Cavalo quarto de milha – paixão colocada em provas

 

 

Eles não sabem explicar ao certo como começou sua paixão por cavalos, se na família, na convivência ou no conhecimento, mas resolveram extrapolar o manejo com os animais, estreitando os laços e participando de provas e competições.  Associados ao Núcleo do Cavalo Quarto de Milha de Campo Mourão, formam uma equipe que defende a cidade e tem conquistado vários títulos importantes. Entre eles estão Ana Carolina Fanhani Arruda Botelho, Chafik Simão Júnior e José Marcos Cunha, que competem em provas de baliza e tambor e detêm vários títulos importantes paranaenses.

 

 

 

 O NMQM

O Núcleo de Cavalos Quarto de Milha de Campo Mourão é uma Associação sem fins lucrativos que funciona no Parque de Exposições Getúlio Ferrari. Além de alojar os animais destinados ao esporte eqüestre, ou que estejam em doma ou treinamento, os associados encontram ali um ambiente para cultivar as amizades a partir da paixão pelos cavalos. Uma das maiores preocupações do Núcleo tem sido difundir o esporte eqüestre, trazendo informações para interessados no mundo dos cavalos de trabalho. Além dos treinamentos diários da equipe local na pista do Parque de Exposições, no local também estão reunidos os que gostam somente de participar de cavalgadas e passeios a cavalo.

A tesoureira do NMQM, Ana Paula Fanhani, mãe da competidora Ana Carolina, lembra que a atividade eqüestre agrega os que gostam de cavalos e os que passam a gostar porque vão para acompanhar familiares e amigos. Já, Camila Hruschka, secretária do NMQM, que compete em provas de tambor e baliza, lembra que lidar com os cavalos acaba se tornando obsessão. “Essa é a palavra que melhor se encaixa. Posso passar meus finais de semana inteiros rodeada por eles, só não passo os dias da semana por ter que cumprir meus compromissos profissionais”, justifica.

 

 

Competições e competidores

Entre as provas mais importantes que os mourãoenses disputam, estão o Circuito Costa Oeste do Cavalo de Trabalho (CCOCT), Campeonato Paranaense – Associação Paranaense do Cavalo Quarto de Milha (APQM), Campeonato National Barrel Horse Association do Paraná – NBHA/PR e ainda o Campeonato Nacional da Raça Quarto de Milha, Congresso Brasileiro do Quarto de Milha e a Copa dos Campeões da ABQM.

 

 Estas participações estão fazendo a equipe evoluir e conquistar resultados expressivos.  Ana Carolina Fanhani de Arruda Botelho é Reservada Campeã Paranaense 2010, campeã do Circuito Costa Oeste do Cavalo de Trabalho 2010 (prova do tambor) e Reservada Campeã Paranaense 2011(6 Balizas). Chafik Simão Júnior tem os títulos de Reservado Campeão NBHA 2011, é campeão do Circuito Costa Oeste do Cavalo de Trabalho 2011 e Reservado Campeão Paranaense 2011 (baliza e tambor). O treinador José Marcos Cunha é campeão do Circuito Costa Oeste do Cavalo de Trabalho 2011 – Categoria Master (baliza e tambor).

 

 

 

 

 

O elenco local que disputa provas de baliza e tambor é composto por: Airton Cezar Deitos Filho, José Marcos Cunha, José Luis Cunha, Chafik Simão Júnior, Chafik Simão Neto, Ana Carolina Fanhani de Arruda Botelho, Camila Hruschka, Franck Henrique Pereira e Ivan Ribeiro (treinador). Já, nas provas de Team Roping (Laço em Dupla), estão Cezar Junior Basílio, Caio Peres, Luis Carlos Vonsowski, Sérgio Rodrigo Aleixo, Chafik Simão Júnior e Ivan Ribeiro (treinador). As provas de 3 tambores em Rodeios são exclusivas para as mulheres e assim apenas Ana Carolina representa Campo Mourão.

 

 

O animal

Os cavalos de competição recebem cuidados dignos de estrelas, com direito a serem assistidos 24 horas por profissional, vacinas, refeições em horários pontuais, casqueamento (as ferraduras são trocadas a cada 30 dias), vermífugos, atendimentos dentários, dieta complementada com suplementos vitamínicos para dar energia e velocidade (reduzem a fadiga muscular e melhoram a resistência nas competições), além de cuidados para evitar algum tipo de estresse. Quando não estão no palco das competições, os animais ficam instalados em cocheiras limpas diariamente para evitar males como a leptospirose. A aparência do cavalo também conta muito nesse universo de disputas, por isso, a escovação dos pelos é essencial: a pelagem fica mais brilhante e auxilia para retirar o acúmulo de sujeira. Esse tratamento é praticamente como em um salão de beleza, com xampus especiais, condicionadores para crinas e rabos e hidrantes para os cascos. Para as provas eles são condicionados todos os dias em média 30 a 40 minutos para melhorar a capacidade pulmonar, visto que na hora da prova é exigida uma explosão de velocidade.

Relação Simbiótica

Camila Hruschka – “Não seria possível dissociar minha existência da convivência com cavalos. Meus irmãos e eu éramos provavelmente muito pequenos para nos recordar da primeira vez em que montamos um cavalo. Em casa, todos gostamos de cavalos. Minha primeira égua se chamava Fumaça, responsável pelo meu primeiro tombo. Na verdade ela não teve participação no meu infortúnio. É levantar e sacudir a poeira. Isso se aprende muito bem com os cavalos: a não desistir no primeiro obstáculo (que são muitos), a sempre tenta melhorar, saber que o dia de amanhã pode ser muito melhor que o de hoje. Apesar de toda a sua força, de toda a liberdade que transpiram, os cavalos se submetem ao homem com devoção e, uma vez que entregam seu coração ao seu amo, confiam nele cegamente. Cavalos são feitos de intenções e com eles você obrigatoriamente deve ser transparente. Não é possível enganá-los. São desconfiados, porém honestíssimos. Se não se é extremamente claro com um cavalo, se o comando a ele dado não for inequívoco ele não responderá. Não existem cavalos ruins, mas sim maus cavaleiros. São ótimos alunos, adoram aprender e se sentem estimulados com desafios e novidades. E quando se cavalga, deve-se ter em mente que a relação é simbiótica: o cavalo sempre terá algo a ensinar”.

Paixão que se descreve

 

Ana Carolina Fanhani Barreto – “Não sei ao certo como explicar essa minha paixão. Simplesmente me perco pensando na leveza de um cavalo ao correr. Tudo gira em torno dele, o vento sopra ao seu encontro, há liberdade e também a beleza de um cavalo Quarto de Milha. Meus pais sempre tiveram contato com cavalos por terem sido criados em fazendas e por isso eu “nasci gostando”. Desde muito pequena já andava com meu pai. Aos cinco anos, ganhei minha primeira égua Quarto de Milha, a Vereda Daddy. Morava em Umuarama e lá no parque de exposição tinha um professor de equitação, Maurício, que me ensinou a base para o início de uma carreira de competições. A partir de então, tinha aulas todas as semanas e em minha primeira prova de tambor, no paranaense de 2000, em Umuarama, aos seis anos, fiquei em terceiro lugar: foi meu primeiro prêmio. Em 2005, a minha égua tão amada, a Vereda morreu. Parei de competir, apenas andava a cavalo nos finais de semana com o meu pai. Tive mais alguns outros cavalos até que, em 2008, encontrei o Said Ferrari, que me fez voltar às competições. Foram com ele minhas principais conquistas e com ele eu percebi que era disso mesmo que eu gostava. O lado bom das competições são as amizades que conquistamos, pois geralmente, as pessoas que competem são as mesmas em todas as cidades e campeonatos. Então, por estarmos quase todos os finais de semana juntos, fazemos muitas amizades, algumas que levaremos para o resto da vida”.


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Metrópole Revista
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