Em busca da cachaça perfeita

Há quem aprecie vinhos, uísques, licores, mas o negócio deles é cachaça: a mais autêntica bebida brasileira, que volta à cena como bebida gourmet entre as destiladas, com rankings na revista Playboy e outras instituições públicas e privadas. A paixão pela bebida tem levado alguns deles a manter uma prateleira cheia de opções para receber os amigos e a despertar o “faro” de pesquisador, buscando exemplares diferenciados nos bares da vida. Em Campo Mourão, Silvio Vilczak, Walter Tonelli, Antonio Márcio, Buana Magalhães, Carlos Rodrigues, Antonio Carlos Colombo e outros amigos resolveram assumir-se como degustadores deste sabor nacional e formaram um Clube da Cachaça.

Suas reuniões acontecem nas residências, acompanhadas por um “belisco”, preparado pelos próprios. A história começou há alguns anos, quando se reuniam para um churrasco ou outra opção de cardápio, dando preferência aos pratos menos comuns que o habitual e sempre alguém trazia uma cachaça nova para abrir o apetite. “Aos poucos a cachaça, de abridora de apetite, passou a ser o centro da atenção do encontro. Foi assim que surgiu a ‘Segunda na Curitiba’, onde abrimos alguma garrafa – ou voltamos a degustar as que estão abertas há algum tempo – e o pessoal sempre tem alguma novidade, um achado para apresentar”, fala Silvio Vilczak, que tem aproximadamente 80 garrafas de cachaça, de alambiques e anos diferentes, e sedia a maioria dos encontros.

Silvio diz que no Clube uma coisa é unânime: “experimentar a cachaça pura”. Quando ela tem valor, tem que tomar assim, degustando e apreciando os valores de cada exemplar. “Tenho garrafas que estão abertas há anos. O importante é manter uma boa vedação para não perder o sabor. As que ficam abertas mantêm um sabor mais suave, acentuado. Para degustar deve ser colocada e mantida na boca por alguns segundos para sentir o sabor sem irritar a garganta. A boa cachaça é equivalente a um bom vinho, a uma boa vodka. Temos uma Caninha Oncinha que tem quase 30 anos. A cachaça tem prazo de validade indeterminado e, às vezes, aquele exemplar empoeirado num bar, que você nem sabe o nome, pode reservar uma boa surpresa”, justifica Silvio.

Apesar de Minas Gerais sediar a maioria dos alambiques, em todo território nacional há bons produtos, especialmente no Nordeste, e, segundo ele, há boas opções no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul. Claro que os nomes mais divertidos saem do Nordeste, refletindo o bom humor de lá, mas a maioria leva o nome dos engenhos de origem, ou das colônias de onde surgiram seus alambiques. “A minha preferida é a ‘Cachaça do Brazil – A Praiana’, que é de Santa Catarina, mas também apreciamos a Velho Barreiro, edição histórica de 200 anos da Emancipação do Paraguai, que é fantástica”, argumenta.

Os apreciadores da cachaça rejeitam o rótulo de pinga ou aguardente para o produto, já que, para os entendidos, cachaça é termo aplicado à bebida feita artesanalmente e a industrializada normalmente é considerada aguardente ou pinga. Outros fatores podem influenciar na hora da degustação, que podem variar dos tipos de garrafas, da cana ou do tempo de fabricação, mas para eles, que fazem estas reuniões degustativas apenas como hobby, o fator mais importante é sentir o sabor, aguçar o paladar individual, discutir e, depois, opinar sobre esta ou aquela cachaça.

“Apesar de existirem garrafas claras e escuras e de formatos diferenciados, assim como diferentes variedades de cana, são itens que não fazem muita diferença. Na minha experiência pessoal, isso não tem nada a ver. A quantidade produzida define valores. O nome e tradição também refletem o sabor do produto, revelam o cuidado de quem fez, além da idade, do tempo de armazenamento. Existem milhares de marcas no mercado, com rótulos de ‘diferentes’: cachaça envelhecida, cachaça reserva especial, premium ou simplesmente cachaça, é uma questão de escolha ou gosto”, fala.

Neste mercado também tem curiosidades, como o fato de haver exemplares raros e caros, que despertam a paixão de colecionadores e apreciadores, como a cachaça Anísio Santiago, mais conhecida como Havana, que tem uma história interessante, e  mudou de nome depois que Cuba (o País) entrou na Justiça contra o alambique por causa do nome do charuto, o que a tornou emblemática neste segmento.

Outros itens fundamentais, segundo os colecionadores, são o rótulo e o selo de certificação em papel moeda do Inmetro. Isso oferece garantia de qualidade, dá credibilidade ao produto, assegurando que é manipulado de acordo com as normas.

Os integrantes do Clube da Cachaça têm em sua prateleira exemplares que compram ou ganham e levam a sério o hobby, acompanhando rankings e as notícias via internet. “A gente ouve falar de um nome e já vai saber como é. Compra, traz para degustar. Garimpamos mesmo! A glória é encontrar aquelas que não são mais fabricadas” revela Silvio.

Se a cachaça abre o apetite e é a porta de entrada dos encontros, o ritual de degustação se complementa com um prato preparado por algum dos integrantes, na maioria das vezes uma carne mais forte, mas este não é item considerado fundamental pelos entendedores do assunto. “Para a gente é importante saborear, apreciar, admirar e contar a história”, registra Silvio.

Hoje, na preferência dos degustadores, a cachaça briga com o uísque e, como tal, precisa de um gole de água para diferenciar sabores.  A degustação é sempre em copos de 30 ml, próprios para isso, e tem uma infinidade de opções, para todos os tipos de apreciadores da bebida e, em alguns casos, com um toque de arte, acompanhando a tendência artesanal que marca a cachaça.

Conhecendo melhor:

A cachaça é normalmente servida em copo de vidro com parede lisa, transparente e incolor. A oleosidade pode ser examinada virando e girando o copo de modo a levar o líquido até as suas bordas. Fazendo isso, verifica-se uma película oleosa em torno das paredes internas, que escorre formando ondulações. Quando a cachaça começa a escorrer, lentamente, pela lateral do copo, as gotas lembram “lágrimas”. Essa baixa velocidade é indicação de qualidade.

A cor é outro aspecto importante a ser notado. As boas cachaças são transparentes e brilhantes. Quando envelhecidas ou descansadas em tonéis de madeira podem ser amarela ou rosadas. Cachaças turvas demonstram defeitos de fabricação principalmente no que diz respeito à mistura de cachaça de cabeça ou cauda com o coração da cachaça.

O aroma da cachaça não pode agredir o olfato. Bebidas que exalam cheiro desagradável ou que o odor chega a irritar os olhos podem ser associadas principalmente à falta de higiene em sua fabricação. Cachaças de qualidade apresentam aroma frutado e adocicado.

A verdadeira cachaça artesanal deve ser agradável ao paladar. Sua acidez é comprovada nas laterais da língua e o paladar adocicado na ponta da língua. No céu da boca pode-se identificar a presença excessiva de cobre. A cachaça deve ser colocada e mantida na boca por alguns segundos. Não deve apresentar gosto de álcool e, acima de tudo, não deve dar ao degustador vontade de cuspir, ato muito comum quando se ingere bebidas de má qualidade. Ao ser engolida, a cachaça deve descer bem, ou “redonda”, como dizem os adeptos da bebida, sem “queimar”.

Fonte: Fazendo isso, verifica-se uma película oleosa em torno das paredes internas, que escorre formando ondulações. Quando a cachaça começa a escorrer, lentamente, pela lateral do copo, as gotas lembram “lágrimas”. Essa baixa velocidade é indicação de qualidade.

A cor é outro aspecto importante a ser notado. As boas cachaças são transparentes e brilhantes. Quando envelhecidas ou descansadas em tonéis de madeira podem ser amarela ou rosadas. Cachaças turvas demonstram defeitos de fabricação principalmente no que diz respeito à mistura de cachaça de cabeça ou cauda com o coração da cachaça.

O aroma da cachaça não pode agredir o olfato. Bebidas que exalam cheiro desagradável ou que o odor chega a irritar os olhos podem ser associadas principalmente à falta de higiene em sua fabricação. Cachaças de qualidade apresentam aroma frutado e adocicado.

A verdadeira cachaça artesanal deve ser agradável ao paladar. Sua acidez é comprovada nas laterais da língua e o paladar adocicado na ponta da língua. No céu da boca pode-se identificar a presença excessiva de cobre. A cachaça deve ser colocada e mantida na boca por alguns segundos. Não deve apresentar gosto de álcool e, acima de tudo, não deve dar ao degustador vontade de cuspir, ato muito comum quando se ingere bebidas de má qualidade. Ao ser engolida, a cachaça deve descer bem, ou “redonda”, como dizem os adeptos da bebida, sem “queimar”.

Fonte: www.alambiquedacachaca.com.br

Texto: Regina Lopes

Fotos: Fernando Nunes


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