Contando Milhas e Histórias

5

Ela é palmeirense, ele corintiano. Ela contida, ele expansivo. Ela da geografia, ele da história. Ela das letras, ele da palavra. Juntos formaram uma família e uma reputação, colocaram quatro filhos no mundo e viajaram por grande parte dele. Com o propósito de dividir as aventuras vividas, boa parte juntos, mesmo em meio a tantas diferenças, Dircelia e Joani Teixeira lançaram, em maio, o livro “Nossa história, nossas vidas, nossas viagens” com relatos e fotos de suas vidas. E é dessa história que eles falam um pouquinho para a Metrópole.

Apesar da ligação direta com Campo Mourão e da história do casal ter sido construída em grande parte aqui, Joani e Dircelia foi que escolheram a cidade para viver. Joani nasceu em Imbituva, na região sul do Paraná, pertinho de Ponta Grossa, onde nasceu Dircelia. Começaram suas vidas nos Campos Gerais, estudaram, se conheceram, se casaram e tiveram o primeiro filho lá. Foi quando Campo Mourão entrou na vida dos dois.

Ele formado em história, ela em geografia, passaram os dois no concurso público para fazer parte da rede de ensino estadual do Paraná. Naquela época, Joani trabalhava na assessoria de imprensa da prefeitura de Ponta Grossa, onde moravam, e também fazia coberturas jornalísticas para uma rádio. Apesar do bom emprego, em uma coisa os dois concordavam: queriam estabilidade. Com as vagas do concurso abertas para todo o Estado e sem vagas para a região em que moravam, a solução encontrada pelo casal foi seguir para outra cidade. “Quase nos mudamos para Realeza, mas tínhamos essa opção e quisemos conhecer”, conta Dircelia.

E a gente já viveu tanta coisa, já viu tanta coisa. Faz parte também dividir um pouco desse conhecimento.

Joani conta que tinha conhecido o ex-prefeito mourãoense Horácio Amaral, ainda em Ponta Grossa, e ele tinha falado bem da cidade. Para ver com os próprios olhos aquela que seria sua cidade desde então, pegou um ônibus e conheceu a região, enquanto a esposa cuidava do primeiro filho, recém-nascido. Não tinham como não vir para cá. “Gostamos daqui, tivemos oportunidade de voltar, mas quisemos mesmo ficar, porque agora esse é o nosso lugar”, conta.

Os professores

Como vieram para Campo Mourão, em 1970, com o propósito certo de se dedicar não só à família, que naquele mesmo ano ganhou mais um membro, logo os dois começaram a firmar seus nomes nas escolas em que trabalharam. E o Colégio Estadual foi a principal marca. Ali Joani foi diretor por muitos anos, enquanto Dircelia também assumiu a coordenação geral por algum tempo. Juntos os dois também fizeram parte do corpo docente da Fecilcam por muitos anos, até a aposentadoria.

Pelos 37 anos de vida dedicada ao magistério, hoje eles mesmos adotaram o “professor” e “professora” antes dos nomes. “Fomos professores a vida inteira, então não tem como ser chamados de outra forma. E já demos aula para tanta gente”, lembra Joani. “É uma profissão muito gratificante e os nossos alunos crescem, viram pessoas de bem e continuam chamando a gente assim. É muito gratificante”, pontua Dircelia.

As viagens

Aproveitando as férias escolares, as viagens, conta o casal, começaram com os filhos ainda pequenos e algumas limitações. Com os quatro meninos a bordo, eles faziam visitas pontuais ao litoral e à casa dos parentes em Ponta Grossa, nas férias. Ali aproveitavam ao máximo o ambiente que tinham à disposição. “Nessas viagens a gente costumava pegar os meninos e passar pelas cidades em que o Joani tinha jogado bola. Passávamos pelas cidades históricas, dávamos umas aulas para eles”, conta Dircelia. Assim foram conhecendo mais o Estado e se preparando para viagens maiores. Assim conheceram toda a região da Comcam e pelo menos 300, dos 399 municípios do Paraná.

Com as crianças mais velhas, começaram a explorar novos estados, mas foi com os filhos adultos que o mundo se abriu para o casal. A primeira viagem foi para um roteiro bastante tradicional: Argentina. Depois disso, não pararam mais. Foram para o México, para Machu Pichu e passaram por praticamente toda a América Latina. Passaram por destinos poucos conhecidos e por outros muito invejados.

Gostamos daqui, tivemos oportunidade de voltar, mas quisemos mesmo ficar, porque agora esse é o nosso lugar.

Quando foram para Cancun e Acapulco, no México, quiseram conhecer as pirâmides maias. Na maior delas, a ChichénItzá, escalaram até a metade. “Foi uma decepção muito grande. A excursão tinha hora para sair e não deu tempo. Tivemos de ir mais uma vez para o México só para subir a pirâmide até o fim”, brinca Dircelia.

Além da América Latina, o casal foi também para a Europa, onde conheceu todos os destinos mais tradicionais que se pode imaginar. Acumulam fotos em frente à Torre Eiffel, em Paris, ao Coliseu, na Itália, à igreja da Sagrada Família na Espanha. Com muitas milhas na bagagem e tantas paisagens registradas na memória, uma é unânime: a de Machu Pichu. Apesar de todas as descobertas e bons momentos passados nas cidades e nos países que visitaram, essa foi a viagem da vida do casal, conta Dircelia. “Sinto até um arrepio ao lembrar. Fomos de ônibus, com uma excursão que saiu de Santa Catarina e ficamos por 24 dias conhecendo a região, que é fantástica. É simplesmente deslumbrante”, relembra. A Turquia, que não é um roteiro dos mais tradicionais, também recebe muitos elogios. “É muito linda, fantástica”, pontua.

Novos planos

Com o auditório do Sesc lotado na cerimônia de lançamento do livro, o filho mais novo do casal, Manoel Henrique, brincou com os planos do casal. Arrancando risos dos convidados, disse que Dircelia, quando chega de uma viagem, vai ler, enquanto Joani começa a planejar uma nova viagem. Mais planos já estão feitos.

No roteiro dos dois, para breve, estão programadas visitas ao leste europeu. Vão passar por Ucrânia, República Theca e Polônia. Também pensam em dar uma passadinha pela Patagônia chilena, mas Dircelia faz um papel ativo nisso tudo. Com o destino escolhido, entra em cena a internet. “Pesquiso tudo, planejo o que a gente vai fazer em cada dia”, salienta. E não é porque os dois são aposentados que o programa é de terceira idade. “Nunca fui de ir para a praia e ficar lagarteando uma semana inteira, no mesmo lugar. Isso não faz meu tipo. Gosto de movimento, de passear, de conhecer tudo que tem para ser conhecido”, defende a professora.

O livro

As mais de 300 páginas do “quinto filho” do casal foram elaboradas pelos dois, mas escritas todas por Dircelia. “É que ele não digita, então ditava as partes dele para mim. Só esse computador sabe as discussões que tivemos”, brinca a professora. O livro foi escrito com base nos diários de bordo feitos por ela depois das viagens e demorou cerca de um ano para ser escrito. E não deve ser o primeiro de muitos. “É gratificante ver o resultado pronto, mas dá muito trabalho, é muito desgastante. Não quero escrever outro”, revela Dircelia.

Os custos dos exemplares foram todos cobertos pelo casal, com o objetivo claro de contar suas histórias, a vida juntos e escrever sobre a família que formaram. “E a gente já viveu tanta coisa, já viu tanta coisa. Faz parte também dividir um pouco desse conhecimento”, pontua Joani.

Para quem quiser conhecer melhor a história, que não cabe inteira nessas três páginas, a recomendação é ler o livro do casal. Exemplares podem ser encontrados nas bancas da cidade, mas o casal fez doação de diversos exemplares para as bibliotecas da cidade, tanto a municipal quanto a do Sesc e também nos locais onde trabalharam.

 


Sobre o Autor

Gracieli Polak
Gracieli Polak

Gracieli Polak é jornalista e blogueira, especialista em escrever sobre quase todo assunto – especialmente os que lhe agradam.


Fatal error: Uncaught Exception: 12: REST API is deprecated for versions v2.1 and higher (12) thrown in /home/metropolerevista/metropolerevista.com.br/html/wp-content/plugins/seo-facebook-comments/facebook/base_facebook.php on line 1273