Ele é o Cara

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Se você mora na região de Campo Mourão e gosta de uma boa balada, certamente já ouviu falar dele ou já comprou algum ingresso de show das suas mãos. Este é o Carlinhos Eventos, dono de uma invejável rede de amigos no Facebook e o maior vendedor de convites para festas que já apareceu por estas bandas. Seu nome, para quem não sabe, é José Carlos Moraes, mas saber isso nem faz diferença, porque é com o codinome que ele tem conquistado confiança de milhares de pessoas nas redes sociais, nas festas, e dos produtores e artistas, com os quais já tirou mais de 1.500 fotos.

Carlinhos nasceu e ainda mora em Peabiru, mas seu escritório é ambulante, entre ruas de Campo Mourão e cidades da região, oferecendo, vendendo e entregando convites de shows e baladas que acontecem nestas localidades, ou mesmo de grandes festas de Cianorte, Maringá e Camboriú (Santa Catarina), onde atua em época de férias.

“Personal tickets deliverer”

Vendedor de ingressos há 15 anos, há 12 trabalha exclusivamente com esta atividade de forma autônoma. Uma profissão que poderíamos, nos dias de hoje, chamar de “personal tickets deliverer”.  Ex-bancário, Carlinhos trabalhou em agências de Peabiru, Engenheiro Beltrão e Campo Mourão e se encontrou na profissão porque era craque em vendas e facilmente batia as metas da agência, com a venda de seguros e de outros produtos bancários. Conheceu muita gente e daí para começar a vender ingressos foi só uma questão de oportunidade. Um amigo que o conhecia do banco, promovia o show de Mauricio e Mauri (os irmãos de Chitãozinho e Xororó) no PUC de Peabiru, e pediu ajuda com os ingressos. Ele topou o desafio e em poucos dias comercializou sozinho 1.200 ingressos, ou 40% de tudo que foi vendido para a ocasião.

Seu sucesso de vendas surpreendeu o então diretor da Rádio Rural FM, Clermont D´Avila Sobrinho. Contatado por este, na primeira tacada vendeu para a emissora 800 convites, o que foi considerado um fenômeno. Estava consagrado na atividade. Percebeu então, ganhava mais vendendo convites nas horas vagas do que trabalhando no Banco.

“A coisa estava pegando, todo mundo já me procurava para adquirir convites e percebi as vantagens: trabalhava no horário que queria, não tinha chefe e podia produzir muito mais. Entrei no banco com 12 anos, como contínuo. Trabalhei em duas empresas e quando saí, já era chefe de serviço. Batia as metas da agência sozinho, ganhava prêmios, boas comissões. E meu gerente fez de tudo para eu ficar, ofereceu cargos de gerência em cidades maiores, eu poderia crescer muito porque era muito novo. Pensei bem e preferi ficar com a minha mãe e estar em casa. Na época, em 1997, mesmo demissionário recebi cinco salários de gratificação”, explica.

Colecionador de Amigos

Com uma grande coleção de milhares de amigos, Carlinhos diz que as redes sociais têm ajudado muito na venda de ingressos. São mais de 5 mil pessoas divididas em cinco perfis no Facebook, outros 5 mil contatos em  MSN´s diferentes, 20 mil endereços de e-mails, além de outros milhares de amigos no Orkut e seguidores no Twitter. “Por ali divulgo e vendo os ingressos. A pessoa pede, eu levo onde ela está, no comércio, na casa, na faculdade, onde for preciso, faço conexão com toda a região, e cerca de 30% dos que vêm aos nossos shows, em Campo Mourão, são de cidades de fora”, esclarece.

Segundo este autêntico “ticket deliverer”, ele vende cerca de 1 mil ingressos por show. Os shows nacionais de pop-rock, podem vender até 1.100 convites e os sertanejos, 800 por evento. “Quando vendo mais é no Luau do Passarinho. São 2.200 por festa e trabalho para todas as casas, não tenho exclusividade com ninguém. Quando confirmamos os eventos, já vai na hora para certos contatos via Facebook, avisamos as pessoas, colocamos os primeiros lotes à venda e começamos a vender. Precisamos vender rápido para acertar os cachês”. Além das redes sociais, Carlinhos trabalha muito com os jovens divulgando as festas em colégios, faculdades e cursinhos.

Com a vida universitária mais agitada nos últimos anos, pela instalação de muitos novos cursos, ele diz que o perfil das festas locais mudou muito e as baladas locais são de muito sucesso. “Hoje as pessoas de Maringá perguntam porque lá não tem os shows bons que temos aqui. E sempre Maringá foi referência em balada para a nossa região. As faculdades ajudam muito, especialmente a UTFPr, que deu uma nova força para a economia local, não só para os eventos, mas também para todo o comércio. Eu vivo isso, os universitários compram muito ingressos, mas também ouço muito isto dos comerciantes locais”, fala.

As 1.500 fotos que já tirou com cantores, bandas, celebridades de Big Brother e centenas de outros artistas, além de confirmarem a grande empatia que provoca nas pessoas, ainda dão boas histórias. Suas amizades fazem inveja a muitos, entre eles estão produtores de grandes ídolos da música nacional e cantores como Fernando e Sorocaba, Munhoz e Mariano, Banda Jota Quest, entre outros.

Além das amizades, o meio das baladas também rendeu bons convites para trabalhar na promoção de artistas como Jota Quest, Luan Santana, o cantor Vinny e o Grupo Minuano, além de produtores de grandes artistas de renome. “Recebo muitas propostas, mas nunca quis sair daqui”.

Boas Histórias

Entre as boas histórias que ficaram desta jornada, ele cita que já teve que entrevistar a Banda Jota Quest numa van, quando vieram em Campo Mourão para promover o CD “Raio Laser” e atrasaram o vôo por causa do tempo fechado em Maringá. “Fui para Londrina e eles tinham uma entrevista da rádio. Como não íamos chegar a tempo, fiz eu mesmo a entrevista na van, por celular, e foi muito divertido. Já estive com bandas que queriam levar embora caixa térmica que deixamos no camarim e outras que quebraram o hotel, dando mais despesa do que o cachê que cobraram. Mas o mais marcante foi Mauricio Manieri, pela sua simplicidade e pela qualidade do show. Ele é de uma simpatia única e acolhedor”, conta.

A mais interessante deixamos para o fim e tem a ver com o mais novo ídolo teen da música, Luan Santana.  “O Luan morava em Campo Grande e quem trouxe ele ao Paraná foi Fernando e Sorocaba. O primeiro show dele no estado foi aqui em Campo Mourão, em fevereiro de 2010, no Cia3 Bar (que já fechou), onde cantou para 600 pessoas. Fui com ele a pé, do hotel onde estava hospedado, jantar no Restaurante Minuano. Na época ele foi contratado para mais um show em dezembro. Mas nem ele e nem ninguém esperava que estourasse tão rápido. Quando voltou em dezembro, véspera de Natal, já era um pop star. Ele fala por aí que foi seu pior show. Ele não tinha noção de que seu DVD ia estourar naquele espaço de tempo e que iria ter que passar a véspera de natal em Campo Mourão”.

Acompanhando o mundo do show business há muito tempo, Carlinhos diz que já tem um “feeling” para saber quem será a bola da vez neste cenário, e dá a dica de quem vem por aí: Munhoz e Mariano, Israel e Rodolfo, Humberto e Ronaldo e Israel Novaes. É aguardar e conferir.


Sobre o Autor

Regina Lopes
Regina Lopes

É jornalista há 27 anos, editora da Revista Metrópole e jornalista da Prefeitura de Campo Mourão.


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