Dominando passarelas internacionais

Douglas Neitzke Rorato

Moda é um segmento que modestamente Metrópole vem abordando em todas as edições, desde que foi lançada. Mas quando a novidade é uma pessoa, o assunto ganha novo tratamento e foi assim que a editoria não perdeu a oportunidade de registrar a passagem do modelo internacional Douglas Neitzke Rorato, que esteve de férias na cidade em agosto, revendo os pais Nilce e Deonildo.

Aos 23 anos e morando na Europa há pelo menos quatro anos, ele já desfilou pelos principais palcos da moda internacional e foi modelo exclusivo da Casa Dior ainda como new face. Atualmente morando na Cidade Luz e ligado à agência Natalie, Douglas vive o sonho de muitos meninos e meninas, de um dia serem descobertos por acaso na porta do colégio e seguirem carreira internacional.

A entrada no mundo fashion

A carreira de Douglas começou com uma seleção da agência D´Look, de Maringá, com panfletos distribuídos no Colégio Marechal Rondon em 2005. Umas amigas lançaram o desafio, já que tinha começado a crescer e ganhado altura. “Pensei: porque não? Fui com meu irmão na seletiva, mas ele desistiu em seguida. Tinha que ir a uma convenção em São Paulo, a que resolvi não ir, porque não sabia se aquilo estava certo. Depois veio um pessoal de Guarapuava, desfilei para eles no Clube 10 e ficou por isso. Achei que não ia rolar nada porque tinha que terminar o terceirão. Duas semanas depois me liga o Marcelo, da D´look, e fala que estava indo a São Paulo no final de semana e ia me apresentar para algumas agências e que conseguiria mesmo sem a convenção. Meu tio, que mora em São Paulo, me levou para conhecer as agências e uma delas me aceitou. Era março e queriam que eu ficasse lá um tempo para me preparar para o Fashion Week, que seria em junho. Daí já me animei: nunca pensei que podia acontecer Fashion Week. Fui aos poucos, mudei de colégio no segundo bimestre e, depois de um tempo, fui morar no apartamento da Agência”, conta.

Primeiro Trabalho

O tempo de preparação para o Fashion Week incluiu, segundo Douglas, testes e alguns trabalhos. Nos 18 meses que se seguiram, quando estava quase desistindo, apareceu a grande oportunidade, por meio de agências de Paris e Milão, onde a carreira efetivamente se consolidou. “O primeiro trabalho foi com catálogo e me prepararam para os desfiles, fazendo testes, conhecendo clientes. Na época não rolou muito porque era um new face. Fiz só um desfile, mas foi legal, porque nunca imaginei isso, e foi acontecendo. Um ano e meio depois conheci outra agência, através de um amigo. Um mês depois conheci agências de Paris e Milão que quiserem me levar. Isso de um dia para o outro, quando estava pensando em voltar para casa. Em janeiro de 2007 fui para Paris e Milão, peguei desfile muito bom em Paris, onde fiz Dior, exclusivo. Foi muito bom porque não precisei fazer castings para outros desfiles e já pagava minhas contas: vôo, apartamento, tudo. Comecei com pé direito na Europa. Até hoje tenho mesma agência em Paris e tenho bom relacionamento com pessoal de Milão”, fala.

Base em Paris

Apesar de já ter tentado outros lugares do mundo, o modelo prefere morar em Paris e seguir trabalhando pelo velho mundo. “Tentei em Nova Iorque em 2008 e 2009, mas vi que compensa ficar mais na Europa, o mercado tem mais opções: Milão, Londres, Hamburgo e outras. Os trabalhos mais legais que fiz foram em Paris, porque Milão é um pouco mais comercial, modelos mais fortes, underwear, essas coisas. Para mim, o que eu faço é mais silhueta, ternos, coisas de alta costura”. explica.

Brasileiro com perfil europeu

O modelo lembra que seu look se identifica mais com o perfil do europeu – onde predominam biótipos como britânico, alemão, sueco – ficando mais fácil encontrar trabalho por lá, mas ser brasileiro também ajuda muito. “O pessoal sabe que brasileiro é mais descontraído, despojado, sabe que não vai ter problema de ficar reclamando. Tem outros modelos que, mesmo ganhando um dinheiro legal, não dá valor, eles acham isso ilusão. Mas para a gente que é brasileiro, o simples fato de estarmos lá já é importante. Os clientes sentem que a gente dá valor ao trabalho. Vejo muitas vezes os gringos falando ‘os brasileiros pegam todos os trabalhos…’. É porque a gente fica contente, não tem tempo ruim, trabalha em qualquer situação”, justifica.

Tipos de trabalho

Douglas mostra que gosta de tudo o que faz e se diverte com isso, seja na passarela ou nos editoriais:   “O conceitual é legal, você vê quem está assistindo. São pessoas que têm gosto mais diversificado, esperando para ver algo novo. Só que os editoriais são divertidos porque é sempre uma história, você é um ator, com um personagem. E quando está fazendo um look book, um catálogo, tem que mostrar a roupa de quem está pagando suas contas. Na verdade é bom fazer os dois, mas o catálogo é o trabalho que paga regularmente. Editoriais, normalmente, tem orçamentos baixos, mas você se sente bem porque é um trabalho divertido, dependendo do que é, você está com o pessoal, às vezes uma menina, sempre tem uma história”.

Mercado e projeção

Douglas lembra ainda que para o modelo manter-se no mercado e obter projeção profissional tem que trabalhar bastante, estar sempre presente em editoriais ou passarelas. “No editorial a pessoa pode te ver através de uma revista. É sempre bom estar ali, ser visto. Mas os shows em Paris e Milão, que estão nas temporadas do calendário de moda masculina, também são fundamentais porque todos vão para estas cidades. É uma vitrine, com clientes de todo o mundo assistindo. Por isso tenho sempre que estar lá. Desde 2007 só pulei a temporada de 2009, que fiz no Brasil. Não tem como fazer as duas juntas, bate o calendário. Senti a diferença. Demorou mais duas estações até eu me reprojetar, principalmente Milão, porque é um mercado em que eles usam muito new faces e estão sempre mudando. Em Paris os clientes são mais fiéis com os modelos que eles usam”.

O Tempo que virá

O modelo mourãoense, que conquistou as passarelas internacionais, diz que espera ainda atuar muitos anos, já que seu perfil proporciona esta estabilidade e o mercado tem opções diferentes de trabalho. “Se você vai ficar em passarela, depende do seu look. Conheço modelos que começaram a desfilar aos 25. Para o homem o tempo é mais longo. Como tenho perfil de mais novo, vou ter mais um tempo de passarela, mas não tem muito limite de idade. Depende de cada um porque, se alguns clientes não querem mais você, outros acham que está pronto. Fiz desfiles nesta temporada de marcas pras quais nunca fazia nem casting. Não chamavam porque eu era novo. Finalmente fiz porque me conheciam, agora estava pronto. Vejo que tenho chão. Estou tranquilo, além de desfiles tem outros tipos de trabalhos mais conceituais”, esclarece.

Aprendendo com a Vida

A vivência com as pessoas e estar aberto a sempre aprender, segundo Douglas, foram fatores que ajudaram a vencer os obstáculos em outros países e culturas. “Aprendi tudo no dia a dia. O inglês praticava com a ex-namorada, que falava a língua, e ela sempre tinha amigas estrangeiras. E, por não ser um grupo de brasileiros, ajudou. Falávamos para treinar e isso ensinava. Mas aprendi bem mesmo quando morei com estrangeiros. Morando em Milão aprendi o italiano fácil, por causa da família (minha avó é de origem italiana, escutava música italiana, tinha sotaque forte, sonoridade). Com certeza é a língua mais fácil para brasileiro aprender. Depois, em Paris, morei com uns argentinos, nem eu falava inglês nem eles, falávamos o portunhol. O francês, entre as línguas latinas, foi a que demorei mais tempo para aprender. Faz quatro anos e meio que estou indo para Paris e agora que eu consigo ter uma conversação só em francês, sem precisar usar o inglês. Eu morei com uma senhora por três meses, que não falava inglês, tive que falar mesmo. Vi que dava porque antes eu achava impossível”, reflete.

Amigos e a rotina

As boas amizades também ajudam a diminuir distâncias e a construir a carreira com tranquilidade, lembra Douglas: “Desde o começo meus amigos são brasileiros, porque a gente acaba sempre estando junto, no mesmo lugar, na mesma hora, não tem como não se dar bem. Em Londres foi a primeira vez que fiz amizade com estrangeiros, australianos, que tem um pouco do jeito nosso, e como eu, tentando a vida em outro país, isso sempre acaba identificando as pessoas- viajantes que estão por algum tempo dividindo quarto e a cozinha. Sempre gostei de cozinhar desde moleque, fazia bolos de receita com minha mãe, mas lá fora aprendi pratos inventando, por necessidade, para não comer na rua. Pessoa do mundo é assim, é natural ir ao mercado e comprar o que vai comer hoje”.

Com as férias das principais agências, no verão europeu, Douglas passou uns dias pelo Brasil. Mesmo em stand by, porque outros mercados ainda podem chamá-lo, o modelo quer mesmo descansar com os pais em Campo Mourão e os amigos em São Paulo, da agência com que ainda tem contato.  Mas, lembra que não tem muita identidade com o mercado brasileiro.  “Aqui no Brasil é outro perfil, mais latino, isso para trabalhos regulares. Mas se tiver Fashion Week, faço os desfiles deles, porque usam pessoas como eu, mas no dia a dia, ir fazer testes de comerciais, coisa assim não rola, não tem mercado ativo no Brasil”, fala.

Anonimato e badalações

Avesso às badalações, nosso entrevistado já tem planos para o futuro, mas não pensa em ser artista, como a grande maioria dos modelos busca: “Na Itália isso é mais comum. Virar celebridade e artista não é meu caso, estou totalmente fora disso. Para mim a melhor profissão ainda é ser modelo, é o melhor porque você é um anônimo. Mesmo que a pessoa te veja numa foto, só vai te conhecer se for do meio fashion, mas pessoal do dia a dia não vai te conhecer, ou te parar na rua, porque a exposição é muito menor. Comigo também não rola isso de festas. No mercado feminino isso é mais presente, tipo “aquela top model vai estar presente”. No mundo da moda o homem é coadjuvante, preenche espaços. Por exemplo, ao posar com uma menina, sempre ela é que vai estar na frente, se for uma grife feminina obviamente. O mercado é muito menor para os homens. A grana mesmo está no mercado feminino, de milhões em contratos, jóias, glamour. Com razão, porque quem compra e quem financia o mercado é a mulher. Eu prefiro estar mais calmo. Festa, só para confraternizar com pessoal da marca, pode ter alguns modelos do desfile, mas não tem assédio, pessoal está acostumado. Às vezes, ser modelo, em muitos lugares, é até ruim para sua imagem: pensam que modelo é estúpido, não faz nada da vida, ganha dinheiro fácil. No Brasil é diferente, pessoal vê com outros olhos, como celebridade, como uma pessoa que está fazendo algo fora do comum. Eu prefiro a visão de que isso é um trabalho normal”.

Voltando para casa

A volta para o Brasil é um assunto de futuro para Douglas, que pensa nisso para quando formar uma família. “Logo, não volto, mas quero construir família no Brasil. Mas por enquanto sou jovem e quero viver lá fora. Também não penso em fazer faculdade agora. Hoje não tem como, viajando de lugar para outro e porque tem muito trabalho agora na Europa para mim. Não adianta querer ficar só em um lugar. Não quero assumir um compromisso de faculdade agora porque vou acabar fazendo por cima. Por enquanto aprendo as coisas mais no dia a dia”, finaliza.


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