Amantes do vinil: a volta dos que não foram

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O disco de vinil, ou “bolachão”, como conhecem os antigos, revolucionou a história do áudio. O que não sabiam é que ele seria o “xodozinho” de várias gerações. A Revista Metrópole entrevistou alguns amantes do disco de vinil em Campo Mourão, que, mesmo com suas respectivas profissões, ainda conseguem achar um tempo para escutá-los e mergulhar em um mundo de “áudio-nostalgia”.

Antigo, com ótima durabilidade, meio de armazenamento fiel, clássico e conceituado. Essas são algumas das qualidades que tornam o disco de vinil “imortal”, passado de geração a geração. Emoção, nostalgia e qualidade são as palavras que tentam definir o que é um disco para seu amante.

Leonardo Zaramella, 23, que possui cerca de 70 “LP’s” (Long Plays), inicia sua conversa com Metrópole, contando sobre a emoção do antigo ruído do soar da agulha. “Eu fico muito impressionado vendo o disco tocar. Chega a ser poético esse contato da agulha com o disco girando e movimentando o braço lentamente conforme a música avança. Muitas vezes viajo na música e ao olhar esse mecanismo ao mesmo tempo”. Ele afirma que durante a madrugada, costuma sentar em sua cadeira, colocar os fones de ouvido para não acordar ninguém e apreciar uma boa música, pois assim ouve cada detalhe. “É como ler um bom livro”, destaca Leonardo.

Muitas vezes, para se apreciar um disco de vinil tocando, torna-se necessário o desligamento de todas as atividades e a dedicação somente a isso. Entretanto, muitas pessoas encontram dificuldades em função do tempo, e então os discos se tornam parte apenas da estética, moda e até decoração. Por isso que a maioria dos amantes acabam adotando um “ritual” na hora de escutar um disco. Para Alan Rodrigues de Souza, dono de uma coleção bem preservada de 72 LP’s e 49 compactos, que iniciou quando ainda era adolescente, não é diferente. Ele comenta sobre a importância do vinil por causa da magia que ele exerce, um sentimento de apego à tradição, do que foi bom no passado. “Quando vou escutar um disco, sempre procuro algo para beber. Gosto de colocar a agulha do disco, descontrair e relaxar. Dedico-me exclusivamente ao que estou ouvindo, curto a música e mais nada. Acredito que o processo de digitalização na música faz perder toda a magia, e afinal, eu não quero mostrar daqui vinte anos uma pasta cheia de mp3 para minha filha”, afirmou.

Muito se fala sobre a qualidade do áudio de um disco de vinil. Leonardo Zaramella comenta que, para ele, um disco tem a qualidade de áudio muito superior ao da mídia digital. “Em um disco, a frequência sonora é perfeita, o que deixa o som mais aveludado”, ressalta. Já para Alan Rodrigues, o fato do analógico ser insuperável, como dizem muitos apreciadores de vinil, não é o mais importante, pois para ele, “o que conta mais é a magia e o estilo que envolve tudo”, acrescenta.

Mas o áudio não é a única qualidade que os colecionadores pontuam ao falar sobre os seus discos. Eles falam também das capas, já que essas dão uma visão ampla da arte, tornando o disco mais atraente. Leonardo compara muitas capas com uma pintura artística. Ele cita como exemplo os álbuns do Marillion, uma banda inglesa de rock progressivo, dos anos 80, que tem em suas capas um cenário imagético, rico em detalhes, muitas vezes melancólico, que motiva quem vê a fazer uma interpretação e uma relação com o contexto musical do álbum. “Alguns detalhes são como uma marca registrada da banda, visto que em suas capas quase sempre haverá a imagem de um coringa, um camaleão, alguns objetos que representam a mídia e com um olhar mais minucioso podemos ver capas de discos da própria banda espalhadas dentro do cenário. Isso me faz ter os discos do Marillion como alguns dos meus prediletos”, afirma Leonardo.

Alan, ao falar sobre a qualidade de um disco de vinil, explora um outro ponto de vista, explicando que a atração que possui pelos discos faz parte de uma nostalgia. “Todos os meus discos são especiais, representam o meu gosto musical em diferentes fases da minha vida, mas tenho um do BB King, ‘Lucille’ de 1967, importado, que está em perfeito estado de conservação, esse é meu xodó”, pontua.

Hoje o preço dessas raridades é altíssimo, pois comprar um disco novo nacional ou até usado, sai muito mais caro que um importado. Alan comenta que fora do Brasil a produção é bem grande. “Vários títulos de artistas que já morreram estão sendo relançados em 180g. São materiais luxuosos que fazem os apaixonados irem ao deleite”, afirma.

Lendo sobre toda essa variedade que nos remete a bons momentos, até parece uma espécie de magia. Magia que não cessou, pois mesmo com a produção reduzida, a produção de vinis não parou e agora voltou a estar na moda e suas vendas crescem cada vez mais no mercado. Essa nova produção de discos permite que as pessoas sintam novamente o gostinho de abrir um disco e dizer “esse é o meu disco novo”. Para que assim novas assinaturas, novas declarações e, quem sabe, novos apaixonados os guardem. Afinal, ter um disco de vinil é ter uma boa história para contar.

Velho é só questão de referência.

 

Curiosidades:                                               

    • O maior colecionador de discos do mundo é Paul Mawhinney. Sua coleção possui cerca de 2 milhões de discos e está avaliada em 50 milhões de dólares.
    • O grupo musical que mais vendeu discos foi a banda “The Beatles”, com aproximadamente 600 milhões de discos vendidos no mundo.
    • Em 2009, a Polysom reativou o seu maquinário antigo de discos de vinil e voltou a produzi-los.
    • O disco de vinil “Paêbirú”, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, é o que possui maior valor comercial no Brasil, cerca de 4 mil reais.

 

 

 

Sobre o Autor

Desirée Pechefist
Desirée Pechefist

Desirée Pechefist, não carrega tanta idade quanto sonhos. Blogueira e futura jornalista. Cara de menininha, mas quer saber mesmo é de fotografar, escrever, escutar música, ler e viajar.


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