Gaúchos de sangue, alma e coração

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MinuanoLenço no pescoço, chapéu na cabeça e alma no Rio Grande do Sul. Nos fandangos mais animados do Sul do país, eles formam um dos grupos mais populares no rol da música tradicionalista gaúcha, sempre lembrado em grandes eventos tradicionais, como a Semana Farroupilha, ou mesmo nos bailes da vida. Com a agenda corrida, mas com sorriso largo no rosto, os gaúchos do Grupo Minuano deram uma paradinha para conversar com Metrópole e falar da trajetória de mais de 30 anos em cima dos palcos.

A música é gaúcha, o estilo campeiro, mas o sotaque… Esse, apesar de todos os trejeitos do Rio Grande do Sul, aos pouquinhos vai ficando mais mourãoense. O Minuano é um daqueles grupos que por anos e anos sobrevive às reviravoltas da música e se mantém no topo da música tradicionalista, referência de baile bom. O grupo chegou à cidade em 1979, para a fundação do CTG Índio Bandeira – o baile de inauguração foi tocado por eles. Na época, conta Miriam Zamboni, empresária do grupo, a demanda por bailes tradicionalistas na região era intensa, e os Irmãos Ramos, como era chamada a banda, foram ficando em Campo Mourão, cumprindo uma extensa agenda de festas em cidades próximas.
Na mesma época os Ramos, liderados por José Ramos, o Yé, venceram o 1º Festival Nacional da Rádio Record e ganharam a chance de gravar também um CD.  Ganharam também um novo nome. “A gravadora achou que o nome não era bom e sugeriu Minuano, em alusão ao famoso vento do Rio Grande do Sul”, conta Miriam. O nome não poderia ter dado mais certo.  O grupo se solidificou, conquistou prêmios nos festivais nos anos seguintes e a fama só cresceu. No começo dos anos 90 foram considerados o melhor grupo tradicionalista do Paraná. Por diversos anos, mais prêmios vieram, assim como mais shows, mais bailes, mais agenda lotada.

Porto seguro
Na última década o movimento tradicionalista na região esfriou, mas eles não pensaram em sair daqui, mesmo com agenda cheia em Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Miriam garante que mesmo tendo a estrada como rotina, os músicos precisam de um lugar acolhedor para onde voltar depois dos bailes. Foi assim que Campo Mourão se solidificou como a casa do Minuano.
Hoje Santa Catarina é o principal destino dos músicos, mas a tendência é que no próximo ano a maioria das apresentações seja mais ao Sul. Mato Grosso do Sul também tem sido destino frequente e, neste último mês, o grupo se apresentou ainda na Argentina. Para quem está sempre na estrada mesmo, garantem os músicos, alguns quilômetros a mais não fazem muita diferença.
E a diferença do público, no entanto, é gigantesca. Aqui em Campo Mourão as apresentações são raras e organizadas pelo próprio grupo, como o baile de ano novo, que será em uma casa de shows da cidade.  Em outras cidades, eles são convidados e tratados como astros. “Fomos tocar em Campo Grande e, para descer do ônibus, tinha cordão de isolamento, seguranças para todo lado, muitas fãs. Aqui em Campo Mourão não tem nada disso, a gente vai de um extremo ao outro muito rápido”, se diverte o guitarrista Rose, gaúcho, 17 anos de Minuano.

Turnê internacional
Extremo maior, no entanto, talvez nenhuma banda gaúcha tenha vivenciado: em 2001 fizeram uma turnê de 12 shows pelos Estados Unidos. Isso mesmo, nos Estados Unidos. Foi o primeiro grupo sulista a tocar lá.
Por mais curioso que pareça, esclarece Miriam, tudo aconteceu de uma maneira muito despretensiosa e inesperada. “Um amigo foi morar lá e encontrou outro gaúcho, que estava montando um CTG. Ligou pra gente, combinamos os shows e embarcamos. Fizemos muito sucesso com a comunidade brasileira que mora lá, foi muito engrandecedor”, relembra.
O último show da turnê foi em Nova York, pouco tempo antes dos atentados à cidade e as lembranças que ficaram da viagem foram muito boas, contam. O grupo voltou fortalecido, no momento em que o Tchê Music, movimento que tornou mais pop a música gaúcha, crescia no país. No lugar das bombachas, músicos dançando e pulando no palco. O Minuano preferiu se manter tradicionalista, não abandonou a pilcha, o traje gaúcho, mas a batida sofreu algumas alterações para se manter no meio.
Hoje a banda – que é formada pelo Paulinho no baixo e na voz, Rose na guitarra e na voz, Marcelinho no acordeon e na voz, André no acordeon, Juliano na percussão e na voz e Alexandre, na bateria e no gogó – é considerada um estilo de vida. O último membro do grupo chegou há 5 anos. “A parceria que se conseguiu é muito forte. Somos muito unidos e é assim mesmo que é preciso ser para encarar essa vida na estrada”, conta o baixista Paulinho, que chegou ao grupo há 12 anos.

Música de alma
Os músicos se apresentam sempre de bombacha, são tradicionais. Já enfrentaram muitos percalços juntos, como uma crise que causou perdas nos anos 90, mas se mantêm firmes e fortes no mercado e na arte. “Caixa de som se compra, ônibus se compra, mas alma não se compra. E isso nós temos”, afirma Miriam.
Entre os maiores sucessos dos mais de 30 anos de carreira, destaque para a música “Te Amo Guria”, composta pelo lendário Cid Ramos e o “Baile da Doralice”, que não pode faltar em um único baile. Uma regravação da música “Iolanda”, de Chico Buarque, também tem peso significativo no grupo. A versão rendeu elogios suntuosos do maestro Eduardo Lages e também do Grupo Roupa Nova.
Hoje, 15 pessoas fazem parte da equipe do grupo, que se divide entre equipe de apoio e o escritório, fixo em Campo Mourão. O “Trancão do Minuano” é o mais novo CD, lançado neste final de ano.


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


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