discos de vinil”, conta ele.

Quando o assunto é disco de vinil, em muitas mentes – principalmente nas mais antigas – vem na memória a lembrança de reuniões na casa de amigos, parentes ou até vizinhos, para escutar discos de vinil, já que eles nunca foram baratos e acessíveis a todos. Apesar do preço, o que não faltam são amantes. Guilherme também é um dos que escutam aquele chiado e a memória corre para a adolescência. “Os discos de vinil me fazem recordar da minha adolescência, principalmente um disco da banda ‘The Cult’, de quando eu ainda não tinha meu toca-discos, e matava aula para ir à casa do meu primo escutar o disco e construir caixas de som”, explica ele.

Agulhas, caixas acústicas, amplificadores, toca-discos e equipamentos de som: essas são palavras que levam um bom colecionador à loucura, pois no mundo do vinil, existem também equipamentos vintage que deixam a qualidade do vinil ainda maior. Guilherme, quando adolescente, não tinha dinheiro para comprar o seu próprio equipamento de som, então ouvia fita cassete. Atualmente ele possui três toca-discos diferentes e quatro conjuntos de cápsulas, cada uma com uma assinatura sônica diferente, entre eles: ReceiverSansui G8000, Caixas AkaiSw 175, Toca-discos Technics SL 2900, Toca-discos Pioneer PL-510 e Toca-discos Gradiente DD1, pois afirma que para escutar a diferença entre a qualidade analógica da digital, é preciso um equipamento adequado. “Eu acabava ouvindo os discos na casa do meu primo, que tinha um equipamento básico do pai dele. Com o passar do tempo, acabei comprando os meus equipamentos, e hoje eu só ouço música em vinil, não uso mp3, nem CD, somente os discos”, conta ele.

Entre os discos que Guilherme considera raros, está um disco-teste das caixas Gradiente Concert, que era de quando você comprava o sistema de som Gradiente com as caixas Concert e o disco vinha para testar o som e calibrar as frequências. “O disco é muito raro, ainda esta semana recebi uma proposta de compra de um senhor de Santos, que fabrica equipamentos de áudio de alta fidelidade e quer comprar esse disco para ajustar o sistema que está fabricando”, diz Guilherme. Também alguns títulos da banda “Pink Floyd”, que são quadrifônicos ou estéreo 4.0, raros de encontrar.

Bernardo Mattos também possui vários discos curiosos e comenta sobre alguns: “Tenho um da Roberta Close, que tem apenas uma música: tanto no lado A, quanto no B, é a mesma música. Outro é um disco infantil que narra uma corrida de animais e, cada vez que o disco toca e é tirado, o vencedor da corrida muda”, relembra. Ele tem como xodó, discos de alguns cantores de sertanejo que não fizeram sucesso na época de seu lançamento, mas que agora são muito procurados, como Pena Branca e Xavantinho e Tonico e Tinoco.
Ele tem também uma variedade de estilos, e entre eles alguns autografados, como do Raul Seixas, Belchior, Fafá de Belém, Oswaldo Montenegro, Zé Geraldo e Juca Chaves. Alguns são visualmente curiosos, como os discos de alumínio e de papel que vinham dentro de revistas de publicidade, de 78 rotações, que surgiram antes do vinil; e os compactos coloridos. Até um da Turma da Mônica, com a Mônica desenhada no próprio disco.

Nostalgia é a palavra que os antigos falam ao tentar definir o vinil, já que um chiado ou uma música do “bolachão” remetem a momentos, lugares, risos e histórias. Ou até quem sabe àquelas reuniões na casa de um amigo que tinha um toca-discos, tudo não passava de uma descoberta musical, na qual ainda hoje permanecem eternizadas na mente graças a um chiado que insiste.

Onde encontrar tocadores e discos de vinil?

Você leu a matéria e se interessou em ter seus próprios vinis, ou já tinha esse desejo de se tornar um colecionador e não sabe como comprar? Nós damos algumas dicas de locais e sites.

Em Campo Mourão existe uma loja de usados chamada Trecos & Manias, na avenida Capitão Índio Bandeira, 1600. Lá você encontra uma infinidade de objetos antigos e ligados à música, como K7’s, CD’s, DVD’s, VHS e claro, tocadores e discos de vinil. Segundo o proprietário, José Osires Denega, os discos custam em sua maioria de R$ 3 a R$ 10. Mas, alguns podem custar até R$ 60. Você pode entrar em contato com a loja pelo fone: (44) 3523-7708.

Na internet, além das grandes lojas que sempre têm opções em vinil, você pode encontrar lojas especializadas com diversas opções. Confira:

www.discosvinil.com.br
armazemdovinil.com.br
www.prefirovinil.com.br

Toca-discos

Se você quer adquirir um toca-discos, existem algumas opções.
A Casa do Toca-discos (http://catodi.com.br) tem diversas opções em toca-discos e peças.
Várias lojas online oferecem também diversas opções. Uma boa opção é procurar no link do site de pesquisa de produtos, Buscapé: http://www.buscape.com.br/toca-discos.html.


Sobre o Autor

Desirée Pechefist
Desirée Pechefist

Desirée Pechefist, não carrega tanta idade quanto sonhos. Blogueira e futura jornalista. Cara de menininha, mas quer saber mesmo é de fotografar, escrever, escutar música, ler e viajar.


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